artigo recomendado


Franz, Walter F. Nique. (2016). Aderentes e militantes: a participação político-partidária na era do Partido Cartel. Revista de Sociologia e Política, 24(60), 91-113. https://dx.doi.org/10.1590/1678-987316246004.
O artigo analisa o estado da arte da literatura sobre as transformações nas formas de participação político-partidária produzida nas últimas décadas. Dois objetivos principais guiam nossa argumentação: (i) fornecer um panorama de referência que possa contribuir ao desenvolvimento de pesquisas sobre esta temática e (ii) atenuar a segmentação que caracteriza as distintas correntes analíticas. Revisando trabalhos publicados em revistas e livros anglo-saxões e franceses, comparamos suas problemáticas, as questões teóricas subjacentes, bem como os métodos de administração da prova utilizados. Destarte, identificamos a estruturação de dois campos de produção politológica que se comunicam pouco. De um lado, uma tradição “Political Science”, mainstream, cujos estudos privilegiam uma abordagem sistêmica e comparada, apoiando-se em uma demonstração fundamentalmente estatística. De outro lado, uma tradição “Sociologie Politique” desenvolvida na França e cuja perspectiva de análise é internacionalmente pouco conhecida. Influenciadas pelo paradigma interacionista, suas pesquisas empregam o método sócio-etnográfico e redirecionam o foco de análise aos níveis meso e micro social. Fazendo um balanço crítico das principais contribuições de ambas as vertentes, apontamos algumas tendências atuais observadas pelos especialistas. Insistimos, particularmente, no potencial heurístico oferecido pelo enfoque da Sociologia Política para agregar novos elementos para a compreensão deste fenômeno.
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2 de novembro de 2018

as elites parlamentares brasileiras: ensaio bibliográfico

[Há 17 anos, funcionário faz desenhos no carpete do Plenário do Senado Federal. 21  set. 2015


paper
Costa, Luiz Domingos; Codato, Adriano.

Reconversão, popularização e ambição: três conceitos sobre as elites parlamentares brasileiras.

In: Anais do 11° Encontro da ABCP. Curitiba: ABCP, 2018.



Resumo
A pesquisa acadêmica sobre parlamentares brasileiros conheceu a sua maior expansão no período que se segue à redemocratização do país, especialmente a partir dos anos 1990. O boom de publicações sobre os legisladores nacionais não resultou da supremacia de um paradigma dominante (como em estudos legislativos), nem constituiu uma escola de pensamento hegemônica. Trata-se, ao invés, de pesquisas produzidas a partir de três abordagens distintas e concorrentes entre si: a perspectiva da Ciência Política, a da Sociologia Política e a da Sociologia da Política. O paper faz um inventário da maior parte da literatura sobre o recrutamento político no Brasil classificando a produção bibliográfica sob essas abordagens. Sustenta-se que os estudos recenseados são bastante heterogêneos, seja em função dos enfoques teóricos, seja em função das fontes e materiais mobilizados, seja, ainda, em função das estratégias metodológicas adotadas. Isso forma três perspectivas analíticas com nenhum diálogo entre si, o que impede a cumulatividade dos achados e um maior avanço na compreensão do papel dos atributos políticos e sociais dos parlamentares brasileiros para explicar o processo de recrutamento.



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http://bit.ly/2yhFh5n
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http://bit.ly/2Dk3PfG
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 .

sociologia política dos políticos brasileiros

["lobby do batom". Assembléia Constituinte 1988. Foto: Fernando Bizerra/Arquivo BG Press] 

capítulo
Bolognesi, Bruno; Codato, Adriano.

Sociologia política dos políticos do Brasil: um estudo da competição eleitoral sob o regime da Constituição de 88.

In: Buarque de Hollanda, Cristina; Veiga, Luciana Fernandes; Amaral, Oswaldo E.. (orgs.). A Constituição de 88: trinta anos depois. Curitiba: Ed. UFPR, 2018, v. , p. 357-388.




Resumo
O objetivo deste ensaio é investigar as transformações no perfil social da classe política brasileira sob um regime constitucional mais pluralista que o habitual. Analisamos as propriedades sociais e econômicas de todos os concorrentes para a Câmara dos Deputados entre 2002 e 2014, num total de 19.943 casos. O estudo da população de candidatos, e não apenas dos eleitos, dará uma ideia bem mais precisa e mais abrangente da demografia social da classe política brasileira, antes mesmo que variáveis institucionais, como as regras eleitorais, influenciem o processo de seleção política.


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http://bit.ly/2nitUS7
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a rotatividade da equipe econômica do brasil

[Fernando Henrique Cardoso na comemoração do 
primeiro ano do Plano Real. 
Foto: Lula Marques/Folhapress] 


capítulo
Codato, A.; Perissinotto, Renato; Dantas, Eric Gil
Franz, Paulo; Nunes, Wellington. 

A instabilidade da “equipe econômica” do governo brasileiro.

In R. Pires, G. Lotta, & V. E. de Oliveira, eds. Burocracia e políticas públicas no Brasil: interseções analíticas. Brasília: IPEA/Enap, 2018 pp. 299–325.




Resumo
Este estudo procura oferecer uma base empírica para estimar a instabilidade dos mandatos dos ministros da área econômica e do presidente do Banco Central do Brasil nas últimas seis décadas por meio da duração de seus mandatos. Com base nos dados compilados e discutidos aqui, pode-se estudar, mais adiante, se e como a variação nos tempos de mandatos dos ministros de Estado poderia afetar o processo decisório dos ministérios.


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 .

estabilidade e instabilidade ministerial no brasil

[Ministério da Defesa. Marinha do Brasil. Brasília - DF
https://fotos.habitissimo.com.br


capítulo
Franz, P. & Codato, Adriano.

Estabilidad e inestabilidad ministerial en el presidencialismo brasileño.

In: Codato, Adriano; Espinoza, Fran. (Org.). Élites en las Américas: diferentes perspectivas. 1ed.Curitiba; Buenos Aires: Editora UFPR; Edicones UNGS, 2018, p. 319-345.


Resumo
El presente capítulo estudia el reclutamiento ministerial en Brasil durante casi veinte años de presidencialismo: desde el inicio del primer gobierno de Fernando Henrique Cardoso (1995) hasta el fin del primer gobierno de Dilma Rousseff (2014). Nuestro foco de análisis está dado por los efectos que los atributos políticos de los ministros (experiencia en cargos electivos, partidarios y de alta jerarquía en gobiernos estatales y municipales) presentan sobre la tasa de estabilidad de los gabinetes ministeriales entre 1995 y 2014. Para ello, tomamos como variable dependiente el tiempo de permanencia de los ministros al frente de sus respectivas carteras, utilizando como factores explicativos la experiencia política previa — en el Ejecutivo y en el Legislativo — , la práctica en la administración pública y la vida partidaria.


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http://bit.ly/2JC3FAy
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http://bit.ly/2JzR3tM
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 .

ministros-técnicos e ministros-políticos

[Michel Temer realiza primeira reunião ministerial de seu governo (Ueslei Marcelino/Reuters) Veja] 


artigo
Codato, A. & Franz, P., 2018.

Technical-ministers and political-ministers during the PSDB and PT presidencies.

Revista de Administração Pública, 52(5), pp.776–796.

  • DOI: 
  • 10.1590/0034-7612174301




Abstract
Studies on ministerial recruitment have identified the presence of professional politicians as well as technicians within the Brazilian ministerial cabinet. However, career analyses are restricted to technicians, while studies on political ministers have largely focused on party recruitment criteria. The objective of this article is twofold: to empirically demonstrate the differences and similarities between the careers of political and non-political ministers "technicians" during PSDB and PT presidential administrations between 1995 and 2014; and to explore the main aspects regarding the professionalization of politician ministers based on their experiences in elective and high-ranking positions in county and municipal administrations. The results indicate that both politicians and non-politicians have extensive professional experience, including administrative experience, although non-politicians have greater affinity with the ministerial area for which they were appointed as do ministers affiliated with the president's party when compared to politicians of the allied base. Notwithstanding these nuances, no significant differences were found between PSDB and PT administrations regarding the expertise of their ministers.


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profissão, sexo e dinheiro

[manifestação pelo voto feminino
Londres, início do século XX
https://www.the-unedit.com] 


artigo:
Carlomagno, M. & Codato, A., 2018.

Profissão, sexo e dinheiro: mensuração da acumulação de desigualdades na competição eleitoral brasileira.

Colombia Internacional, (95), pp.79–107.

DOI 10.7440/colombiaint95.2018.04



Abstract
This article is based on Robert Dahl´s argument that inequalities among different social groups in polyarchies tend to be non-cumulative. We investigate the question of whether this hypothesis applies to candidates for the post of State congressman in Brazil. The corpus of the study consists of 38, 278 candidates in 27 federal government units between 2002 and 2004, which covers four elections. As a dependent variable, we examine the amounts of campaign funds that were raised, and, as an explanatory variable, show that two social divisions were at work: the profession or occupation of the candidates, categorized by a model of willingness to enter politics, and the sex of the candidates. Average difference tests and a regression model show that social position (profession) is the biggest predictor of the political campaign recipe. However, between 2002 and 2010, those inequalities became more pronounced.


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http://bit.ly/2Jz2x0w
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13 de dezembro de 2017

periódicos de ciência política do Brasil

[grafo do Gephi para os seis 
principais periódicos de 
Ciência Política do Brasil: 
549 artigos (2013-2016)]



Mesas separadas? 

Uma análise das citações concedidas e recebidas dos periódicos de Ciência Política no Brasil


Adriano Codato
Rodrigo Horochovski
Neilor Camargo
Lucas Massimo


No grafo, os artigos estão agregados em nós únicos que representam os periódicos em que foram publicados, os quais se conectam aos autores referenciados nos artigos.
O Cálculo de modularidade (resolução 1.0) resultou em seis comunidades. A distribuição (layout) do grafo representa esta divisão. Cada uma das revistas analisadas ficou em uma das comunidades identificadas pelo software. Como resultado, pode-se conjecturar que cada revista nucleia uma comunidade de autores/temas.


Conference: 41o. Encontro Anual da Anpocs October 2017
DOI: 10.13140/RG.2.2.28170.36801



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posições sociais e recrutamento político: um debate metodológico e um modelo novo

[senador Romero Juca (PMDB-RR) 
em sessão ordinária no Congresso 
(foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)


article:
Social positions and political recruitment: A study of Brazilian senators

Adriano Codato, Lucas Massimo e Luiz Domingos Costa

Tempo Social 29(3):111-135 November 2017

DOI10.11606/0103-2070.ts.2017.125879



Abstract

This article discusses the methodology for the definition, classification, and measurement of social positions of the parliamentary political elite. We present some theoretical and methodological strategies for classifying the variable “occupation held prior to political career”, and suggest the use of more than one indicator for this measurement. We argue that a typology of both social and political characteristics of parliament members is the best way to grasp the transformations on the patterns of political recruitment throughout the 20th century. The first model we tested classified Brazilian senators elected between 1918 and 2010 among occupations conventionally used in studies on political elites. The second applied model seeks to change the coding of occupations so as to grasp this group’s sociopolitical transformations over time. We conclude with a new classification suggestion, which results from a typology sensitive to the varying values ascribed to professional occupations throughout history.



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26 de novembro de 2017

a coautoria na Ciência Política brasileira

[Swiss Gymnastics
Date taken: April 1938
Photographer: Hansel Mieth]



A colaboração na Ciência Política brasileira: um estudo exploratório do padrão de coautorias em periódicos nacionais

Adriano Codato, Rodrigo Horochovski, Neilor Camargo, Lucas Massimo
Universidade Federal do Paraná (Brasil)

9 º Congreso ALACIP
Panel Grupo Historia de la Ciencia Política
26-28 de Julio de 2017, Montevideo



À primeira vista, tem crescido o número de coautorias em artigos na Ciência Política brasileira publicados nos principais periódicos da área.
Esta pesquisa explora dados sistemáticos da base SciELO Analytics Brasil para determinar a magnitude desse fenômeno.
Hipótese: quanto mais a Ciência Política brasileira se aproxima de um padrão de ciência "normal", mais cresce a coautoria; esse fenômeno está ligado ao aumento quantitativo de cursos e de alunos na pós-graduação; ele é muito maior do que na Sociologia e na Antropologia, e mais ainda do que nas outras carreiras de Humanidades (História, Filosofia, etc.).



LaCC - Laboratório de Análise do Campo Científico (UFPR, Brasil)



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14 de janeiro de 2017

resenha: retratos da classe política brasileira (2)

[Deputado Heráclito Fortes
PSB/PI]




Bruno Fernando da Silva, Da seleção de candidatos ao recrutamento político no Brasil (1986-2014). Política & Sociedade, vol. 15, n. 32, 2016.



Resenha de CODATO, Adriano; COSTA, Luiz Domingos; MASSIMO, Lucas (Eds.). Retratos da classe política brasileira. Estudo de Ciência Política. Saarbrücken: Novas Edições Acadêmicas, 2015. 333 p.

Retratos da classe política brasileira é uma coletânea de artigos de Ciência Política que reúne trabalhos que contemplam desde a seleção de candidatos e as motivações para o ingresso na política até o recrutamento político e os determinantes do sucesso eleitoral. A obra, dividida em dez capítulos, fornece uma grande contribuição para o campo de estudo de elites políticas, enfatizando, sobretudo, a importância de variáveis políticas e sociais para compreender fenômenos políticos. Além disso, os trabalhos contidos no livro promovem um intenso debate com estudos nacionais e internacionais da área, trazendo importantes reflexões teóricas e metodológicas para se tentar compreender os processos em andamento na política nacional. O livro, portanto, partilha do mesmo interesse recente
demonstrado por pesquisas como de Rodrigues (2002 e 2006), Marenco dos Santos e Serna (2007), Perissinotto et al (2007), Braga (2008), Perissinotto e Miríade (2009), Coradini (2012), Marenco dos Santos (2013) e outros tantos. Para esses autores, a classe política brasileira é um fenômeno relevante a ser explicado e, para isso, deve-se investigar desde aspectos sociais de candidatos e eleitosaté a importância de variáveis demográficas, partidárias e ideológicas.

[continua...]

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resenha: retratos da classe política brasileira (1)

[Detectores de Altura nº 11, 2000
processo cromógeno
80,0 x 125,0 cm (80,0 x 125,0 cm)
montagem
© Marcelo Zocchio]


ARAUJO, Paulo Magalhães. Rev. Bras. Ciênc. Polít.,  Brasília ,  n. 19, p. 317-330,  Apr.  2016.


Resenha de Codato, Adriano; Costa, Luiz Domingos; Massimo, Lucas. Retratos da classe política no Brasil: estudos de ciência política. Saarbrücken: Novas Edições Acadêmicas, 2015.

A separação entre governantes e governados nos sistemas políticos modernos evoca o recrutamento político e a formação de elites como centrais na discussão sobre a democracia. Tipicamente, estudos sobre recrutamento político permitem rastrear a trajetória dos representantes desde suas origens sociais, passando por processos de diferenciação que as "descolam" de tais origens, até sua entrada nas arenas de poder (Czudnowski, 1975). Já os estudos sobre elites, em termos estritos, visam entender as configurações sociopolíticas desse segmento social, sua distribuição nas arenas de poder, bem como suas atitudes, opiniões e tendências comportamentais (Anastasia et al., 2010). Sem dúvida, as elites políticas eletivas são privilegiadas nessas duas vertentes de estudos. É inegável a importância dessas pesquisas para o entendimento das dinâmicas referentes à composição e aos potenciais da representação democrática (Anastasia et al., 2010).

Este é logicamente um campo complexo de pesquisa. Novato ou experiente, um pesquisador brasileiro que resolva investir em estudos na área deve dedicar muito esforço para localizar a dispersa - embora crescente - produção bibliográfica e organizá-la a partir de seus recortes temáticos, perspectivas teóricas, estratégias analíticas, metodologias... Um dos méritos do livro Retratos da classe política no Brasil é, precisamente, oferecer ao leitor um portfólio das pesquisas na área, mobilizando uma literatura ampla e atual para avaliar a origem, a formação e o perfil da elite política brasileira - e dos segmentos sociais que buscam integrá-la.

A coletânea foi lançada como e-book e reúne trabalhos já publicados ao longo dos últimos três anos, na forma de artigos ou capítulos de livros, por um grupo de pesquisadores que compartilham o interesse pelo tema. Embora variem em termos dos objetivos específicos, do tipo de dados mobilizados e dos métodos e técnicas de análise, os textos que compõem a obra refletem um esforço coletivo de pesquisa que busca integrar dimensões referentes à estrutura socioeconômica, à cultura, às instituições formais e aos elementos subjetivos que orientam as ações políticas. A tipologia adotada varia levemente de um capítulo a outro conforme o foco do estudo, mas a tripartição das dimensões em socioestrutural, político-institucional e atitudinal - proposta por Bruno Bolognesi e Pedro Medeiros - encampa o esforço geral da obra de identificar e integrar os fatores explicativos dos fenômenos em análise.

[continua...]

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[html]

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29 de dezembro de 2016

medindo o conservadorismo dos brasileiros

[Série Sumaré, 1998
vidro sobre vidro
160,0 x 110,0 cm (175,0 x 125,0 cm)
montagem © Alex Flemming.
Pirelli MASP]

Entrevista ao NexoJornal

Como é medido o conservadorismo do eleitor e quais os limites dessas projeções
* Bruno Lupion 28 Dez 2016 (atualizado 28/Dez 15h26)

http://bit.ly/2hzdKne

Pesquisa Ibope identificou expansão da parcela mais conservadora no Brasil. Há diversas formas de classificar as preferências de uma pessoa em um mapa ideológico, mas definições suscitam críticas.

O Nexo perguntou a dois professores se a classificação dos eleitores entre conservador, liberal, esquerda e direita é adequada para explicar as diferentes inclinações políticas em uma sociedade:

É possível dividir as pessoas em esquerda, direita, liberal e conservador para tentar explicar a sociedade hoje em dia?

ADRIANO CODATO : Sim, todo os comportamentos sociais são passíveis de mensuração e classificação. Como a gente não deve assumir que cada indivíduo é absolutamente único, e que os comportamentos são socialmente condicionados, é possível achar padrões e tendências em atitudes, valores e interesses.
Porém, há boas medidas e más medidas. Simplesmente perguntar se a pessoa é de esquerda ou de direita é ruim, porque supõe que o entrevistado tenha os conceitos de esquerda e direita como os da filosofia política. E as pessoas não necessariamente têm esse entendimento.
É preciso tomar uma série de atalhos para medir esses comportamentos. Um desenvolvimento interessante é o Political Compass, que tem mais de 30 questões. Quando há poucas questões e poucas alternativas para as respostas, você pode forçar posicionamentos e ninguém vai para a coluna do meio, que é onde ficam os que têm opiniões nuançadas, de centro.

ROBERTO ROMANO : Nunca foi possível fazer isso. Essa utilização de esquerda, direita, centro, abaixo é muito ligada a circunstâncias, são termos imprecisos. Foram universalizados indevidamente enunciados que serviram para movimentos políticos ao longo da história.
Há um linguista, Émile Benveniste (1902-1976), que se preocupou com a questão da continuidade do discurso. Todo discurso precisa de conectores, e ele chamou certas palavras de palavras-embreagens: você vem numa determinada realidade e, em algum momento, não há possibilidade de continuar a se expressar. Aí, assim como em um caminhão quando há troca de marcha, essas palavras-embreagem servem para manter um mínimo de coerência no discurso ao longo do tempo.
Mas, se você refina a análise, vê que elas não dão mais conta do que pretendem enunciar. É complicado dividir grupos e sociedades inteiras segundo essa terminologia de esquerda, direita, conservador. Se você pega a União Soviética, supostamente ela seria de esquerda, mas primou por práticas ligadas ao fordismo, uma forma de pensar produtiva e disciplinada, que tem pouco a ver com a história do pensamento atribuído à esquerda.

Como a população brasileira se movimenta em relação a esses enquadramentos?

ADRIANO CODATO : É possível identificar padrões. Você tem uma direita autoritária, no estilo do [deputado federal Jair] Bolsonaro (PSC-RJ). Há também uma esquerda autoritária, que são esses micropartidos de extrema esquerda que só existem dentro das universidades — um exemplo são os que invadiram o departamento de ciência política da Universidade Federal de Pernambuco. Uma figura pública da esquerda liberal seria o prefeito de São Paulo [Fernando Haddad], que é a favor da regulação estatal, como reduzir a velocidade das marginais, ao mesmo tempo em que criou políticas de apoio para que pessoas transgênero possam comprar apartamento. E há um direita libertária, que são os caras do MBL [Movimento Brasil Livre]. Embora seus métodos de ação política sejam agressivos, eles têm um discurso de que o Estado deve ficar de fora, inclusive da vida privada dos indivíduos.
O que chama a atenção no Brasil é que, nas últimas métricas do World Value Survey e do Latinobarômetro, não houve aumento do conservadorismo, mas um aumento das posições extremas quando se pergunta ao entrevistado se ele é de esquerda ou de direita. Quando você vê o gráfico comparando vários países do mundo, percebe que quase todos os respondentes tendem a ficar nas posições do meio, é quase um sino perfeito — sobe no meio e cai nas pontas. O Brasil é o único país onde as pontas passam de 12% do total. Mas a gente não sabe se as pessoas que responderam ao questionário sabiam o quem estava respondendo. Em todo caso, chama a atenção que essa pesquisa foi feita após uma eleição [de 2014] com muita polarização.

ROBERTO ROMANO : Entre esses termos, o mais conhecido é o conservadorismo. O que é conservadorismo? É um pensamento que surge depois das revoluções francesa, americana e inglesa, no sentido de negar a passagem da aplicação da ciência mecânica ao plano político. Os conservadores surgiram para quebrar a hegemonia do pensamento mecânico, que vê a realidade social como uma máquina, na qual é possível aperfeiçoar o Estado artificialmente e rumar para o progresso. Eles adotam uma forma de pensar orgânica, na qual a sociedade deve crescer segundo padrões dela mesma, sem interferências externas. Para que você classifique uma pessoa ou movimento como conservador, é necessário que ela tenha essa característica, de querer manter a ética, a arte e a religião de um determinado povo.
É muito difícil dizer que o povo brasileiro pensa dessa maneira. Além de conservador ser aplicado como uma palavra-embreagem, é difícil dizer que a massa média da população brasileira é conservadora. Muitos comportamentos chamados de conservadores são próprios de uma estrutura familiar patriarcal, como o machismo. Você pode encontrar um militante de esquerda com comportamentos extremamente patriarcais, por exemplo.


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