artigo recomendado


Lopez, Felix, & Almeida, Acir. (2017). Legisladores, captadores e assistencialistas: a representação política no nível local. Revista de Sociologia e Política, 25(62), 157-181.
O artigo analisa a representação política local, focando as percepções e práticas cotidianas dos vereadores. Em particular, analisam-se suas escolhas entre estratégias de representação clientelistas e universalistas. Utilizam-se dados originais de entrevistas abertas semiestruturadas com amostra não representativa de 112 vereadores de 12 municípios de Minas Gerais. Por meio de análise qualitativa, classificam-se os vereadores em três tipos, de acordo com sua principal estratégia de representação, a saber: “legislador”, que se dedica mais às funções formais da vereança; “captador”, que prioriza o atendimento de pedidos coletivos dos eleitores; “assistencialista”, que prioriza o atendimento de pedidos particulares. Os resultados sugerem que essas estratégias são qualitativamente distintas e que a probabilidade de ocorrência do tipo assistencialista é maior em municípios pequenos, crescente no acirramento da competição política e decrescente na volatilidade eleitoral.
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25 de agosto de 2009

polêmica: Estado, política e classes sociais

[Avenida Paulista, 1990.
Eduardo Castanho.
Pirelli / MASP]


Cicero Araujo (DCP/USP) escreveu em fins de 2008 uma resenha do livro de Armando Boito Jr. (DCP/Unicamp), Estado, política e classes sociais (São Paulo, Edunesp, 2007. 271 páginas), na Rev. bras. Ci. Soc. [online]. 2008, vol.23, n.67: "A dureza (e a ternura) do essencialismo político".

[trecho]

[...]
Armando Boito Jr. lamenta, nesse sentido, que a obra de N. Poulantzas não tenha alcançado ainda o devido reconhecimento, uma vez que ela se concentra numa dessas importantes conseqüências: o conceito de Estado. Para Poulantzas, o Estado não é um simples reflexo político da dominação de classe no plano econômico. Na verdade, ele organiza, em termos jurídico-políticos, essa dominação. Isto é, para além de pura função defensiva (via aparato repressivo), o Estado cumpre uma "função ideológica", e com isso possibilita que uma classe seja efetivamente dominante, e não apenas uma classe exploradora. "O Estado é o principal fator de coesão das formações sociais divididas em classes, graças à sua função repressiva e a outro aspecto, quase sempre ignorado, que é a sua função ideológica. De um lado, esse organismo detém o monopólio da força organizada [...] De outro lado, o Estado secreta, permenentemente, as figuras ideológicas fundamentais para a reprodução mais ou menos pacífica das relações de produção" (p. 55). Com essa tese, Armando Boito Jr. procura oferecer suas próprias contribuições.

Gostaria de destacar duas delas: sua reinterpretação de "classe social" e o conceito de "cena política". São idéias que poderiam ser consideradas inovadoras, não fossem elas descoloridas pelo modo como o autor as encaixa na tradição revolucionária do marxismo. Embora, obviamente, a noção de classe seja importante em todo livro, é só no início da segunda parte que sua reelaboração aparece com clareza. Boito Jr. generaliza a tese de que uma classe dominante não pode "dominar" sem o Estado. [...]
leia a resenha do Cicero aqui


Armando respondeu a resenha no número seguinte da RBCS
Rev. bras. Ci. Soc. [online]. 2009, vol.24, n.69
("Estado e política: réplica a Cícero Araújo"):

[trecho]

[...]
A primeira crítica aparece logo no primeiro parágrafo. Cícero Araújo sentenciou peremptoriamente: o trabalho é uma "reiteração de idéias desgastadas" (p. 165). Algumas linhas adiante, ele apresenta sua segunda crítica geral. O meu livro, trabalhando com o "velho dualismo" aparência/essência, teria a pretensão de colocar o cientista social como único e privilegiado observador em condições de desvendar o jogo de falseamentos e ocultações ao qual se resumiria, segundo Cícero Araújo, a minha concepção do processo político. Cícero Araújo não se dá o trabalho de mostrar ao leitor em que é que residiria o erro de tal procedimento. Parece pressupor que tal concepção seria tão absurda que dispensaria a crítica.

Para defender o meu trabalho, não posso evitar uma afirmação pretensiosa. Considero que o meu livro contém, sim, algumas contribuições originais. Elas provêm do fato de eu ter me apoiado na tradição althusseriana, que concebe o modo de produção de maneira ampliada, isto é, como uma totalidade social que articula economia, política e ideologia, para desenvolver essa concepção em direções novas, tratando de objetos novos ou enfrentando polêmicas antigas a partir de um enfoque novo. Ademais, a originalidade de um trabalho não se mede apenas pela presença de teses originais, mas, também, pelo aprofundamento e sistematização de teses já conhecidas - quem pratica a ciência social sabe da importância desse trabalho de aprimoramento conceitual.

A incorporação da política no meu livro aparece, em primeiro lugar, na consideração do político, isto é, da estrutura jurídico-política de determinado modo de produção. Em segundo lugar, elemento este sim muito explorado por variadas tradições marxistas, aparece, também, na valorização teórica da ação política para analisar a totalidade social e a mudança histórica. [...]

leia a réplica completa aqui.

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