artigo recomendado


Ribeiro, Pedro Floriano. Em nome da coesão: parlamentares e comissionados nas executivas nacionais dos partidos brasileiros. Revista de Sociologia e Política, vol. 22 n. 52 (dec. 2014).
Quase nada sabemos sobre as cúpulas dirigentes dos partidos políticos brasileiros, espaços de coagulação de disputas e deliberações acerca de aspectos relevantes da vida política nacional. O objetivo do trabalho é começar a abrir a caixa preta desses espaços, delineando-se um perfil das elites dirigentes dos principais partidos brasileiros. São utilizados dados inéditos acerca das comissões executivas nacionais formadas entre 1980 e 2013, dos sete maiores partidos: PT, PSB, PDT, PMDB, PSDB, PP e DEM.
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26 de maio de 2015

institutional configuration of sport policy in Brazil

[Clube do Congresso.
Athos Bulcão.
Brasília - DF]

artigo:
The institutional configuration of sport policy in Brazil: organization , evolution and dilemmas

Mendes, A.; Codato, A.

Brazil has become the center of the spotlight of the whole world recently, amongst many other reasons, one of them was because it was chosen to host a series of mega sporting events — Pan American Games in 2007, Confederations Football Cup in 2013, Fifa Football World Cup 2014 Games and 2016 Olympic and Paralympic Games in 2016. However, little is known about the country’s administrative governmental structure focused on sport policy. The available studies focus their analysis on the sport policies content, but not on the arrangement of its structural decision-making. The main aim of this article is indeed to describe, based on official documentation, the evolution and the current arrangements of the government responsible for the administrative structure for the planning and implementation of sports policies in Brazil. Thus, we tried to list the main prob- lems arising from the organization of the Brazilian sports’ management. These problems are: (1) inappropriate institutional structure in terms of human resources and obstacles to participation by other social actors beyond the officials (parliament and members of the Ministry of Sports) in the sports policy; (2) disarticulation between public institutions generating redundancies and conflicts of jurisdiction due to the poor division of labor between bureaucracy agencies; and (3) inadequate planning proved by the lack of organization of some institutions, and by the lack of assessment and continuity of public policies over time. Therefore, we must emphasize those problems from above, and due to these administrative arrangements, Brazilian sports’ policy has big challenges in the sport development in this country, which includes the creation of a national “system” for sports and a priority investment in sport education.


Mendes, A. & Codato, A., 2015. The institutional configuration of sport policy in Brazil: organization , evolution and dilemmas. Revista de Administração Pública, 49(3), pp.563–593.

access PDF
http://bit.ly/1cgFLbb

18 de abril de 2015

futebol e ditadura

[Rio de Janeiro.
Thomaz Farkas,
1947]

Especial
À moda da ditadura: “Vestir a camisa da seleção e homenagear militares”

Cientista político analisa cultura do mandonismo no futebol brasileiro e questiona protestos com escudo da CBF

Por: Breiller Pires, da PLACAR16/04/2015 às 17:14 - Atualizado em 16/04/2015 às 18:16

Cartolas e seus mandatos intermináveis à frente de clubes e federações. Desmandos e monopólio de poder da Confederação Brasileira de Futebol. Censura e repressão nos estádios. Para Adriano Codato, doutor em ciência política, professor da Universidade Federal do Paraná e coordenador do Observatório de Elites Políticas e Sociais do Brasil, as medidas autoritárias do futebol remetem ao período da ditadura. No momento em que alguns brasileiros clamam por intervenção militar no governo, ele critica as tentativas de açoite à democracia por parte do movimento que ostenta a camisa da seleção como símbolo de suas reivindicações.

O fato de ter sido um dos braços de sustentação da ditadura militar no Brasil contribui para que o futebol continue nutrindo resquícios daquele período?

Não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito entre esses dois fenômenos. Os traços autoritários e, mais do que isso, arbitrários e despóticos presentes no futebol, seja na prática de juízes, seja na de dirigentes e técnicos, têm mais a ver com a cultura autoritária do país. Essa cultura a ditadura não inventou, mas aprofundou-a e a expandiu para além da política. No futebol nacional, há cultura do mandonismo: segundo o raciocínio das torcidas e de parte da crônica esportiva, o capitão deve mandar no time, o técnico no capitão (e, por extensão, em todo o time), o diretor de futebol no técnico e o presidente no diretor. Não é propriamente uma cadeia racional de comando, mas uma estrutura hierárquica, parodiando a estrutura militar (daí as metáforas “capitão”, “comandante”, etc.), que só se justifica em função dos caprichos daquele que pode mais nessa relação perversa. Com isso, quem se engana é a torcida, porque lhe contaram que ela é o patrão máximo do clube.

Um terço dos presidentes de federações está no poder há mais de 20 anos. A falta de alternância nas posições de comando do futebol interfere diretamente em medidas autoritárias, como a recente “lei da mordaça”, no Rio de Janeiro?

Esse é um efeito da cultura autoritária e da sua representação política no futebol, o mandão local. Pode ser o chefe de uma facção de torcida organizada, o dirigente sabe-tudo, o presidente do clube ou da Federação. Os dirigentes comportam-se como se estivessem administrando um negócio que lhes pertence, como uma fazenda. Isso ajuda a explicar comportamentos como os do “coronel Eurico Miranda”, do “coronel” Mario Celso Petraglia, do “coronel” Marin.

Na época da Democracia Corintiana e das Diretas Já, os estádios se tornaram espaços notórios de questionamento do regime, tanto nas arquibancadas como no campo. Hoje, nas novas arenas, torcedores têm sido impedidos de levar faixas de protesto contra clubes e federações. Acredita que houve o futebol, como um instrumento democrático, retrocedeu?

Como canal de vocalização de demandas democráticas, sim. Mas o futebol segue sendo uma arena, até mesmo nas novas “arenas”, em que toda sorte de recalque político se manifesta. E se manifesta da maneira menos politizada possível. Três exemplos: o racismo, a homofobia e a intolerância.

Manifestações de pessoas vestidas com camisas da seleção e bandeiras do Brasil, que pedem a volta da ditadura, se encaixam nesse contexto?

No Brasil, há um fenômeno sintomático e contraditório em curso. Ele pode ser visto nas passeatas que exigem a destituição da presidente eleita em 2014. A contradição mais óbvia é protestar contra a corrupção fantasiado com a camisa da seleção da CBF. Existe também um fenômeno que não se via desde os anos 1970: a identificação da seleção brasileira, das suas cores, da sua simbologia, com o Brasil. Como se o país se reduzisse a isso ou se essa fosse sua melhor expressão. Esse orgulho nacionalista surge, paradoxalmente, num momento em que não há muito do que se orgulhar em termos futebolísticos. Essa é a segunda contradição. Por fim, não deixam de ser sintomáticas as manifestações autoritárias contra as regras do jogo, contra a democracia. Amaldiçoar o comunismo, cantar a plenos pulmões o hino nacional, vestir a camisa da seleção e homenagear os militares são coisas que eu só havia visto no governo do general [Emílio Garrastazu] Médici.

Fonte: PLACAR
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22 de janeiro de 2015

diretores do Banco Central do Brasil nos governos Cardoso, Lula e Dilma

[Banco Central do Brasil
Corrimão em acrílico
Brasília - DF] 


Observatório de Elites Políticas e Sociais do Brasil

DOI: 10.13140/2.1.3804.1920
Newsletter. Observatório de elites
políticas e sociais do Brasil. NUSP/UFPR, v.2, n. 5, janeiro. p. 1-17. 2015. ISSN 2359-2826



Diretores do Banco Central do Brasil nos governos Cardoso, Lula e Dilma: uma radiografia dos seus backgrounds educacionais.

Adriano Codato (ufpr)
Marco Cavalieri (ufpr)


Resumo: O artigo analisa a trajetória acadêmica (graduação e pós-graduação) de 39 diretores do
Banco Central do Brasil que serviram nos governos Cardoso, Lula e Dilma entre 1995 e 2014.
Evidencia, a partir de dados compilados das biografias individuais, a influência da formação
ortodoxa em Economia sobre a maior parte desse grupo de elite. Essa constatação é mais notável
ainda quando se examina o subgrupo de 19 diretores detentores de diplomas de doutorado, 75%
obtidos nos Estados Unidos em departamentos do mainstream da área.


download aqui [researchgate.net]

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17 de janeiro de 2015

onde estão os trabalhadores nas listas de candidatos dos partidos brasileiros?

[South Chine 
Morning Post] 



Observatório de Elites Políticas e Sociais do Brasil

DOI: 10.13140/2.1.3558.6884
Newsletter. Observatório de elites políticas e sociais do Brasil. NUSP/UFPR, v. 2, n. 2, p.1-14

Onde estão os trabalhadores nas listas de candidatos dos partidos brasileiros?

Luiz Domingos Costa (ufpr/nusp)
Bruno Bolognesi (ufpr/nusp)
Adriano Codato (nusp/ufpr)


Resumo: O texto procura dimensionar a presença e a evolução do número de trabalhadores
manuais nas listas eleitorais dos partidos brasileiros nas eleições para deputado federal de 1998 a
2014. A constatação fundamental do trabalho é que o grosso de candidatos oriundos das
ocupações mais populares se deslocou do Partido dos Trabalhadores para os partidos pequenos e
para os partidos novos nas últimas eleições. Para tentar explicar isso, esboçamos duas hipóteses: a
proliferação de partidos contribui para estender as oportunidades de candidaturas até a base da
pirâmide social brasileira; e as mudanças no interior do PT parecem fazer com que o partido prefira
políticos cada vez mais profissionais nas disputas eleitorais proporcionais.

download aqui
ou aqui [Academia.edu]
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13 de janeiro de 2015

classificando ocupações prévias à entrada na política

[Masks Of Present 
Day Politicians
1948, Ralph Morse] 




Codato, A., Costa, L.D. & Massimo, L., 2014. Classificando ocupações prévias à entrada na política: uma discussão metodológica e um teste empírico. Opinião Pública, 20(3), pp.346–362.

O artigo propõe uma discussão metodológica sobre definição, classificação e mensuração de posições sociais de origem para o estudo do recrutamento de elites políticas. Para tanto, apresenta diferentes estratégias teórico-metodológicas para enquadrar a variável “ocupação prévia à carreira parlamentar” e sugere a pertinência de um critério mais analítico que sociográfico na codificação das profissões. Sustenta-se que o recrutamento político pode ser mais bem apreendido por meio de uma tipologia que leve em conta, na linha sugerida por Max Weber, variáveis econômicas e sociais (e não exclusivamente variáveis institucionais). No teste empírico desses critérios, foram utilizados dados sobre candidatos a deputado federal no Brasil em 2006 e 2010 para simular o rendimento de uma classificação alternativa. Essa classificação está baseada em três parâmetros: a flexibilidade da carreira profissional do candidato, o valor social dessa ocupação e sua afinidade com o mundo político. O resultado revelou que as clivagens de gênero podem ser reforçadas pelo tipo de atividade exercida, antes mesmo que filtros institucionais produzam seus efeitos.


baixar aqui
ou aqui [Academia.edu]

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2 de janeiro de 2015

candidatos policiais na política nacional

[Captain Renault
Casablanca's policeman] 





Candidatos policiais na política nacional: uma análise dos aspirantes a deputado federal
Fábia Berlatto
Adriano Codato


DOI: 10.13140/2.1.3654.4320
Newsletter. Observatório de elites políticas e sociais do Brasil. NUSP/UFPR, v. 1, n. 7, p.1-16.

Das eleições de 1998 até as de 2014, 972 integrantes das forças policiais e militares se candidataram a deputado federal no Brasil. O objetivo deste paper é investigar os perfis social, político e ideológico dos integrantes das forças repressivas do Estado que se lançaram na política institucional. Através de estatística descritiva, ressaltamos as especificidades desse grupo. Achados iniciais mostraram que se a passagem da polícia à política era feita, nos anos 90, através de grandes partidos de direita, atualmente ela se dá via pequenos partidos sem identidade ideológica muito clara (partidos “fisiológicos”).

Acesse em:
http://bit.ly/1xza32w

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29 de dezembro de 2014

parlamentares eleitos no Brasil em 2014 por partido político (deputados federais, estaduais, distritais e senadores)

[banco de dados do
Observatório de elites políticas e sociais
do Brasil http://observatory-elites.org/]




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27 de dezembro de 2014

dossiê “Elites em diferentes escalas: teoria e metodologia no estudo dos grupos dirigentes”

[Margaret Thatcher as Lady Politician] 

Revista de Sociologia e Política

v. 22, n. 52 (2014)

Sumário







1678-9873 (versão online)

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8 de dezembro de 2014

a evolução da direita no parlamento brasileiro



Valor Econômico, 8.12.2014

"Depois de um período em que a Câmara vinha registrando, desde a chegada do PT ao poder federal, o aumento de parlamentares ligados à esquerda, a eleição de 2014 consolidou uma inflexão na tendência do perfil ideológico dos deputados federais".

Na esteira da disputa presidencial, a direita cresceu no Parlamento, de acordo com estudo do cientista político Adriano Codato, que coordena o Observatório de Elites Políticas e Sociais do Brasil (http://observatory-elites.org/), vinculado à UFPR.

Para Codato, um importante movimento em curso no país, e que se expressou nas urnas em outubro, é a popularização da direita. O trabalho do pesquisador já analisou o perfil geográfico e profissional de 7.261 deputados eleitos desde 1945 e mostra que a curva de parlamentares de direita vai se aproximando do último ápice dos conservadores no Congresso, em 1990, um ano depois da eleição de Fernando Collor de Mello.

Pela classificação de Codato, 222 candidatos de partidos de direita se elegeram em outubro, diante de 291 que pertencem a legendas consideradas de centro ou de esquerda. É o segundo aumento consecutivo desde 2006, quando a direita teve o pior desempenho em 18 eleições, divididas em três fases: democracia populista (1945-1962), ditadura militar (1966-1978) e democracia liberal (1982-2014).

O detalhe é que a recuperação da direita tem como característica novos partidos e novas faces, ressalta o cientista político. Em vez do arquétipo do "coronel", do grande proprietário de terras do Nordeste, o deputado de direita hoje, tipicamente, é identificado na figura do pastor evangélico do Sudeste, e nos comunicadores de rádio e TV.

E, em vez de pertencerem a grandes legendas, emergem de pequenas siglas, cuja estratégia bem-sucedida tem pulverizado o sistema partidário. Exemplos marcantes são os campeões de voto Marco Feliciano (PSC-SP) e Celso Russomanno (PRB-SP), sínteses do novo perfil: pastor e apresentador de TV, de um Estado do Sudeste e filiados a partidos de pequeno porte - os dois que mais cresceram nas últimas eleições da Câmara.

Graças a representantes como esses, mais próximos do cidadão, a direita ganha popularidade. O deputado conservador de cunho elitista - o grande fazendeiro ou o empresário - ainda existe, mas tem perdido terreno, argumenta Codato. "A queda espetacular do DEM produziu isso. Essa direita elitizada não é mais majoritária. Há uma popularização da direita", afirma o pesquisador.
Associada ao desgaste de 12 anos do governo de centro-esquerda do PT, a mudança no perfil da direita impulsiona um discurso antes recalcado ou dissimulado. O fenômeno da "direita envergonhada" - presente no Brasil nas últimas três décadas, desde o fim da ditadura militar - parece estar com os dias contados.

Entre os artistas, geralmente simpáticos à esquerda, pontua a militância do conhecido cantor pop João Luiz Woerdenbag Filho, o Lobão. Crítico da "doutrinação de esquerda" nas escolas, tornou-se figura fácil de manifestações antipetistas. Na última delas, na quarta-feira, esteve no Congresso, onde encontrou Feliciano e foi recebido por parlamentares do DEM, para protestar contra a votação do projeto que alterou a meta fiscal de 2014.

Pela primeira vez, reconhece Codato, um candidato a presidente da República - nanico, mas cujas declarações em debate tiveram ampla repercussão, como Levy Fidelix (PRTB) - se intitulou um representante da direita. Outro concorrente, o Pastor Everaldo (PSC), fez campanha a partir de um discurso conservador de manual: em defesa do Estado mínimo e dos valores da família cristã.
No rescaldo da polarização entre os maiores adversários, o PT e o PSDB, manifestantes saíram, e ainda têm saído, às ruas para pedir a volta da ditadura militar. "Vimos que existe a extrema direita assim como há a extrema esquerda do PSTU, embora, neste caso, ambos sejam minoritários. Se surgir um partido militar não terá número relevante de filiados", diz o pesquisador.

Mesmo o PSDB, o antagonista do PT que costuma ser classificado pela maioria dos estudiosos como uma legenda de centro, também moveu-se para a direita, com a candidatura do senador mineiro Aécio Neves. "Houve mudança do discurso. A bandeira clássica da social-democracia está, cada vez mais, com o PT. Para se contrapor à esquerda, foi a primeira eleição em que o partido tentou recuperar o legado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e valores da economia de mercado. Isso não aparecia com [José] Serra, em 2002 e 2010, nem com [Geraldo] Alckmin, em 2006", diz Codato.
Apesar disso, os tucanos continuam sendo considerados de centro. O estudo classifica como siglas de direita o DEM, PP, PR, PSC, PTB e o novato PSD, fundado em 2011 pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que camaleonicamente afirmou que a legenda não seria nem de direita, nem de centro, nem de esquerda, por ter um "programa a favor do Brasil". "É de direita", enquadra o cientista político.

O critério para definir o posicionamento ideológico dos partidos são trabalhos que utilizam diferentes metodologias, seja a autoclassificação - como as pesquisas com parlamentares do Congresso Nacional, aplicadas desde 1990 pelo cientista político Timothy Power, da Universidade de Oxford -, seja a análise da propaganda eleitoral ou dos programas partidários, como a realizada pelos pesquisadores Gabriela Tarouco (UFPE) e Rafael Madeira (PUCRS).

O comportamento legislativo - como votam os parlamentares no Congresso - tem menos peso, já que a lógica predominante e que contrapõe governo e oposição nem sempre permite uma distinção mais acurada da ideologia. Na ampla coalizão que vota com a administração liderada pelo PT, há partidos de direita, como o PP, e na oposição consta o PSOL, de esquerda.

Na República de 1946, cita o professor, legendas como o Partido Democrata Cristão (PDC) e o Partido Social Progressista (PSP), fundado por Ademar de Barros, costumavam votar a favor de pautas progressistas, como a legislação trabalhista de Getulio Vargas, embora fossem de direita.
No atual sistema partidário, siglas com programas vagos e ideologia pouco clara são classificadas como fisiológicas. É o caso de PEN, PHS, Pros, PTdoB, e PTN. Junto com as pequenas siglas consideradas de direita - PRB, PMN, PRP, PRTB, PSDC, PSL e PTC - elas formas o campo conservador em ascensão.

Do outro lado, para efeitos de análise, estão o centro - onde figuram PMDB, PSDB, PPS, PV e SD - e a esquerda, representada por PT, PSB, PDT, PCdoB e PSOL.
Na comparação histórica, há ainda o caso à parte do MDB. Codato argumenta que o Movimento Democrático Brasileiro, antecessor do atual PMDB, reunia políticos ideologicamente muito diferentes, ainda que a bandeira principal fosse a oposição à ditadura. Por isso, no banco de dados do observatório, os deputados de direita (o que inclui também os fisiológicos) são contrapostos à categoria "outros", que engloba os de centro, esquerda e o MDB."
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27 de novembro de 2014

candidatos a deputado federal das polícias no Brasil e seus partidos


[banco de dados do
Observatório de elites políticas e sociais
do Brasil http://observatory-elites.org/]

Gráfico. Candidatos a deputados federal no Brasil oriundos das polícias por tipo de partido político, 1998-2014




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22 de novembro de 2014

candidatos a deputado federal no Brasil: % de trabalhadores por partido, 1998-2014


[banco de dados do
Observatório de elites políticas e sociais
do Brasil http://observatory-elites.org/]



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10 de novembro de 2014

a nova/velha direita brasileira

[Jânio Quadros.
Campanha presidencial.
Brasil, 1960.
fotógrafo não identificado] 

A DIREITA QUE NÃO TEM MAIS VERGONHA

Revista Fórum Semanal, n. 172
Eleições de 2014 consolidaram a figura do direitista que se assume como tal, mas posições extremadas buscam trazer à tona fantasmas de um passado sombrio e não contribuem para um debate democrático sadio.
Por Glauco Faria e Maíra Streit
Socialites e executivos engravatados caminham lado a lado em manifestações pedindo o impeachment da presidenta. Internautas exaltados vociferam insultos preconceituosos contra nordestinos nas redes sociais. Jovens que nunca viveram o período da repressão exigem do Exército um golpe militar, a exemplo do que ocorreu em 1964, quando teve início uma das páginas mais sangrentas da nossa história.
Não há mais dúvidas. Parte da direita perdeu a vergonha de defender seus ideais e agora luta para consolidar, no país, um projeto político dos mais reacionários. De acordo com dados do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a formação do Congresso Nacional eleita em 2014 é a mais conservadora dos últimos 50 anos. O aumento no número de militares, religiosos e ruralistas na Câmara e no Senado seria um reflexo desse novo cenário. Pautas como aborto, descriminalização das drogas e casamento homoafetivo, tão debatidas durante as eleições, dificilmente deverão ser abordadas de forma mais séria e contundente pelos parlamentares.
Na prática, o que pode ser considerado como “onda conservadora” é algo que vem sendo promovido há tempos. Em 2012, Fórum publicou uma matéria em sua edição impressa de outubro chamando a atenção para o fato de que existia àquela altura uma proliferação de medidas proibitivas. Estas eram usadas como arma político-eleitoral de setores conservadores, agradando uma parcela significativa da sociedade brasileira. As medidas eram fartas e variadas, envolvendo desde um projeto no Senado que pretendia tornar crime produzir e distribuir jogos de videogames ofensivos “aos costumes e às tradições dos povos, aos seus cultos, credos, religiões e símbolos”, passando pela censura às manifestações contra a CBF da parte de torcidas em estádios de futebol e chegando a casos inusitados como a proposta de um vereador de Vila Velha (ES) para proibir que noivas da cidade se casassem sem roupas íntimas por baixo do vestido.
O sociólogo Rudá Ricci destacava, na ocasião, que a ressonância de tal conservadorismo poderia estar associada à emergência de uma nova classe C. “Esse pessoal, que representa 53% da população brasileira, tem medo de voltar à pobreza, são consumidores vorazes e não gostam de nada que afete a ordem. São muito conservadores, fechados na família, porque a família sempre esteve com eles. Eles não confiam em nada do que é público e são extremamente pragmáticos”, apontava, ressaltando ainda a correlação entre um certo tipo de comportamento com as eleições de 2012. “Ou seja, uma foto, um dado dessa hipótese é justamente o discurso dos candidatos favoritos este ano nas eleições municipais. Quem falou de mazelas e mudanças não consegue ganhar a eleição. Quem fala em sucesso e defesa do direito do consumidor está sempre na frente, porque essa parcela da população quer o sucesso individual e familiar. São contra o aborto, contra a diferença”, avaliou.
No ano seguinte, o Brasil viveu as grandes manifestações de junho de 2013, apontadas por especialistas como o estopim para a organização de um grupo de insatisfeitos que são “contra tudo isso que está aí”, mas que nem sempre possuem o discernimento necessário para compreender o atual contexto político do país. Sem bandeiras definidas, mas pedindo mudanças de forma genérica, a contradição das mobilizações acabou por eleger representantes até mais conservadores do que os que existiam até então.
Durante a disputa presidencial, grupos de direita, antes restritos aos meios virtuais, passaram à condição de personagens por vezes centrais do processo eleitoral ao priorizarem o combate ao PT com base em um discurso que atribuía à legenda e ao governo Dilma rótulos da época da Guerra Fria como “comunistas” e alguns mais modernos mais igualmente inadequados, como “bolivarianos”. A verborragia discriminatória tomou proporções inimagináveis. A insatisfação virou rancor e o rancor, rapidamente, deu lugar ao ódio. Casos de constrangimento em função de preferência política e mesmo de violência verbal e até física tornaram-se comuns, tingindo a disputa presidencial com uma agressividade vista em poucas ocasiões.
O professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), Breno Cypriano, afirma que os debates foram bem menos propositivos do que deveriam pois a oposição parecia pouco aberta ao diálogo e mais preocupada em desqualificar seus oponentes. “A postura de partidos de direita, e o PSDB liderou todo esse bloco, serve-nos como exemplo para se entender como a busca desenfreada e inconsequente por um sistema político e econômico liberal gera na sociedade a valorização do conflito e, por conseguinte, a busca pela eliminação do adversário”, ressaltou.
“O PSDB, como todo partido que concorre a votos eleitorais, não pode, numa disputa, se dar ao luxo de escolher eleitores, separá-los entre votos bons e votos maus. O que ocorreu é que, assim como em 2010 com Serra, o PSDB aceitou o papel de porta-voz da extrema-direita brasileira. Suas lideranças políticas ou intelectuais (Fernando Henrique, José Serra, José Arthur Giannotti) não foram aos jornais reprovar o discurso alucinado dessa direita alucinada contra o governo. Tratou-se, a meu ver, de cálculo eleitoral”, avalia Adriano Codato, doutor em Ciência Política pela Unicamp e professor de Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Se o PSDB irá aceitar esse papel de agora em diante, a ver. De toda forma, parece ter havido uma diluição da marca partidária, que de ‘social-democrata’ corre o risco de ser identificado, pelas esquerdas, como ‘social-fascista’.”
De fato, na disputa de 2014 os tucanos abraçaram, até mesmo oficialmente, parte de um discurso de direita radical para atrair o apoio e o voto de um segmento do eleitorado que rejeita o petismo o associando ao “comunismo” ou a um “projeto internacional” de esquerdas. Em mais de um debate no segundo turno e mesmo no primeiro, Aécio Neves atribuiu a países vizinhos, que seriam “produtores de drogas” a culpa pelos altos índices de criminalidade no Brasil, alusão à política externa dos governos recentes que reforçaram a relação Sul-Sul. Também trouxe em mais de uma ocasião os investimentos do BNDES no Porto de Mariel, em Cuba, tema recorrente em páginas de extrema direita nas redes sociais desde muito antes das eleições. Sua campanha chegou a inventar um personagem, o “Godzilla cubano”, para ilustrar em um vídeo a proximidade do governo Dilma com o país caribenho.
Para Cypriano, a reação exagerada da direita deve-se ao receio de ter seus privilégios ameaçados, já que a elite era vista historicamente como prioridade pelo governo e, com as políticas sociais implementadas pela gestão petista nos últimos doze anos, isso mudou. “Manter privilégios é manter-se diferente ou melhor/superior ao outro. O medo dessa direita é que o outro, que antes não tinha acesso a quase nenhum recurso, possa ser igual, possa usufruir os mesmos benefícios que eles sempre tiveram”, explica.
Na opinião do especialista, o desenvolvimento desigual no Brasil – percebido principalmente pela concentração de renda nas regiões Sul e Sudeste – e o endosso dos grandes veículos de comunicação a um discurso mais conservador, apoiados pelo capital privado, seriam alguns dos fatores que explicariam o fortalecimento de movimentos da direita no país.
Nesse aspecto, tomando-se uma declaração dada pela presidenta da Associação Nacional de Jornais (ANJ) em 2010, Judith Brito, de que cabia à imprensa fazer “de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada”, alguns dos líderes opositores atuais são colunistas e publicações que deram guarida a essa direita com suas considerações ofensivas e basicamente anti-petistas. Um deles se notabilizou por chamar o ex-presidente Lula de “apedeuta”; outro escreveu um livro cujo título se referia ao petista como “minha anta”, e um terceiro fez um concurso virtual de ofensas a Lula. Com espaço na mídia, inclusive televisiva, estes e outros jornalistas se tornaram uma triste referência para uma direita raivosa que foi às ruas. Também não é à toa que na última manifestação a favor de Aécio Neves em São Paulo, no sábado anterior à eleição, o material que mais se via entre os manifestantes era a capa da revista Veja, cuja distribuição como propaganda havia sido proibida pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Os partidos de esquerda vitimizam os marginais”
Embora tenhamos oficialmente 32 partidos políticos no Brasil e grande parte deles apresente as palavras “social” e “democrata” no nome, o que se vê é que há, hoje, muitos discursos moralizantes e retrógrados travestidos de progressistas. E, como se não bastassem, ainda aparecem outros com o objetivo de conturbar, de forma declarada, a já difícil luta pela igualdade de direitos, atacando minorias e atribuindo as suas reivindicações uma busca por “privilégios”. Além disso, é possível identificar outras questões em comum entre os gritos difusos daqueles que estão nas redes e também nas ruas.
“Há coisas novas e coisas velhas. Mas mais velhas que novas. O que une as várias gerações de direita no Brasil são, a meu ver, quatro temas: o racismo de classe, o fanatismo golpista, o anticomunismo primitivo e a bandeira da (anti)corrupção. Tudo isso estava na UDN, no PDS, no PFL. E agora é amplificado pelos seus novos porta-vozes: os colunistas, apresentadores, humoristas, “intelectuais” que frequentam os jornalões e são replicados incessantemente nas redes sociais”, sustenta Adriano Codato. “Uma nova agenda pode surgir daí que é o combate mais histérico aos novos direitos individuais, aos direitos de minorias, a questões comportamentais. Essa direita é infinita.”
Um dos políticos que têm orgulho de se dizer de direita e que representa parte das bandeiras defendidas por manifestantes direitistas é o Capitão Augusto Rosa (PR/SP). Com cerca de 47 mil votos, ele só foi eleito deputado federal por São Paulo no último pleito graças a Tiririca (PR), que, com seus 1,3 milhão de votos, conseguiu puxar outros dois deputados por causa do coeficiente eleitoral. Antes de passar para o Partido da República, Rosa tentou colher o máximo possível de assinaturas para a fundação do Partido Militar Brasileiro (PMB). Mesmo não tendo conseguido o número exigido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele segue firme na defesa dessa que considera uma legenda que pode oferecer, de fato, um contraponto para a política vigente.
Entre as propostas defendidas pela nova sigla, estão a redução da maioridade penal, a liberação do porte de armas para os chamados “cidadãos de bem” e a instituição da prisão perpétua. Os integrantes do partido ainda afirmam serem contrários ao casamento homoafetivo, à adoção de crianças por casais do mesmo sexo e se opõem à Comissão Nacional da Verdade, instituída para investigar os crimes da ditadura. Pelo contrário, eles exigem o pagamento de indenização para militares “perseguidos” durante o período.
Na área de segurança pública, a promessa é de intensificar a força policial. “Os partidos de esquerda vitimizam os marginais, pois acham que eles são vítimas de uma sociedade capitalista, e farão de tudo para tentar recuperá-los, custe o que custar, nem que para isso arrisquem a vida e a tranquilidade de milhares de brasileiros”, acredita.
As consequências da tal “polarização” presente na configuração política do país há alguns anos e que se intensificou agora não é vista necessariamente como um problema. Para Breno Cypriano, porém, o Partido dos Trabalhadores deve estar preparado para continuar enfrentando uma forte reação de parte da sociedade. “Os projetos políticos do PT terão que enfrentar, uma vez mais, uma onda conservadora que, assentada em privilégios, visa à permanência da política como ela está: coronelista, patriarcal, machista, homofóbica e racista. Muitos que estão no poder querem permanecer nesse poder”, destaca. Segundo ele, a reforma política é um dos temas que deve resvalar nos interesses desse segmento, gerando uma resistência que pode complicar o andamento das mudanças propostas pela presidenta Dilma Rousseff.
“Desde que continuem ‘falando’ em golpe, conclamando os militares, pedindo o impedimento da presidente Dilma, balançando a bandeira do bolivarianismo etc. e que isso não encontre nenhuma repercussão no mundo político-institucional, ok. Teremos o nosso ‘Tea Party’, secundado pelas grandes empresas de comunicação, suas revistas, seus comentaristas e seus especialistas. Se isso passar à ação, aí não será positivo, de modo algum”, argumenta Adriano Codato. Resta saber o quanto a oposição encampará ou não o discurso extremado.

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