artigo recomendado


Franz, Walter F. Nique. (2016). Aderentes e militantes: a participação político-partidária na era do Partido Cartel. Revista de Sociologia e Política, 24(60), 91-113. https://dx.doi.org/10.1590/1678-987316246004.
O artigo analisa o estado da arte da literatura sobre as transformações nas formas de participação político-partidária produzida nas últimas décadas. Dois objetivos principais guiam nossa argumentação: (i) fornecer um panorama de referência que possa contribuir ao desenvolvimento de pesquisas sobre esta temática e (ii) atenuar a segmentação que caracteriza as distintas correntes analíticas. Revisando trabalhos publicados em revistas e livros anglo-saxões e franceses, comparamos suas problemáticas, as questões teóricas subjacentes, bem como os métodos de administração da prova utilizados. Destarte, identificamos a estruturação de dois campos de produção politológica que se comunicam pouco. De um lado, uma tradição “Political Science”, mainstream, cujos estudos privilegiam uma abordagem sistêmica e comparada, apoiando-se em uma demonstração fundamentalmente estatística. De outro lado, uma tradição “Sociologie Politique” desenvolvida na França e cuja perspectiva de análise é internacionalmente pouco conhecida. Influenciadas pelo paradigma interacionista, suas pesquisas empregam o método sócio-etnográfico e redirecionam o foco de análise aos níveis meso e micro social. Fazendo um balanço crítico das principais contribuições de ambas as vertentes, apontamos algumas tendências atuais observadas pelos especialistas. Insistimos, particularmente, no potencial heurístico oferecido pelo enfoque da Sociologia Política para agregar novos elementos para a compreensão deste fenômeno.
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22 de março de 2014

evento: os nomes das coisas: golpe de estado e ditadura militar

[General Newton Cruz montado em seu cavalo branco
Votação da emenda parlamentar das eleições diretas 
para presidente da República
Brasília, 1985] 


A propósito dos 50 anos de 1964

Adriano Codato (Ciência Política)
Paulo Reis (Artes Plásticas)
Marion Brepohl (História)
Paulo Vieira Neto (Filosofia)



Segunda, 31 de março
às 19:00
Reitoria UFPR
Nono andar, sala 914

Entrada grátis.
Promoção: Programa de Pós-Graduação em Ciência Política - UFPR
"Este é um país que vai pra frente!"
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19 de março de 2014

submissão de trabalhos ANPOCS 2014

[Athos Bulcão,
Palácio do Itamaraty, 1967. 
Foto: Tuca Reinés] 

GT13 - Elites e Espaços de Poder 
Coordenação: Ernesto Seidl (UFSC), Adriano Nervo Codato (UFPR)

Ementa: O objetivo deste Grupo de Trabalho é promover um debate em torno do tema dos grupos dirigentes e dos espaços de poder a partir da discussão de trabalhos com foco em diferentes grupos dominantes nas mais diversas esferas sociais: política, partidária, cultural, econômica, burocrática e estatal, científica, religiosa, profissional. Deverão ser contemplados enfoques teóricos variados e abordagens metodológicas diversas, com ênfase nos seguintes eixos: i) morfologia dos espaços sociais, princípios de hierarquização e mecanismos de recrutamento e seleção de grupos dirigentes; ii) transformações recentes no espaço do poder, conflitos entre elites e disputas pela afirmação e supremacia de novos grupos dirigentes; iii) reconversão de recursos, legitimação e estratégias de reprodução de elites; iv) linguagens específicas e estruturas e estratégias de consagração de grupos de elite, disputas discursivas, ações performativas, rituais, visões de mundo e estilos de vida; v) discussão do rendimento de abordagens teórico-metodológicas na área e revisão de fontes e estratégias para o estudo empírico de grupos dirigentes.

Estão abertas as inscrições para submissão de resumos de trabalhos para as temáticas aprovadas em GTs e SPGs.
Prazo máximo para submissão: 25/03/2014.Confira o Edital completo.
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16 de março de 2014

a vila das torres

[Marcelo Andrade,
Gazeta do Povo] 

Matéria publicada pela Gazeta do Povo (Curitiba) em 16 mar. 2014 sobre a violência dos pobres.

A reportagem pode ser lida neste link.

A entrevista completa de Fábia Berlatto, que foi enviada por e-mail ao jornalista, vai abaixo.

Perguntas do jornalista:
- Como a senhora vê a Vila das Torres? Perigosa, contraditória, acuada?
- Como entender uma comunidade tão violenta localizada tão perto do centro da capital do estado?
- Há uma origem para tamanha violência nessa localidade relativamente pequena?
- A geografia da Vila Torres, com um rio que se transformou em esgoto, contribui para que a sociedade a veja de forma estigmatizada?

Respostas:

Eu vejo a Vila das Torres como uma expressão da desigualdade econômica e social do Brasil. O perfil do seu território, das suas casas, das suas ruas, da quantidade e qualidade dos serviços públicos e equipamentos urbanos que existem – ou não existem – na Vila das Torres representa  a distribuição de direitos, de poder, de oportunidades no País.  A percepção que temos dos seus moradores, de que são perigosos, está em conformidade com a forma como vemos os pobres no Brasil. Não há nenhuma contradição nisso, esse é o padrão que criamos. Não há contradição também no fato de existir uma Vila das Torres em Curitiba, que é uma metrópole brasileira como outra qualquer.

A Vila das Torres gera tanta polêmica porque está numa região central. Se estivesse na periferia, longe dos nossos olhos, sequer teríamos conhecimento do seu nome. A não ser quando lembrados pelos meios de comunicação em casos de crimes violentos. Não existe nada mais eficiente em colar um estigma num lugar e em seus moradores do que isso.  Os conflitos gerados pelo tráfico de drogas ilícitas afeta profundamente a vida cotidiana dos seus moradores.

A Vila das Torres não está acuada. Existem aí associações de moradores, grupos religiosos, indivíduos bastante ativos em procurar os canais de comunicação com o poder público e com a sociedade em geral. A questão são as barreiras burocráticas, políticas e sociais que encontram para suas demandas. Eles lutaram muito para conseguir o que eles têm. O quebra-molas e o semáforo na Guabirotuba. Foram persistentes na tentativa de minimizar os impactos locais da construção do binário Chile-Guabirotuba. Depois, mais uma luta para que instalassem semáforo e passagem elevada para os pedestres no novo trecho da rua Chile. Agora precisam recuperar o acesso ao Jardim das Américas, interrompido pelas obras. Os estudantes precisam de segurança para chegar ao outro lado, onde está o colégio que frequentam. Há muita relutância porque as pessoas querem cruzar o mais rápido possível por ali. Tudo isso é instrumentalizado por interesses políticos. É uma luta constante para demonstrar que são trabalhadores, que também são ‘pessoas de bem’.

É obvio que o tráfico de drogas ilícitas não é exclusividade de bairros pobres como a Vila das Torres. A questão é que nestes espaços ocorre a sua territorialização. Ou seja, ali os grupos de traficantes passaram a ter que controlar militarmente os seus territórios. Fora da favela, as estratégias e possibilidades de venda de drogas ilícitas permitem dispensar a violência. É importante frisar que muitos estudos apontam que sem a participação da visível corrupção policial o tráfico de drogas ilícitas, neste modelo, é inviável.

Sempre ressaltando que a vida na Vila das Torres não pode ser resumida à violência e ao tráfico, nem mesmo à pobreza, ou ao lugar onde o Rio Belém revela seu estado crítico. O Rio Belém tem um longo percurso até chegar ali e é evidente que não é só o esgoto da Vila que é despejado nesse rio.
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