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Bolognesi, B., Ribeiro, E., & Codato, A.. (2023). A New Ideological Classification of Brazilian Political Parties. Dados, 66(2), e20210164. Just as democratic politics changes, so does the perception about the parties out of which it is composed. This paper’s main purpose is to provide a new and updated ideological classification of Brazilian political parties. To do so, we applied a survey to political scientists in 2018, asking them to position each party on a left-right continuum and, additionally, to indicate their major goal: to pursue votes, government offices, or policy issues. Our findings indicate a centrifugal force acting upon the party system, pushing most parties to the right. Furthermore, we show a prevalence of patronage and clientelistic parties, which emphasize votes and offices rather than policy. keywords: political parties; political ideology; survey; party models; elections
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12 de dezembro de 2022

recepção de Pierre Bourdieu na ciência política

[Pierre Bourdieu au Collège de France, le 23 mai 1985. Photo: Vincent Leloup/Divergence] 








RESUMO

Pierre Bourdieu é o autor com a reputação mais bem estabelecida nas ciências sociais, em especial na Sociologia. Mas qual é a recepção de Bourdieu na ciência política? Se tomamos as citações aos seus livros nos periódicos mais importantes da área ela é inexistente. Por outro lado, há inúmeras pesquisas na França, no Brasil, na Argentina, no Chile, etc., sobre o campo do poder inspiradas por sua Sociologia da vida política. Este artigo investiga a presença e a influência do autor na ciência política publicada fora dos periódicos de maior impacto na disciplina. Partindo de uma base ampla de 25.475 documentos indexados na base Scopus que mencionam Pierre Bourdieu nas referências bibliográficas, analisamos 355 artigos que utilizaram seus conceitos-chave conectados à política, tais como campo político, Estado e poder simbólico. Verificamos que mesmo quando há citações aos escritos de Bourdieu, não são os trabalhos vinculados à sua sociologia da política que são referidos. Um estudo detalhado do contexto das citações para os vinte artigos mais citados desses 355 documentos mostrou que as referências a Bourdieu eram majoritariamente positivas e que havia mais menções de reconhecimento baseadas na autoridade do autor do que de corroboração com base em sua teoria. A influência das ideias de Bourdieu sobre os trabalhos analisados foi superficial em 17 dos 20 casos.

  
ABSTRACT

Pierre Bourdieu has a firmly established reputation within the social sciences, particularly in the field of Sociology. But how has Bourdieu been received in the field of Political Science? If we look at the most important journals in the area, citations to his books are practically non-existent. On the other hand, many researches devoted to the field of power in France, Brazil, Argentina, Chile, etc., have been inspired by Bourdieu’s Sociology of political life. This article explores the author’s presence and influence on political science publications outside of mainstream journals. Stemming from an extensive database of 25,475 documents indexed in the Scopus database that mention Pierre Bourdieu in the bibliographic references, we analyzed 355 articles that used his key concepts for political analysis, such as political field, State, and symbolic power. We found that even when Bourdieu’s writings are cited, the works referenced are not connected to his sociology of politics. A contextual analysis of the 20 most cited articles of these 355 documents revealed that references to Bourdieu were mostly positive. Furthermore, acknowledgments of the author’s authority were more common than corroborative arguments based on his theory. The influence of Bourdieu’s ideas on the works analyzed was superficial in 17 of the 20 cases.

como citar:

Codato, Adriano; Bittencourt, Maiane; Perich, Rafael; Silva, Rodrigo (2022) ‘Uma análise bibliométrica da recepção de Pierre Bourdieu na ciência política’, Educação e Pesquisa, 48. https://doi.org/10.1590/S1678-4634202248255565por 


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SciELO  [html]
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17 de fevereiro de 2009

Comentário do filme La sociologie est un sport de combat, sobre Pierre Bourdieu


Réalisateur Pierre Carles;
durée: 2h 26min;
année de production: 2001.

Adriano Codato

« Une bonne partie de ceux qui se désignent comme sociologues ou économistes sont des ingénieurs sociaux qui ont pour fonction de fournir des recettes aux dirigeants des entreprises privées et des administrations. Ils offrent une rationalisation de la connaissance pratique ou demi-savante que les membres de la classe dominante ont du monde social. Les gouvernements ont aujourd’hui besoin d’une science capable de rationaliser, au double sens, la domination, capable à la fois de renforcer les mécanismes qui l’assurent et de la légitimer. »

Pierre Bourdieu, Choses dites (1).
[Palestra proferida na Semana de Antropologia UFPR: Desafios da Alteridade; Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, 2007]

I. O filme: as escolhas da narrativa

Se vocês repararam, no filme de Pierre Carles nunca encontramos Pierre Bourdieu na intimidade. Em seu apartamento, em sua residência secundária, almoçando ou jantando, com sua mulher: isto é, “em família”. Por que isso?

Eu penso que Carles não quer suscitar aquela simpatia fácil que decorre da humanização da personagem: alguém como nós, mas mais famoso; alguém como nós, mas mais inteligente; alguém como nós, mas mais poderoso etc. Dessa maneira, a via escolhida para desmontar a torre de marfim onde, diz-se, os intelectuais vivem encerrados, não é a camaradagem diante de alguém, afinal, “simpático”: atencioso, solidário, paternal.

Nesse sentido, a sedução da Sociologia não vem de quem exerce o ofício, o mestre, o guru, como nas seitas, mas a sedução da Sociologia vem da sua prática por um sociólogo radical que leva os princípios da disciplina ao extremo.

Daí que o documentário de não seja um olhar íntimo sobre o homem Pierre Bourdieu. Como vocês viram, o Autor, em carne e osso, só surge em seu cotidiano de trabalho: num seminário de pesquisa no CSE, num debate com outro “grande intelectual” (Günter Grass), numa escola da periferia de Paris, na rádio comunitária etc.

Creio que essa é a forma para produzir no espectador um olhar simpático sem que a abordagem tenha de ser hagiográfica.

II. A Sociologia como arma

A opção de Pierre Carles, penso eu, é mostrar o interesse prático da Sociologia através do pensamento de um sociólogo em particular e sugerir o interesse político que sua mensagem pode ter para os destinatários privilegiados desse “esporte de combate”: os miseráveis do mundo.

Comentando a seqüência do encontro com as pessoas em Mantes-la-Jolie, onde o protagonista do filme se explica com uma clareza até desconcertante para nós acostumados com a sua escritura, e comparando-a com a irritação de Bourdieu diante do anti-intelectualismo dos jovens do Val-Fourré, Pierre Carles diz o seguinte:

« Dans cette séquence, Bourdieu s'énerve surtout contre l'anti-intellectualisme ambiant qui tend à faire passer l'intellectuel pour un type chiant, éloigné des réalités. Citant l'exemple du sociologue algérien Abdelmalek Sayad, dont il a édité le livre posthume, Bourdieu dit à ces jeunes d'origine algérienne : ce livre, c'est vous, c'est votre histoire, vos expériences. C'est une boite à outils pour vous prendre en main. Si vous vous privez de ce livre sous prétexte qu'il a été écrit par un universitaire, vous vous privez d'un instrument qui vous permettrait de comprendre votre propre situation et d'être un peu moins écrasée par elle. (2) »

A Sociologia é uma caixa de ferramentas para seu utilizada. Quando se recusa a Sociologia, se recusa o conhecimento e o potencial libertador que esse conhecimento pode produzir.

Loïc Wacquant sugeriu a seguinte interpretação:

“Je pense que ce film va profondément modifier le regard que les gens portent sur la sociologie, qui est souvent perçue comme une science-guimauve. Telle que la pratiquent les consultants d'entreprise et que l'invoquent les journalistes bavards, elle ne sert qu'à renforcer une vision molle du monde. Le film de Carles, lui, donne à voir une science dure, tranchante comme un couteau. Il montre le processus qui mène à faire de la sociologie une forme de service public de la pensée critique. C'est un film qui donne envie d'en être et qui va sûrement créer des vocations...” (3)

III. O filme: o estilo a serviço de uma idéia

Uma qualidade importante do filme, a meu ver, é que ele é documental sem ser oficial.

Ele é fiel a uma idéia (isto é, defende uma “tese”, um argumento) sem ser pretensamente “objetivo”. Daí que não haja “outras posições” sobre o assunto. Os críticos de Bourdieu não comparecem para o contraditório.

Enfim, o filme, como os outros dois documentários do diretor sobre a imprensa na França, não é neutro. É engajado e militante, mas de uma militância estranha: uma militância que aposta no poder revelador e liberador da Ciência – no caso, da Sociologia; posição tanto mais esquisita para aqueles que estão, graças aos “delírios pós-modernos” (4), sempre desconfiados da Razão e do discurso científico.

A ausência de artifícios – sem narração em off (não há uma história para contar, a vida do biografado, a sociologia francesa do século XX etc., ou uma moral edificante para transmitir), sem edição aparente, cortes abruptos, sem “estilização”: isto é, um filme “feio” – parece ter um objetivo explícito: mostrar que o pensamento de Bourdieu responde a problemas reais, concretos, colocados pelas pessoas e que não segue um esquema pré-fixado. Um modelo que a edição revelará.

Mas por que no filme não aparece o Bourdieu militante das causas sociais antiliberais?

« L’ambiguïté dans le combat de Pierre Bourdieu est qu’en tant que sociologue, surtout dans la haute idée qu’il s’en fait, il se doit de ne pas clairement exprimer ses opinions politiques sur l’ultra-libéralisme, afin de protéger l’indépendance et la place de la sociologie, mais tout en exposant sa pensée et ses travaux qui, par constat, sont une critique radicale des effets de ce système économique et politique sur le corps social » (5).

IV. Por que a sociologia deve ser um esporte de combate?

O que é mais curioso é que se trata de um filme feito não de imagens, mas de palavras.

O objetivo declarado de Pierre Carles não era ilustrar o discurso cientifico de Bourdieu (e assim facilitar a compreensão de sua sociologia através de associações simples retiradas do repertório do senso comum), mas justamente apostar no poder de evocação da palavra: “O filme deve conduzir o espectador a produzir suas próprias imagens” (6).

Há, claro, uma pedagogia aí. Loïc Wacquant, ao comentar a fita, disse em uma entrevista, o seguinte:

« la sociologie est effectivement un " sport de combat ", dans la mesure où elle sert à se défendre contre la domination symbolique, l'imposition de catégories de pensée, la fausse pensée. Elle permet de ne pas être agi par le monde social comme un bout de limaille dans un champ magnétique. Pour Bourdieu, il s'agit au contraire de penser les forces qui agissent sur nous afin de s'en libérer et de se réapproprier sa propre histoire. » (7)

Notas:
1. cit. por Sylvain Marcelli http://www.interdits.net/2001juin/bourdieu.htm

2. http://www.homme-moderne.org/images/films/pcarles/socio/cyran.html

3. http://www.homme-moderne.org/images/films/pcarles/socio/cyran.html

4. P. Bourdieu, Science de la science et réflexivité. Paris: Éditions Raisons d'Agir.

5. Jerome Bonnefoi, La démocratie est un sport de combat.
http://www.homme-moderne.org/kroniks/blabla/bonnefoi/democ.html

6. http://www.homme-moderne.org/images/films/pcarles/socio/cyran.html

7. http://www.homme-moderne.org/images/films/pcarles/socio/cyran.html
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19 de dezembro de 2008

entrevista com Jean-Claude Passeron: a história da sociologia acadêmica na França

[foto: Bill Ray, Paris,
May 1968. Life]

A Radio França traz uma longa entrevista com
Jean-Claude Passeron.
Passeron é diretor de estudos da École des hautes études en sciences sociales de Paris. Escreveu em parceria com Bourdieu Les Héritiers (1964) e La Reproduction (1971). Atualmente dedica-se ao estudo da epistemologia das "ciências históricas". Dele pode ser lido em português O raciocínio sociológico (ed. Vozes).
O depoimento trata principalmente da sociologia na França, a profissão do sociólogo, métodos de pesquisa, a garantia de Raymond Aron à disciplina etc. O pretexto para a entrevista é o aniversário de 40 anos da publicaçao do livro Le métier de sociologue (1968).
Na apresentaçao o entrevistador nota que a institucionalização do diploma de Sociologia na França data de 1958. Passeron, Bourdieu e Chamborendon contribuíram para inventar a forma de ensino da Sociologia.
Para ouvi-la clique aqui.

dois artigos importantes de Passeron:

Jean-Claude Passeron. L'inflation des diplômes. Remarques sur l'usage de quelques concepts analogiques en sociologie, Revue française de sociologie, 1982, n° 4, pp. 551-584.

Jean-Claude Passeron. Biographies, flux, itinéraires, trajectoires, Revue française de sociologie, 1990, n° 1, pp. 3-22.

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29 de setembro de 2008

Entrevista com Christian Baudelot e Roger Establet

por Ana Maria F. Almeida
ALMEIDA, Ana Maria F.. Entrevista com Christian Baudelot e Roger Establet. Tempo soc. , São Paulo, v. 20, n. 1, 2008 .

Christian Baudelot - [...]
O que me dava enorme prazer também em Bourdieu e Passeron era a maneira como eles concebiam seus seminários. Eles os alimentavam com as pesquisas que estavam fazendo, era um verdadeiro canteiro de obras em que nada estava finalizado. Havia intuições, excessos e também bobagens e, ao mesmo tempo, isso era feito progressivamente com o público e com todas as questões que podiam ser colocadas. Isso significou para nós uma descoberta da maneira de fazer sociologia e também de ensiná-la, porque nós éramos, sobretudo, professores. Isso era completamente novo. [...]
[...] nós não entramos na sociologia juntos, mas por vias separadas. Eu fui sobretudo seduzido pelo seminário que Bourdieu dava na École Normale Supérieure. Um dia fui encontrá-lo ao final do seminário e lhe disse, "escute, a sociologia me interessa muito, isso que você faz é muito interessante". Eu já tinha obtido uma agrégation em Letras Clássicas. "O que é preciso fazer para se tornar sociólogo? É preciso ter uma agrégation de Filosofia, um certificado de Moral etc.?" Ele me disse, "Não, não. Não vale de jeito nenhum a pena tudo isso. O que você vai fazer hoje à tarde?" Era uma sexta-feira, e eu lhe respondi, "nada de particular", e ele disse "então passe às 14 horas pelo meu Centro". Era o Centre de Sociologie Européenne, na rua Monsieur le Prince, na casa que foi de Auguste Comte. "Lá tem um trabalho para você. Nós estamos analisando uns dados, você pode dar uma mão". E foi assim. Ele me colocou para construir estatísticas da pesquisa que eles tinham feito em Lille e em Paris. Era preciso construir as porcentagens em linhas e colunas.

Roger Establet – Louis Althusser... claro... como éramos normaliens, nós dois, todo mundo o conhecia. Em primeiro lugar, ele era um homem modesto, tinha tarefas burocráticas. Era secretário da École, ocupava-se do internato, da maneira como cumpríamos nossas obrigações na escola; tomava conta de uma maneira muito modesta. Depois, tornou-se professor, ficou responsável por certo número de aulas, sobretudo dos cursos de preparação para a agrégation. Eram cursos de filosofia muito bem feitos, alguns sobre Maquiavel... alguns foram publicados. Eram aulas durante as quais Althusser mostrava que estava prestando muita atenção em preparar seus alunos para a agrégation, a lhes ensinar o que era uma dissertação, a lhes fazer sentir seus pontos fortes e fracos. Ele corrigiu muitas das minhas dissertações, ensinou-me mesmo a redigir a dissertação. Foi um verdadeiro professor. Ele também se ausentava muito porque estava gravemente doente. Retrospectivamente, fico um pouco envergonhado por tê-lo incomodado com questões sobre Maquiavel, Montesquieu ou Condorcet. O tempo em que esteve lá, ele esteve realmente lá, era um verdadeiro professor. Desse ponto de vista, ele era bastante modesto, não ficava tentando mostrar sua originalidade como outros professores, como Foucault, Gilles Gaston Granger, que ensinavam seus próprios trabalhos. Era um professor clássico. Mas a revelação foi seu texto sobre o jovem Marx. Ficamos realmente impressionados, com falta de ar, porque ele transformava Marx de uma maneira, inclusive para os filósofos, paradoxal. Porque, no fundo, a maneira como ele abordava Marx era um pouco o que costumávamos ver com Courrier ou Guéroult quando eles abordavam a História da Filosofia. [...]

trechos; para ler a entrevista completa, clique no link.

3 de janeiro de 2007

LIVRO Lançamento em janeiro de 2007: Tecendo o presente --- sete autores para pensar o século XX

Adriano Codato (org.)
Ed. Sesc - PR

Introdução: certos clássicos do século XX
adriano nervo codato

O que é, afinal, um autor ou um livro clássico? Numa das quatorze explicações oferecidas por Italo Calvino num volume que, entre todas as suas vantagens, tem o pouco esotérico título Por que ler os clássicos (1981) pode-se ler, sem grandes rodeios, a seguinte definição: “É clássico aquilo que tende a relegar as atualidades à posição de barulho de fundo, mas ao mesmo tempo não pode prescindir desse barulho de fundo”. A essa se soma uma outra acepção, que nega a primeira, mas que paradoxalmente a completa e amplia: “É clássico aquilo que persiste como rumor mesmo onde predomina a atualidade mais incompatível”.

O barulho de fundo que se ouve ainda hoje por toda parte é o hino de uma nota só em louvor ao “Pensamento Único”. Sua partitura rebaixa a política aos imperativos da economia, reduz a economia à especulação financeira e seu mais gratificante subproduto é o consumo de luxo. A configuração desse capitalismo, e o conjunto de idéias que o acompanha e justifica, produz e impõe uma visão particularmente severa do mundo social cujo fundamento é a superioridade natural do mercado e a inviabilidade primordial do Estado de bem-estar. Essa filosofia da inevitabilidade histórica tem, portanto, não somente uma dimensão material, mas ideológica já que, como Pierre Bourdieu lembrou, assume “uma roupagem científica” e, por essa via, “a capacidade de agir como teoria”.

Essa revolução regressiva deu origem a expressões tais como “aldeia global”, “mundialização” e “neoliberalismo” que, de tão repetidas, já não significam quase nada, e os circunlóquios através dos quais se pretende “explicar” o presente (flexibilização, (des)regulação, reformas, crescimento sustentado, estabilidade monetária, produtividade etc.), tudo resumido no eufemismo sociológico maior, pós-modernidade, formam um dicionário de palavras incontornáveis cujo sentido e função só se explicitam graças à nova vulgata econômica que se incumbiu de pô-los em circulação.

Os sete ensaios reunidos neste livro não são sobre esse barulho de fundo que é o Pensamento Único. O livro é, ao contrário, uma tentativa de afirmar o interesse das idéias de oito pensadores “clássicos” – Émile Durkheim, Max Weber, Marcel Mauss, Thomas Mann, Hannah Arendt, Jean-Paul Sartre, Michel Foucault e Norbert Elias – sobre a sociedade, a história e a política, apesar desse barulho de fundo. É um investimento na capacidade que esses rumores do passado, às vezes na moda, às vezes não, têm de recuperar o sentido crítico da reflexão.

Mesmo que a lista acima seja incompleta, acredito que importam menos os nomes próprios ou os critérios que dirigiam suas escolhas para compor este volume e mais o programa de leitura que sugerimos: pode-se lê-los em qualquer ordem, com simpatia ou antipatia, com curiosidade de especialista ou interesse de iniciante, desde que se faça um esforço para lê-los todos. De certa forma, é do cruzamento desses pensamentos que se tece o presente histórico.
[trecho]

Sumário

Prefácio
renato monseff perissinotto

Introdução: certos clássicos do século XX
adriano nervo codato

1. Thomas Mann: ironia burguesa e romantismo anticapitalista
paulo soethe

2. Hannah Arendt: a crise da política na modernidade
andré duarte

3. Émile Durkheim: para uma sociologia do mundo contemporâneo
pedro bodê de moraes

4. Max Weber, leitor do idealismo
vinicius de figueiredo

5. Norbert Elias: configuração social e a sociologia processual do Eu e do Nós
luiz geraldo santos silva

6. Marcel Mauss: Comunismo e Estado
marcos lanna

7. Sartre e Foucault: teoria da história, engajamento e ética
luiz damon moutinho

onde comprar: Sesc da Esquina
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Curitiba - PR
e-mail: esquina@sescpr.com.br
fone: (41) 3304-2222
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