artigo recomendado


Franz, Walter F. Nique. (2016). Aderentes e militantes: a participação político-partidária na era do Partido Cartel. Revista de Sociologia e Política, 24(60), 91-113. https://dx.doi.org/10.1590/1678-987316246004.
O artigo analisa o estado da arte da literatura sobre as transformações nas formas de participação político-partidária produzida nas últimas décadas. Dois objetivos principais guiam nossa argumentação: (i) fornecer um panorama de referência que possa contribuir ao desenvolvimento de pesquisas sobre esta temática e (ii) atenuar a segmentação que caracteriza as distintas correntes analíticas. Revisando trabalhos publicados em revistas e livros anglo-saxões e franceses, comparamos suas problemáticas, as questões teóricas subjacentes, bem como os métodos de administração da prova utilizados. Destarte, identificamos a estruturação de dois campos de produção politológica que se comunicam pouco. De um lado, uma tradição “Political Science”, mainstream, cujos estudos privilegiam uma abordagem sistêmica e comparada, apoiando-se em uma demonstração fundamentalmente estatística. De outro lado, uma tradição “Sociologie Politique” desenvolvida na França e cuja perspectiva de análise é internacionalmente pouco conhecida. Influenciadas pelo paradigma interacionista, suas pesquisas empregam o método sócio-etnográfico e redirecionam o foco de análise aos níveis meso e micro social. Fazendo um balanço crítico das principais contribuições de ambas as vertentes, apontamos algumas tendências atuais observadas pelos especialistas. Insistimos, particularmente, no potencial heurístico oferecido pelo enfoque da Sociologia Política para agregar novos elementos para a compreensão deste fenômeno.
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29 de julho de 2011

mesa-redonda: democracia, representação e participação

[Afonso Arinos, 1987
Brasília, DF
André Dusek.
Pirelli/MASP] 


XV CONGRESSO BRASILEIRO DE SOCIOLOGIA

Mesa-redonda 13 - Democracia, Representação e Participação

Democracia, representação e participação: uma hipótese sobre a estrutura do campo político brasileiro, hoje*
Adriano Codato
(nusp/ufpr)

O propósito dessa conferência é discutir o significado sociológico de alguns achados empíricos sobre os processos recentes de recrutamento da classe política brasileira. Ao mesmo tempo, pretendemos apresentar uma visão diferente sobre o assunto. Ou mais exatamente: a necessidade de incorporar, nessa discussão, variáveis históricas e sociológicas, além das vaiáveis institucionais usuais.

Na primeira parte menciono o que é "democracia" e o que é "participação democrática" para as teorias empíricas da democracia. Em seguida, listo as condições institucionais essenciais para a realização desse tipo de participação política (que é basicamente eleitoral), e localizo o que me parece ser um ponto cego nessas formulações. Essa discussão serve como introdução para destacar a importância e a relevância de estudos sobre elites políticas para determinar a qualidade da democracia.

Na segunda parte, apresento duas conclusões (em certa medida opostas) das pesquisas recentes sobre o processo de recrutamento parlamentar no Brasil: aquela que sustenta estar em curso um processo de popularização da classe política; e aquela que sustenta que a variável fundamental que incide no recrutamento político no Brasil é o profissionalismo político.

Na terceira parte avanço um modelo mais complexo para dar conta desse problema do recrutamento. Esse modelo deve congregar variáveis históricas, institucionais e sociais. Isso permitirá então propor uma hipótese um pouco diferente sobre o problema. Ao final, pretende-se resslatar as conseqüências analíticas do modelo e como esse tipo de explicação --- histórica e sociológica --- se diferencia da corrente dominante.


para ler a conferência completa,
clique aqui (em breve)

* Este texto baseia-se no projeto de pesquisa As transformações da classe política brasileira no século XXI: um estudo do perfil sócio-profissional dos deputados federais (1994-2014) desenvolvido no Núcleo de Pesquisa em Sociologia Política Brasileira (NUSP) da UFPR. Foi apresentado na Mesa-redonda 13: “Democracia, Representação e Participação”, no Congresso da Sociedade Brasileira de Sociologia, em julho de 2011 em Curitiba (PR). Coordenação: Maria Francisca Pinheiro Coelho - (UNB). Participantes: Maria da Glória Gohn (UNICAMP); Débora Messenberg (UnB); Adriano Codato (UFPR); e Sayonara Leal (UnB). 
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26 de julho de 2011

seminário os eleitos: como parlamentares tornam-se parlamentares

[Série Vulgo, Whip, 1999
Rosangela Rennó. 
Pirelli/MASP] 




Seminário Internacional: Os eleitos: como parlamentares tornam-se parlamentares, em Porto Alegre, entre os dias 5 e 7 de Setembro de 2011. O Seminário é promovido pela Câmara Municipal de Porto Alegre e Departamento de Ciência Política da UFRGS, com o apoio da CAPES.

A apresentação do evento, programação e outras informações importantes podem ser consultadas no site http://oseleitos.camarapoa.rs.gov.br

Programação
5/9/2011 – Segunda-feira
9h - Conferência
Por que mulheres (não) são eleitas?
Constanza Moreyra – Universidad de La Republica (Uruguai), senadora
Clara Araújo – UERJ
Rosane de Oliveira – jornalista
Coordenadora: Sofia Cavedon - vereadora (PT), presidente da CMPA

14h - Mesa-redonda
O que faz um vereador no Brasil?

- Maria Izabel Noll - UFRGS
- Cidinha Campos – deputada estadual (PDT-RJ)
- Maria Celeste - vereadora (PT-Porto Alegre)
- Coordenadora: Fernanda Melchionna – vereadora (PSOL – Porto Alegre)

19h - Conferência
Como parlamentares tornam-se parlamentares
Frederic Sawicki – Université Paris I – Sorbonne

Coordenador: André Marenco – UFRGS

6/9/2011 – Terça-feira
9h - Mesa-redonda
Partidos e carreiras políticas na América Latina

Robert Funk – Universidad de Chile
Miguel Serna – Universidad de La Republica – Uruguai
Socorro Braga - UFSCar
André Marenco – UFRGS
Coordenador: Adeli Sell – vereador (PT-Porto Alegre)

14h – Mesa-redonda
De onde vêm os representantes do Brasil?

- Adriano Codato (UFPR)
- Igor Grill (UFMA)
- Ernesto Seidl (UFS)
- Eliana Reis (UFMA)
Coordenador: Sebastião Melo – vereador (PMDB – Porto Alegre)

19h - Conferência
Como os eleitores controlam os eleitos
John Carey – Darthmouth College (EUA)

Manuela D’Ávila – deputada federal (PCdoB-RS)

7/9/2011 – Quarta-feira
15h - Mesa-redonda
Reforma Política: pode-se mudar a representação no Brasil?

Fabiano Santos – presidente da ABCP
Henrique Fontana – deputado federal (PT-RS)
Coordenadora: Sofia Cavedon - vereadora (PT), presidente da CMPA.
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25 de julho de 2011

análise estrutural, análise institucional e análise contextual: uma discussão empírica da política brasileira durante o estado novo

[Ruína em Construção II, 2009
Ricardo Barcellos
Pirelli/MASP] 

CODATO, Adriano. 

Análise estrutural, análise institucional e análise contextual: uma discussão empírica da política brasileira durante o Estado Novo. 

In: XXVI SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA - ANPUH, 2011, São Paulo - SP. Anais. São Paulo - SP : Associação Nacional de História, 2011.

Na pesquisa de doutorado que realizei, tendo como alvo principal o Departamento Administrativo do estado de São Paulo, enfoquei essa agência de quatro pontos de vista complementares. Estudei a instituição e seu funcionamento; a elite que a integrou e seu pensamento. Essa complementaridade está na base da minha reflexão sobre a relação entre duas variáveis – “elites” e “instituições” – normalmente pensadas como variáveis excludentes na explicação sociológica. Já o modelo relacional que se procurou adotar no trabalho pretendeu evitar tanto o sociologismo, característico da ênfase exclusiva na primeira variável, quanto o politicismo, característico do privilégio da segunda.

Elites e instituições são termos de uma mesma equação em que ora um, ora outro cumpre o papel determinante na explicação de determinado problema em Ciência Política. Na análise dos processos políticos, “instituição” (ou configuração institucional) pode ser a variável dependente ou independente; “elite” (ou perfil social, perfil político dos grupos que dirigem a política), idem. Há todavia uma variável externa a essa relação e que de todo modo determina aquela que será, a cada caso, a determinante. Essa variável independente é, de acordo com meu o modelo de análise que se adotou, o contexto: isto é, tempo e lugar – ou o “lugar de possibilidades historicamente determinadas”, para falar como Ginzburg. Este estudo consiste, assim, na tentativa de articular e propor uma explicação histórica para a variável dependente principal: o modo, a natureza e a direção da mudança sociopolítica e ideológica das elites políticas regionais, aqui representadas pelos políticos da classe dirigente paulista na passagem dos anos 1930 para os anos 1940.

A fim de explicar o declínio dessa oligarquia quatro hipóteses foram testadas: i) a nova hierarquia política entre os diversos grupos de elite é o resultado da nova ordem estipulada pelos círculos dirigentes do regime entre os diferentes níveis decisórios do Estado; ii) as instâncias intermediárias de governo que abrigam as elites estaduais, como os Departamentos Administrativos, não são instâncias de decisão sobre a política de Estado, mas de participação controlada no jogo político; iii) a modificação dos perfis sociais das elites políticas é o efeito tanto das sucessivas transformações nas condições de competição política, quanto da estrutura institucional concebida para recrutá-la e conformá-la aos propósitos do regime ditatorial; e iv) a presença de certos grupos da elite estadual nas novas estruturas do Estado contribuiu para sua conversão à ideologia autoritária. Sustentou-se que a explicação do transformismo político da elite de São Paulo deveria levar em conta a articulação concreta entre instituições e elites nesta quadra histórica.

ler o paper completo aqui

ler a versão do paper para 
apresentação oral aqui 
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novas agendas da ciência política brasileira


[Entreposto de Carne, 1975
São Paulo, SP
Ameris Paolini.

Pirelli/MASP]

Adriano Codato 
(em colaboração com 
Fernando Leite)

Evento: II Fórum Brasileiro de Pós-Graduação em Ciência Política
Universidade Federal de São Carlos - UFSCar
Mesa-redonda com Eduardo Noronha (UFSCar), Adriano Codato (UFPR) e Bruno Reis (UFMG) para falar sobre as "Novas Agendas na Ciência Política Brasileira". 
Em 20 jul. 2011.

O objetivo desta palestra é expor, em linhas bem gerais, a estrutura (cultural e institucional) da Ciência Política brasileira a partir da produção veiculada em seus principais periódicos e elaborar uma explicação sociológica para ela.

Esse objetivo se insere em uma pesquisa mais ampla. Os dados aqui apresentados foram todos coletados, compilados e apresentados por Fernando leite, com quem eu colaboro na pesquisa, na dissertação: Divisões temáticas e teórico-metodológicas na Ciência Política brasileira: explicando sua produção acadêmica (2004-2008), Mestrado em Sociologia. Universidade Federal do Paraná, UFPR, 2010.

A pesquisa sobre o campo científico da Ciência Política brasileira, imaginamos, envolve três momentos.

O primeiro consiste em uma análise estatística da produção acadêmica, contemplando o período de 2004 a 2008 a partir dos principais periódicos da área: Dados, Revista Brasileira de Ciências Sociais, Revista de Sociologia e Política, Lua Nova, Opinião Pública, Brazilian Political Science Review e Crítica Marxista.

O segundo momento envolve uma análise histórica e uma análise institucional em que se constroem algumas hipóteses para determinar pelo menos duas coisas: a situação identificada; como se chegou a ela.

Um terceiro momento previsto tentará estabelecer, a partir da interpretação, as possíveis relações de dominância e subordinação (as hierarquias) em termos de prestígio e poder institucional entre instituições, agentes e produção científica na Ciência Política brasileira.

Aqui vou apresentar brevemente alguns resultados do primeiro passo dessa pesquisa. Ele consistiu em uma investigação sobre tipos de abordagens e áreas temáticas privilegiadas a partir de 364 artigos publicados nessas revistas (exceto Crítica Marxista).


para ler a conferência completa,
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