artigo recomendado


Lopez, Felix, & Almeida, Acir. (2017). Legisladores, captadores e assistencialistas: a representação política no nível local. Revista de Sociologia e Política, 25(62), 157-181.
O artigo analisa a representação política local, focando as percepções e práticas cotidianas dos vereadores. Em particular, analisam-se suas escolhas entre estratégias de representação clientelistas e universalistas. Utilizam-se dados originais de entrevistas abertas semiestruturadas com amostra não representativa de 112 vereadores de 12 municípios de Minas Gerais. Por meio de análise qualitativa, classificam-se os vereadores em três tipos, de acordo com sua principal estratégia de representação, a saber: “legislador”, que se dedica mais às funções formais da vereança; “captador”, que prioriza o atendimento de pedidos coletivos dos eleitores; “assistencialista”, que prioriza o atendimento de pedidos particulares. Os resultados sugerem que essas estratégias são qualitativamente distintas e que a probabilidade de ocorrência do tipo assistencialista é maior em municípios pequenos, crescente no acirramento da competição política e decrescente na volatilidade eleitoral.
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31 de dezembro de 2008

política e história

President Woodrow Wilson (3rd from the L) marching down Fifth Avenue carrying an American flag during the Fourth Liberty Loan Parade (1918). Foto: Paul Thompson. Fonte: Life.

Adriano Codato

Parece que há hoje um movimento de revalorização da dimensão histórica dos processos políticos pela Ciência Política.

Sem que os grandes modelos explicativos tenham sido abandonados, ou mesmo relegados a um segundo plano, os estudos da área passaram a valorizar, ao lado do desenho institucional e suas conseqüências sobre os “atores” e suas “estratégias”, o desenvolvimento institucional com base em pesquisas histórico-comparativas.

Mesmo sem aceitar a crítica de Charles Tilly há mais de duas décadas, o problema de se estudar “big structures, large processes, huge comparisons”, mas focalizando apenas conjunturas críticas (momentos de transição ou de transformação de regimes políticos, por exemplo), a abordagem histórica permite detectar ou sugerir interações entre seqüências causais distintas que podem confluir num momento determinado para explicar eventos determinados.
Modelos muito formalizados, postulados teóricos universais e (eu acrescentaria) tipologias abstratas, acreditam alguns institucionalistas históricos mais radicais, podem perder relações causais mais complexas, ignorar hipóteses válidas ou desconsiderar importantes resultados políticos de processos sociais.

Daí sua insistência em olhar não para o passado, mas, como advertiram Pierson e Skocpol, para ‘processos através do tempo’ (processes over time).

Um bom livro sobre o assunto é:
PIERSON, Paul. Politics in Time: History, Institutions, and Social Analysis. Princeton e Oxford: Princeton University Press, 2004.
sobre este livro ver mais aqui.
sobre o autor, aqui.
uma resenha pode ser lida aqui.
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