artigo recomendado

Bolognesi, B., Ribeiro, E., & Codato, A.. (2023). A New Ideological Classification of Brazilian Political Parties. Dados, 66(2), e20210164. Just as democratic politics changes, so does the perception about the parties out of which it is composed. This paper’s main purpose is to provide a new and updated ideological classification of Brazilian political parties. To do so, we applied a survey to political scientists in 2018, asking them to position each party on a left-right continuum and, additionally, to indicate their major goal: to pursue votes, government offices, or policy issues. Our findings indicate a centrifugal force acting upon the party system, pushing most parties to the right. Furthermore, we show a prevalence of patronage and clientelistic parties, which emphasize votes and offices rather than policy. keywords: political parties; political ideology; survey; party models; elections

30 de janeiro de 2014

programa de curso: estudo de elites políticas: questões de teoria e método (ufpr 1/2014)

[Luiz Sacilotto
sem título, 1956
esmalte sintético sobre madeira
29,7 x 50,1 cm
MAC-USP]

Código: HC797 / Disciplina: ESTUDO DE ELITES POLÍTICAS: QUESTÕES DE TEORIA E MÉTODO
Professor responsável: ADRIANO CODATO (colaboradores: Bruno Bolognesi (UNILA); Luiz Domingos Costa (FACINTER))
Semestre/Ano: 1 / 2014 Tipo: Optativa
Carga Horária Total: 60 / Nº de Créditos: 4 / Sextas-feiras, 14h e 30min – 18h.
EMENTA
O objetivo deste curso é apresentar aos alunos os fundamentos teóricos e metodológicos dos estudos sobre as elites políticas, desde a sua origem nos autores clássicos até os estudos contemporâneos.
Syllabus
Cursos sobre “elites” tendem a, em geral, expor e explicar as grandes teorias tradicionais sobre o assunto, indo dos fundadores ate o debate entre neoelitistas e pluralistas nos anos 1950.
O propósito desta disciplina é tratar a literatura nacional e internacional mais recente sobre recrutamento de elites legislativas.
As tensões dessa literatura advêm de duas perspectivas diferentes entre si. A primeira, tratada a partir da sociologia política, focaliza basicamente o perfil social dos grupos dirigentes (isto é, origem de classe, tipo e tamanho do patrimônio herdado ou construído, acesso a educação superior e posse de títulos escolares, habilidades profissionais, gênero, origem étnica, e outros indicadores de posição social). A segunda perspectiva, abordada pela ciência política neo-institucionalista, busca compreender a carreira padrão de grupos de elite (idade de ingresso no mundo política, número de mandatos antes de chegar a posições superiores na hierarquia política, quantidade de partidos por que passou, cargos estratégicos que dirigiu, processos de seleção de candidatos, as conexões entre o formato do sistema político e os perfis e estratégias de carreira, etc.).
Ambas as abordagens serão tratadas neste curso. Assim, há três grandes tópicos que nos preocupam aqui. Eles estão ligados a aspectos estruturais, institucionais e motivacionais dos caminhos que conduzem a posições de poder: i) a relação entre recrutamento político e configuração do campo político; ii) a relação entre elites políticas e estrutura social; iii)a relação entre recrutamento político e mecanismos institucionais. Essas questões serão estudadas sempre em três níveis: teórico, histórico e metodológico.

14 de março (Adriano Codato)
Aula 1: Por que e para quê estudar elites políticas?
Referências obrigatórias:
1.        BLONDEL, Jean and MULLER-ROMMEL, Ferdinand. Political Elites. In: Dalton, Russell J. and Klingemann,Hans-Dieter (eds.). The Oxford Handbook of Political Behavior. Oxford: Oxford University Press, 2007, pp. 819-832.
2.        GENIEYS, W. La sociologie comparée des élites politiques. Que nous apprend l’analyse sociographique des personnels politiques? In: _____. Sociologie politique des élites. Paris: Armand Colin, 2011, chap. 4, pp. 156-196.
3.        MARENCO DOS SANTOS, A. Estudos de elites políticas explicam como instituições tornam-se instituições? BIB. Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais, n. 65, p. 5-26, 2008. (link) http://bit.ly/1d0R5Bk
Referências complementares:
1.        LEFERME-FALGUIÈRES, F.; RENTERGHEM, V. VAN. Le concept d’élites. Approches historiographiques et méthodologiques. Hypothèses, v. 1, p. 55-67, 2000.
2.        CZUDNOWSKI, Moshe M. Introduction: A Statement of the Issues. In Czudnowski, M. M. (ed.), Does Who Governs Matter? Elite Circulation in Contemporary Societies. DeKalb: Northern Illinois University Press, 1982. pp. 3-12.
3.        GENIEYS, W. Nouveaux regards sur les élites du politique. Revue française de science politique, v. 56, n. 1, p. 121-147, 2006. http://bit.ly/1aS5dgs

21 de março (Adriano Codato)
Aula 2: Como estudar elites políticas?
Referências obrigatórias:
1.        HOFFMANN-LANGE, Ursula. Methods of elite Research, in Dalton, Russell J. and Klingemann,Hans-Dieter (eds.). The Oxford Handbook of Political Behavior. Oxford: Oxford University Press, 2007, pp. 910-927. (comentário 1)
2.        EULAU, H. The Congress as Research Arena: An Uneasy Partnership between History and Political Science: A Review Essay. Legislative Studies Quarterly, v. 18, n. 4, p. 569-592, 1993. (link) (comentário 2)
Referências seminários:
1.        BEST, H.; EDINGER, M. Converging Representative Elites in Europe? An Introduction to the EurElite Project. Czech Sociological Review, v. 41, n. 3, p. 499-510, 2005. http://bit.ly/1g9hB3j (seminário 1)
2.        SEARING, D. D. Interviewing Members of Parliament. In: _____. Westminster’s World: Understanding Political Roles. Cambridge: Harvard University Press, 1994. p. 405-410.
3.        MIKECZ, Robert. Interviewing Elites: Addressing Methodological Issues. Qualitative Inquiry, vol. 18: 482-493, July 2012. http://bit.ly/15nJ9Ha (seminário 2)
4.        STONE, Lawrence. Prosopografia. Rev. Sociol. Polit., Jun 2011, vol.19, no.39, p.115-137. http://bit.ly/Xo3hpp (seminário 3)
Referências complementares:
1.        LOEWEN, Peter John; Rubenson Daniel; and Wantchekon, Leonard. Help Me Help You: Conducting Field Experiments with Political Elites. The ANNALS of the American Academy of Political and Social Science, 628, March 2010. http://bit.ly/ZbULsV
2.        MACLEOD, Christine; Nuvolari, Alessandro. The Pitfalls of Prosopography. Tecnology and Culture, v. 47, n.4, October 2006. http://bit.ly/15YRcwc
3.        PINÇON, Michel; PINÇON-CHARLOT, Monique. Pratiques d’enquête dans l’aristocratie et la grande bourgeoisie: distance sociale et conditions spécifiques de l’entretien semi-directif. Genèses, n. 3, 1991. pp. 120-133. http://bit.ly/ZI9nTf

I.              INTRODUÇÃO AO PROBLEMA DA PROFISSÃO/PROFISSIONALIZAÇÃO POLÍTICA
28 de março (Adriano Codato)
Aula 3: A profissionalização dos políticos profissionais
Referências obrigatórias:
1.        ELIASSEN, K. A.; PEDERSEN, M. N. Professionalization of Legislatures: Long-Term Change in Political Recruitment in Denmark and Norway. Comparative Studies in Society and History, v. 20, n. 2, p. 286-318, 1978 (comentário 3) (link)
2.        BLACK, G. S. A Theory of Political Ambition: Career Choices and the Role of Structural Incentives. The American Political Science Review, v. 66, n. 1, p. 144-159, 1972. (comentário 4)
Referências seminários:
1.        KIEWIET, D. R.; ZENG, L. An Analysis of Congressional Career Decisions, 1947-1986. The American Political Science Review, v. 87, n. 4, p. 928-941, 1993. (seminário 4)
2.        SANTOS, F. G. M.; PEGURIER, F. J. H. Political Careers in Brazil: Long-term Trends and Cross-sectional Variation. Regional & Federal Studies, v. 21, n. 2, p. 165-183, 2011. (seminário 5) (link)
Referências complementares:
1.        PEGURIER, F. J. H. Carreiras políticas e a Câmara de Deputados brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro - IUPERJ, 2009.
2.        SCHLESINGER, J. A. Ambition and Politics: Political Careers in the United States. Chicago: Rand McNally, 1966.
3.        LÉVÊQUE, S. «L’entrée en politique». Bibliographie sur les conditions sociales de la professionnalisation et de la «réussite» politique en France. Politix, v. 9, n. 35, p. 171-187, 1996. http://bit.ly/1g98YWC
4.        "Political Recruitment and Careers". International Encyclopedia of the Social Sciences. 1968. Encyclopedia.com. (February 12, 2013). http://www.encyclopedia.com/doc/1G2-3045000967.html

4 de abril (Adriano Codato)
Aula 4: A profissionalização política em perspectiva histórica
Referências obrigatórias:
1.        WEBER, M. The Profession and Vocation of Politics. In: LASSMAN, P.; SPEIRS, R. (Eds.). Weber: Political Writings. Cambridge: Cambridge University Press, 1994. p. 309-369. http://bit.ly/1fbPIVw (comentário 5)
2.        PHÉLIPPEAU, Eric. Sociogênese da profissão política. In: GARRIGOU, Alain e LACROIX, Bernard (Orgs.). Norbert Elias: a política e a história. São Paulo: Perspectiva, 2010. (comentário 6)
3.        BEST, H. New Challenges, New Elites? Changes in the Recruitment and Career Patterns of European Representative Elites. Comparative Sociology, vol. 6. nos. 1-2, p. 85-113, 2007. (link)
Referências seminários:
1.        MARENCO DOS SANTOS, A. Não se fazem mais oligarquias como antigamente: recrutamento parlamentar, experiência política e vínculos partidários entre deputados brasileiros (1946-1998). Porto Alegre - RS: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, 2000. (seminário 7) http://bit.ly/1eLFE4y
2.        MARTINO, M. DI. A política como profissão: análise da circulação parlamentar na Câmara dos Deputados (1946-2007). São Paulo. Universidade de São Paulo, 2009. (seminário 8) http://bit.ly/1mRhQkc
Referências complementares:
1.        PANEBIANCO, A. Modelos de partido: organização e poder nos partidos políticos. São Paulo: Martins Fontes, 2005, cap. XII: Profissionalismo politico e burocracia.
2.        CODATO, A. A formação do campo político profissional no Brasil: uma hipótese a partir do caso de São Paulo. Revista de Sociologia e Política, v. 16, n. 30, p. 89-105, jun. 2008. http://bit.ly/1bmIGZd
3.        JOANA, J. L’invention du député. Réunions parlementaires et spécialisation de l'activité politique au XIXe siècle. Politix, v. 9, n. 35, p. 23-42, 1996. http://bit.ly/1eYiXc6

11 de abril (Adriano Codato)
Aula 5: As lógicas sociais do recrutamento político
Referências obrigatórias:
1.        GAXIE, D. As lógicas do recrutamento político. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 8, p. 165-208, 2012. (comentário 7) http://bit.ly/1fc1MWy
2.        HUBÉ, Nicolas. Le recrutement social des professionnels de la politique. In: Cohen, A.; Lacroix, B.; e Riutort, P. Nouveau manuel de science politique. Paris: La Découverte, 2009. (comentário 8)
Referências seminários:
1.        GUTTSMAN, W. L. The British Political Elite and the Class Structure. In: Stanworth, Philip e Giddens, Anthony (eds.). Elites and Power in Britsh Society. Cambridge: Cambridge University Press, 1974. (seminário 9)
2.        SAWICKI, F. Classer les hommes politiques. Les usages des indicateurs de position sociale pour la compréhension de la professionnalisation politique. In: OFFERLÉ, M. (Ed.). La profession politique, XIXe-XXe siècle. Paris: Belin, 1999. p. 135-170. (link) (seminário 10)
Referências complementares:
1.        BÉCARUD, J. Noblesse et représentation parlementaire: les députés nobles de 1871 à 1968. Revue française de science politique, v. 23, n. 5, p. 972-993, 1973. http://bit.ly/1fbXui2
2.        CORADINI, O. L. Representação política e de interesses: bases associativas dos deputados federais de 1999-2007. Sociedade e Estado, v. 26, n. 1, p. 197-220, abr. 2011. http://bit.ly/1g9azvs

3.        MATTHEWS, D. R. The Social Background of Political Decision-Makers. New York, NY: Random House, 1962.

II.             UNIDADE - RECRUTAMENTO POLÍTICO, ORIGEM SOCIAL E DIVISÕES IDEOLÓGICAS (três sessões)
25 de abril (Luiz Domingos Costa)
Aula 6: Políticos profissionais, representação e poder legislativo nas democracias estáveis
Referências obrigatórias:
1.        HEDLUND, Ronald D.; PATZELT, Werner J.; OLSON, David M. Capacity Building in Parliaments and Legislatures: Institutionalization, Professionalization and Evolutionary Institutionalism. A paper presented in the Levels of Governance and Public Policies panel, at the International Political Science Association Conference “International Political Science: New Theoretical and Regional Perspectives,” April 30- May 2, 2008, Montreal (Quebec), Canada. (comentário 9) http://bit.ly/1l9vOzE
2.        CAMINO, Iván Mauricio Obando. Legislative Institutionalization: Historical Origins and Analytical Framework. Estudios Políticos, 42, enero-junio 2013, pp. 180-195. (comentário 10) http://bit.ly/1eQa4Tt
Referências seminários:
1.        PATZELT, Werner J. Recruitment and Retention in Western European Parliaments. Legislative Studies Quarterly, v. 24, n. 2 (May, 1999), pp. 239-279. (seminário 11)
2.        Silva Jr., José Alexandre da; Figueiredo Filho, Dalson Britto; Paranhos, Ranulfo; e Rocha, Enivaldo Carvalho da. Quem controla o Legislativo? A ocupação de cargos de comando na Câmara dos Deputados. Revista Paraná Eleitoral, v. 2, n. 2, agosto 2013, pp. 283-308. (seminário 12) http://bit.ly/1hVUnuW
Referências complementares:
SILVA, Rafael Silveira e; ARAUJO, Suely Mara Vaz Guimarães de. Ainda vale a pena legislar: a atuação dos agenda holders no Congresso brasileiro. Revista de Sociologia e Política, vol. 21, n. 48, pp. 19-50, 2013. http://bit.ly/1eiRLa1


9 de maio (Adriano Codato)
Aula 7: Origem profissional da elite política
Referências obrigatórias:
1.        DOGAN, M. Les professions propices à la carrière politique. Osmoses, filières et viviers. In: OFFERLÉ, M. (Ed.). La profession politique: XIXe-XXe siècles. Paris: Belin, 1999. pp. 171-199. (comentário 11)
2.        OFFERLÉ, Michel. Professions et profession politique. In: OFFERLÉ, M. (Ed.). La Profession politique: XIXe-XXe siècles. Paris: Belin, 1999. (comentário 12)
Referências seminários:
1.        BARMAN, R.; BARMAN, J. The Role of the Law Graduate in the Political Elite of Imperial Brazil. Journal of Interamerican Studies and World Affairs, v. 18, n. 4, p. 423-450, 1976. (seminário 13)
2.        CARVALHO, J. M. DE. Political Elites and State Building: The Case of Nineteenth-Century Brazil. Comparative Studies in Society and History, v. 24, n. 3, p. 378–399, 1982. (seminário 14)
Referências complementares:
1.        COTTA, M.; TAVARES DE ALMEIDA, P.; ROUX, C. De serviteurs de l’État à représentants élus: les parlementaires originaires du secteur public en Europe. Pôle Sud, v. 21, n. 1, p. 101-122, 2004. http://bit.ly/1cbdQqt
2.        BRUTUS, F. Les chefs d’entreprise en politique. Pôle Sud, n. 2, p. 158-173, 1995. http://bit.ly/1hSKkac

16 de maio (Adriano Codato)
Aula 8: Divisões ideológicas na elite política
Referências obrigatórias:
1.        ZUCCO JR., C. Esquerda, direita e governo: a ideologia dos partidos políticos brasileiros. In: POWER, T. J.; ZUCCO JR., C. (Eds.). O Congresso por ele mesmo: autopercepções da classe política brasileira. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011. p. 37-60. (comentário 13)
2.        ILONSZKI, Gabriella. Socialist and Communist Members of Parliament: Distinctiveness, Convergence, and Variance. In: COTTA, M.; BEST, H. (eds.). Democratic Representation in Europe: Diversity, Change, and Convergence. New York: Oxford University Press, USA, 2007. (comentário 14)
Referências seminários:
1.        MARENCO DOS SANTOS, A.; SERNA, M. Por que carreiras políticas na esquerda e na direita não são iguais? Recrutamento legislativo em Brasil, Chile e Uruguai. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 22, n. 64, p. 93-113, jun. 2007. (seminário 15) http://bit.ly/1avzpDC
2.        RODRIGUES, L. M. Partidos, ideologia e composição social. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 17, n. 48, p. 31-47, fev. 2002. (seminário 16) http://bit.ly/1dV1BjT
3.        TAROUCO, Gabriela da Silva; MADEIRA, Rafael Machado. Partidos, programas e o debate sobre esquerda e direita no Brasil. Rev. Sociol. Polít., Curitiba, v. 21, n. 45, p. 149-165, mar. 2013. (seminário 17) http://bit.ly/1hs2KO3
Referências complementares:
1.        TAROUCO, G. S. Brazilian Parties According to their Manifestos: Political Identity and Programmatic Emphases. Brazilian Political Science Review, v. 5, p. 54-76, 2011. http://bit.ly/1fbY1R3
2.        LINZ, Juan J.; JEREZ MIR, Miguel and ORTEGA, Carmen. The Extreme Right. In: COTTA, M.; BEST, H. (EDS.). Democratic Representation in Europe: Diversity, Change, and Convergence. New York: Oxford University Press, USA, 2007.

23 de maio (Luiz Domingos Costa)
Aula 9: Entre populares, outsiders e desleais: três teses sobre a composição dos quadros políticos brasileiros
Referências obrigatórias:
1.        MARENCO DOS SANTOS, A. Nas fronteiras do campo político. Raposas e outsiders no Congresso Nacional. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 12, n. 33, p. 87-101, fev. 1997. (comentário 15) http://bit.ly/1filSge
2.        RODRIGUES, L. M. Mudanças na classe política brasileira. São Paulo: PubliFolha, 2006. (comentário 16) http://bit.ly/1eYjYkq
Referências seminários:
1.        SANTOS, F. Câmara dos Deputados e a estrutura de oportunidades políticas no Brasil: alguns apontamentos acerca das eleições de 2010. Cadernos Aslegis, n. 40, p. 109-126, 2010. (seminário 18) http://bit.ly/1l6cLWS
2.        SILVA, R. S. DA. Senado: casa de senhores? Os perfis de carreira dos senadores eleitos entre 1990-2006. Porto Alegre - RS: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2010. (seminário 19) http://bit.ly/1jK9kAU
Referências complementares:
1.        POWER, T. J.; MOCHEL, M. G. Shaping the Brazilian Political Class: Causes and Consequences of Recruitment to the Chamber of Deputies. Canadian Journal of Latin American & Caribbean Studies, v. 34, n. 67, 2009.
2.        COSTA, L. D.; CODATO, A. Profissionalização ou popularização da classe política brasileira? Um perfil dos senadores da República. In: A. Marenco (Ed.); Os eleitos: representação e carreiras políticas em democracias. p. 107–134, 2013. Porto Alegre: Editora da UFRGS. http://bit.ly/1jsVVzD
3.        SILVA JÚNIOR, J. A. DA; FIGUEIREDO FILHO, D. B. Marolas ou tsunamis? O impacto das ondas de renovação sobre a profissionalização dos deputados federais (1999-2003). Revista de Sociologia e Política, v. 20, n. 42, p. 199-212, jun. 2012. http://bit.ly/1jsTxc1

III.            UNIDADE - RECRUTAMENTO POLÍTICO E SELEÇÃO DE CANDIDATOS (duas sessões)
30 de maio (Bruno Bolognesi)
Aula 10: A seleção de candidatos como parte do processo de recrutamento político
Referências obrigatórias:
1.        NORRIS, Pippa. Passages to Power. Legislative recruitment in advanced democracies. Cambridge: Cambridge University Press. 1997. Introdução e capítulo 9. (comentário 17)
2.        GALLAGHER, Michael & MARSH, Michael. Candidate Selection in Comparative Perspectives. The secret garden of politics. London: Sage Publications, 1988. Introduction; pp. 1-19. (comentário 18)
Referências seminários:
1.        CZUDNOWSKI, M. M. Political Recruitment. In: GREENSTEIN, F. I.; POLSBY, N. W. (Eds.). Handbook of Political Science: Micro-political Theory. Reading, Massachusetts: Addison-Wesley, 1975. v. 2, p. 155-242. (seminário 20)
2.        FIELD, B. N.; SIAVELIS, P. M. Candidate Selection Procedures in Transitional Polities: A Research Note. Party Politics, v. 14, n. 5, p. 620-639, 2008. (seminário 21)
Referências complementares:
1.        KATZ, R. S. The Problem of Candidate Selection and Models of Party Democracy. Party Politics, v. 7, n. 3, p. 277-296, 2001.
2.        LUNDELL, K. Determinants of Candidate Selection: The Degree of Centralization in Comparative Perspective. Party Politics, v. 10, n. 1, p. 25-47, 2004.

6 de junho (Bruno Bolognesi)
Aula 11: A seleção de candidatos: método e análise no eixo espaço-tempo
Referências obrigatórias:
1.        RAHAT, G.; HAZAN, R. Y. Candidate Selection Methods: An Analytical Framework. Party Politics, v. 7, n. 3, p. 297-322, 1 May 2001. (comentário 19)
2.        SIAVELIS, Peter & MORGENSTERN, Scott. Reclutamiento e Selección de Candidatos en América Latina. Un marco para análisis. In: FREIDENBERG, Flávia & SAEZ, M. A. Selección de Candidatos, Política Partidista y rendimiento democrático. México: Tribunal Electoral del Distrito Federal, Universidad Federal Autónoma de México e Instituto Ibéroamérica. 2009. (comentário 20)
Referências seminários:
1.        RAHAT, G.; HAZAN, R. Y.; KATZ, R. S. Democracy and Political Parties: On the Uneasy Relationships between Participation, Competition and Representation. Party Politics, v. 14, n. 6, p. 663-683, 2008. (seminário 22)
2.        SAMUELS, D. Political Ambition, Candidate Recruitment, and Legislative Politics in Brazil. In: SIAVELIS, P.; MORGENSTERN, S. (Eds.). Pathways to Power: Political Recruitment and Candidate Selection in Latin America. University Park, PA: Penn State University Press, 2008. p. 76-91. (seminário 23)
Referências complementares:
1.        BRAGA, M. S. S. & BOLOGNESI, Bruno. Dimensões do Processo de Seleção da classe política brasileira: autopercepções dos candidatos à Câmara dos Deputados nas eleições de 2010. In: MARENCO DOS SANTOS, André (org.). Os eleitos. Representação e carreiras políticas em democracias. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2013.
2.        LUCA, M. DE; JONES, M. P.; TULA, M. I. Back Rooms or Ballot Boxes?: Candidate Nomination in Argentina. Comparative Political Studies, v. 35, n. 4, p. 413-436, 2002.


AVALIAÇÃO
O curso está organizado com base em aulas expositivas, seminários e comentários de textos. A cada sessão haverá dois textos de leitura obrigatória. Todos os estudantes devem enviar, ANTES DA AULA INDICADA, por e-mail, questões e comentários sobre os textos apontados como referência obrigatória no programa para o grupo de discussão do curso elites-teoria-e-metodo2014@googlegroups.com. Além disso, haverá outros dois ou três textos que serão objeto de seminário.
Para a avaliação será levada em conta a participação efetiva em sala, os comentários semanais e o desempenho no seminário.

Recursos eletrônicos de pesquisa:
The observatory of social and political elites of Brazil (UFPR) http://observatory-elites.org/
Research Committee on Political Elites (IPSA) http://www.ipsa.org/research-committees/rclist/RC02
WhoRulesAmerica.net, by G. William Domhoff http://www2.ucsc.edu/whorulesamerica/ 
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31 de dezembro de 2013

os porquês do voto obrigatório

[A long line of people wait outside the polling station in the black township of Soweto, in the southwest suburbs of Johannesburg, to vote in South Africa's first all-race elections on April 27, 1994. 
The Big Picture] 


A eficácia de votar
Gazeta do Povo, 31 dez. 2013

Luiz Domingos Costa

Segundo o filósofo da ciência Karl Popper, as Ciências Sociais têm como missão identificar as consequências não intencionais de ações humanas planejadas. Assim, muitas ações pensadas para a obtenção de certos objetivos caminham para resultados não esperados, que produzem estruturas e modos de ação que se perpetuam sistematicamente. Um exemplo é a própria democracia representativa. Quando tentamos retirar o poder das mãos dos príncipes, produzimos os políticos profissionais, eles próprios árduos lutadores pela manutenção do poder.

Essa concepção serve perfeitamente para avaliar um dos bons argumentos a favor da extinção do voto obrigatório. Há argumentos ruins. Especialmente um que domina a discussão no Brasil, consiste em desmerecer a qualidade dos eleitores “desinteressados”. O defeito seria obrigar pessoas sem vontade a tomar uma decisão eleitoral. Todavia, se ignora que o interesse por política é ele próprio produto do tipo contexto socioeconômico e político aos quais os indivíduos estão expostos.

Como qualquer preconceito, o argumento acima difunde o ódio contra os eleitores menos escolarizados, mas ignora evidências básicas. Não existe relação de causa e efeito entre o tipo do voto (se livre ou compulsório) e o nível de democracia e desenvolvimento de um país. Tanto o é que temos voto obrigatório em países apontados como desenvolvidos, tais como Austrália, Bélgica e partes da Suíça; e também temos voto facultativo em países subdesenvolvidos, como Zâmbia, Tailândia e Colômbia.

Por outro lado, o bom argumento a favor do voto facultativo se refere simplesmente à liberdade de escolher participar da comunidade política durante as eleições. Numa sociedade democrática e livre, nada mais justo que o voto seja um ato de livre arbítrio, sem coerção estatal. Temos um objetivo pleno de conotações positivas: aumentar a liberdade e diminuir a interferência estatal na vida individual.

Entretanto, pesquisas da Ciência Política mostram que o comparecimento eleitoral ostensivo – cujo maior propulsor é a obrigatoriedade do voto – produz maior “sentimento de eficácia política” na população como um todo. Esse sentimento é definido como a sensação individual de interferir nos rumos da comunidade, difundindo entre os cidadãos a noção de responsabilidade sobre o destino de sua sociedade. Embora haja outras formas de participação política possíveis, quanto mais pessoas votam de modo regular, mais se obtém sentimento de eficácia política, de que cada um pode contribuir para aprimorar as instituições que organizam e a sociedade em que vivem. Assim é que eleitores aprendem a premiar governos e a punir governos, porque entendem que sua decisão pode definir os passos seguintes de sua comunidade, na qual viverão seus descendentes.

Assim, chegamos a um resultado não intencional nocivo embutido no aumento da liberdade individual: quanto se libera a decisão ao eleitor de comparecer ou não, há a diminuição do contingente de votantes e, consequentemente, menor difusão do sentimento de eficácia política entre a população. Com isso, produziremos indivíduos cínicos para com a sua própria atividade política. “Já que eu não votei, não me importa se as instituições funcionam e se o governo é bom”. De uma intenção libertadora, pode-se produzir resultados não previstos e perversos. A rotinização da abstenção eleitoral (a recusa de participar) pode sabotar o aprendizado que o ato de votar produz no longo prazo.

Luiz Domingos Costa é professor de Ciência Política do Centro Universitário Uninter e pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Sociologia Política Brasileira (NUSP) da UFPR.

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16 de novembro de 2013

a militarização da polícia no brasil

[Manifestação contra o 
Custo de Vida
São Paulo, SP, 1978
Juca Martins. 
Coleção Pirelli Masp] 

Ainda a ditadura militar

Fábia Berlatto

Gazeta do Povo, 12 nov. 2013

São emblemáticas as opiniões registradas por leitores sobre os dados relativos a mortes de civis atribuídas a policiais militares, tema de reportagem da Gazeta do Povo do último domingo. Crenças como a de que a cultura institucional autoritária em plena democracia não importa; de que quanto mais a polícia matar “bandidos”, mais seguros estaremos; de que determinadas categorias de pessoas não têm direitos, por princípio; de que as leis não funcionam e, portanto, a violência está justificada; de que quanto maiores as taxas de crime, mais dura deve ser a abordagem policial.

Essas opiniões formam o arcabouço de crenças que sustenta o drama público que é nosso modelo de polícia. Some-se a isso a preocupação dos comandantes em conservar a autonomia institucional das policias militares diante de controles democráticos. Temos a receita ideal: uma polícia violenta para uma sociedade violenta. Mas essa questão deve ser pensada num registro mais específico: o da militarização das condutas e dos valores da instituição policial no Brasil.

O prejuízo em manter uma polícia militarizada não ocorre apenas para aqueles que depositam na força repressiva toda a expectativa por segurança. A divisão de poder e privilégios entre oficiais e praças (herança histórica do status de nobreza usufruído pelos oficiais do Exército, e que é só mais um reflexo das hierarquias da sociedade brasileira) é um fardo pesado para os profissionais que estão na base da pirâmide policial.

Os regulamentos que incidem sobre as condutas policiais são extremamente arcaicos, uma vez que estão baseados no Regulamento Disciplinar do Exército. Há uma incompatibilidade evidente dessas normas com a Constituição de 1988. À vinculação e subordinação com o Exército através da Inspetoria Geral das Polícias Militares soma-se ainda a necessidade de manutenção de estruturas físicas enormes. Fazer funcionar um quartel exige dos policiais a execução de diversas atividades alheias ao policiamento.

Essas características tornam o trabalho do praça um trabalho precário. Além de tudo, na condição de militares, estão proibidos de se sindicalizarem e de reivindicarem melhores salários. Tudo é visto, porque se trata de uma organização militar, como insubordinação. A manutenção de uma Justiça especializada restringe drasticamente processos judiciais transparentes. Temos, assim, que o policial militar não é considerado um cidadão, nem sequer um indivíduo. O treinamento pelo qual passam tem por objetivo anular sua individualidade para o cumprimento cego de ordens. Violências e humilhações são tidas como normais e necessárias na pedagogia militar. Por isso é que os próprios policiais militares desejam mudanças no desenho atual da instituição. É o que aponta o relatório O que pensam os profissionais de segurança pública (Senasp, 2009).

Os níveis de violência empregados por policiais são, em grande medida, fruto de uma instituição que se esmera em construir uma cultura profissional pautada na guerra e em noções éticas que dignificam essa causa. Isto permite (ou exige) que seus membros cometam atos de violência em nome da defesa da pátria, da instituição, da sociedade. É a militarização das concepções, das ordenações, das práticas e dos valores, o que impossibilita as instituições policiais de lidar com a população de outra forma que não através do uso irracional e desmesurado da força.

Fábia Berlatto é cientista social.
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14 de outubro de 2013

III workshop nusp/ufpr

[fundos do Copan
Oscar Niemeyer
São Paulo] 






programação

2013, outubro, 24
manhã
8hs 30min. Palestra: Apresentação dos bancos de dados do nusp (luiz domingos costa)

9hs 30min.
Notas metodológicas sobre o uso de um instrumento de pesquisa – prodasen (paula matoski butture e ana paula lopes ferreira)

10hs.
Uma análise decisória do tribunal de justiça do paraná (cíntia leal)
Análise do processo de institucionalização do supremo tribunal federal e do superior tribunal de justiça de 1964 a 2012 (thâmara tavares)
Os agentes da economia chilena: o estudo sobre os chicago boys e o monjes da cieplan (felipe alejandro)

tarde
14hs 30min
Engajamento e militância associativa enquanto recurso político: o caso dos senadores brasileiros entre 1986 e 2010 (dhyeisa rossi)
Os representantes do pmdb no mato grosso do sul (tiago leme)

2013, outubro, 25
manhã
9hs. Palestra: Análise de redes sociais e financiamento político (rodrigo horochovski)

10hs.
Prefeitos no nordeste: o que realmente importa para se tornar chefe do poder executivo nos municípios nordestinos (paulo franz)
Sucesso eleitoral nas eleições municipais de 2012 no estado de são paulo e suas variáveis condicionantes (mariana lorencetti)
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8 de setembro de 2013

codificando profissões em estudos de elites políticas

[Marcel Gautherot,
Brasília - DF] 



Codificando profissões em estudos de elites políticas: uma discussão metodológica e tipológica 

Luiz Domingos Costa (NUSP/UFPR; Uninter)
Adriano Codato (NUSP/UFPR)
Lucas Massimo (NUSP/UFPR)

setembro 2013

Paper apresentado no Colóquio Elites em diferentes escalas: teoria e metodologia no estudo de grupos dirigentes - Curitiba, 12 e 13 setembro de 2013.

Resumo:

O paper propõe uma discussão metodológica sobre definição, classificação e mensuração das posições sociais das elites políticas parlamentares. Para tanto, apresenta diferentes estratégias teórico-metodológicas para enquadrar a variável “ocupação prévia à carreira política”, e sugere a pertinência de conjugar mais de um indicador para essa mensuração. Sustenta-se que as transformações no recrutamento político brasileiro podem ser mais bem apreendidas por meio de uma tipologia que leve em conta, ao mesmo tempo, dimensões sociais e políticas dos parlamentares. O paper testa dois modelos de codificação de ocupações em duas bases de dados: a primeira, sobre os senadores eleitos no Brasil entre 1918 e 2010, procura avaliar as alterações na forma como cada codificação de ocupações capta mudanças sócio-políticas em longas séries temporais. Além desta, também são utilizados dados sobre candidatos à deputado federal em 2006 para simular o rendimento das classificações ocupacionais convencionais. Por fim o paper apresenta uma proposta de classificação inédita, resultado de uma tipologia indutiva, que seja capaz de assimilar variações nos valores que as ocupações assumem ao longo da história.

Palavras-chave: profissões, carreira política, políticos profissionais, critérios de classificação de profissões.


para baixar o paper
clique aqui
[Scribd.]

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27 de agosto de 2013

programa de curso: política brasileira (ufpr 2/2013)

[Construção do 
Palácio do Congresso Nacional 
em 1958.
Marcel Gautherot]


Objetivos:
O objetivo do curso é revisitar as interpretações clássicas da Sociologia Política e da Ciência Política brasileiras sobre a política nacional num período que vai do II Império aos anos 1990. Para isso, foram selecionados onze livros que constituem as referências mais básicas da área de estudos. A orientação é que se leiam os livros por inteiro. Cada uma das obras está no princípio de um debate importante ou inaugurou uma área de investigação da Ciência Política/Sociologia Política no Brasil. A ideia é refazer este debate procurando mostrar seus desdobramentos e sua repercussão na discussão mais contemporânea. A bibliografia complementar é meramente indicativa, limitada a apenas cinco referências e será complementada a cada aula. Selecionei apenas textos de fácil acesso para cada referência básica.

Esquema do curso:
Serão 12 encontros ao longo de 12 semanas. A cada encontro haverá um seminário (em equipes de dois ou três estudantes, com dois ou três debatedores), a cargo dos estudantes matriculados regularmente (no mestrado em Ciência Política; ou no Programa de Mestrado/Doutorado em Políticas Públicas, etc.); e uma aula expositiva, a cargo do professor.
A aula poderá ser tanto introdutória aos temas a serem discutidos, antes do seminário, portanto; quanto complementar ao seminário e dada na sequência.
Para os seminários, os livros deverão ser lidos integralmente pelos expositores (uma equipe) e debatedores (outra equipe).

TODOS OS OUTROS ESTUDANTES que não estiverem escalados para o seminário (isto é, todos aqueles que não forem os expositores e os debatedores daquela sessão) deverão ler as partes de cada livro selecionadas e indicadas pelo professor e enviar, para a lista de discussão do curso, seus comentários (questoes, idéias, dúvidas) até às segundas-feiras, às 14 hs.

Send email to this group: polbras2013@googlegroups.com

Unidade I:
A ORDEM POLÍTICA BRASILEIRA: FUNDAMENTOS HISTÓRICOS
Nº de Encontros:
três
3 de setembro

         I.            Elites políticas e formação do Estado nacional

Bibliografia obrigatória
José Murilo de Carvalho, A construção da ordem. (seminário; aula)
Comentários: pp. 11 a 180.

Bibliografia complementar
BARMAN, R.; BARMAN, J. The Role of the Law Graduate in the Political Elite of Imperial Brazil. Journal of Interamerican Studies and World Affairs, v. 18, n. 4, p. 423–450, 1976.
CARVALHO, J. M. DE. Political Elites and State Building: The Case of Nineteenth-Century Brazil. Comparative Studies in Society and History, v. 24, n. 3, p. 378–399, 1982.
FLORY, T. Judicial Politics in Nineteenth-Century Brazil. The Hispanic American Historical Review, v. 55, n. 4, p. 664–692, 1975.
LOVE, J. L.; BARICKMAN, B. J. Rulers and Owners: A Brazilian Case Study in Comparative Perspective. The Hispanic American Historical Review, v. 66, n. 4, p. 743–765, 1986.
PANG, E.-S.; SECKINGER, R. L. The Mandarins of Imperial Brazil. Comparative Studies in Society and History, v. 14, n. 2, p. 215–244, 1972.
10 de setembro
         I.            Poder local versus poder nacional
Bibliografia obrigatória
Victor Nunes Leal, Coronelismo, enxada e voto. (seminário; aula)
Comentários: pp. 9 a 54 e 69 a 113.

Bibliografia complementar
CARNEIRO, L. P.; ALMEIDA, M. H. T. DE. Definindo a arena política local: sistemas partidários municipais na federação brasileira. Dados, v. 51, n. 2, p. 1–24, 2008. http://bit.ly/13ZjjcG
CARVALHO, J. M. de. Mandonismo, coronelismo, clientelismo: uma discussão conceitual. Dados, v. 40, n. 2, p. 20–21, 1997. http://bit.ly/13ZixfD
FARIAS, F. P. DE. Clientelismo e democracia capitalista: elementos para uma abordagem alternativa. Revista de Sociologia e Política, n. 15, p. 49–66, nov. 2000. http://bit.ly/13Zj1Ck
LIMONGI, F. Eleições e democracia no Brasil: Victor Nunes Leal e a transição de 1945. Dados, v. 55, n. 1, p. 37–69, 2012. http://bit.ly/19T7exx
SANTOS, A. M. DOS. Topografia do Brasil profundo: votos, cargos e alinhamentos nos municípios brasileiros. Opinião Pública, v. 19, n. 1, p. 1–20, jun. 2013. http://bit.ly/19T6s3I
SANTOS, W. G. DOS. O sistema oligárquico representativo da Primeira República. Dados, v. 56, n. 1, p. 9–37, 2013. http://bit.ly/1fcdI7E


17 de setembro
        II.            Corporativismo, pluralismo e regionalismo
Bibliografia obrigatória
Simon Schwartzman, As bases do autoritarismo brasileiro. (seminário; aula)
Comentários: pp. 19 a 57 e 181 a 258.

Bibliografia complementar
CODATO, A. A formação do campo político profissional no Brasil: uma hipótese a partir do caso de São Paulo. Revista de Sociologia e Política, v. 16, n. 30, p. 89–105, jun. 2008. http://bit.ly/1fce4v1
PERISSINOTTO, Renato M. Estado, capital cafeeiro e crise política em São Paulo na década de 1920. The Hispanic American Historical Review, New Haven, v. 80, n.2, p. 299-332, 2000.
REIS, Fábio Wanderley. As eleições e o problema institucional (2): a revolução é a geral cooptação. Dados, v. 14, p. 185-200, 1977.
WOODARD, J. P. A Place in Politics: São Paulo, Brazil, from Seigneurial Republicanism to Regionalist Revolt. Durham, NC; London: Duke University Press, 2009.
WOODARD, J. P. History, Sociology and the Political in São Paulo, Brazil. Journal of Latin American Studies, v. 37, n. 2, p. 333–349, 2005.

Unidade II:
ANÁLISES CLASSISTAS DA POLÍTICA BRASILEIRA
Nº de Encontros:
quatro
1 de outubro
      III.            Burguesia e revolução
Bibliografia obrigatória
Boris Fausto, A Revolução de 1930. (seminário; aula)
Comentários: pp. 7-73 e p. 116-151.

Bibliografia complementar
CAMPOS, F. O Estado nacional: sua estrutura; seu conteúdo ideológico. Rio de Janeiro: José Olympio, 1940.
DRAIBE, Sônia. Rumos e metamorfoses: um estudo sobre a constituição do Estado e as alternativas da industrialização no Brasil, 1930-1960. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.
FAUSTO, Boris. Estado, Classe trabalhadora e burguesia industrial (1920 - 1945): uma revisão. Novos Estudos Cebrap, n° 20, março de 1988. p. 6-37.
LEOPOLDI, Maria Antonieta P. Política e interesses: as associações industriais, a política econômica e o Estado na industrialização brasileira. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
MARTINS, Luciano. A revolução de 1930 e seu significado político. In: CPDOC/FGV. A revolução de 1930: seminário internacional. Brasília: Ed. UnB, 1983, p. 669-689.
VIANNA, L. W. Caminhos e descaminhos da revolução passiva à brasileira. Dados, v. 39, n. 3, 1996. http://bit.ly/14sOosL


8 de outubro
     IV.            As camadas médias e participação política
Bibliografia obrigatória
Décio Saes, Classe média e sistema político no Brasil. (seminário; aula)
Comentários: pp. 27-150.

Bibliografia complementar
BRESSER-PEREIRA, L. C. Capitalismo dos técnicos e democracia. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 20, n. 59, p. 133–148, out. 2005. http://bit.ly/1aFOIbv
CODATO, A. Classes dirigentes e fórmula política: afinidades eletivas entre o liberalismo e o autoritarismo no Brasil. In: ALMEIDA, João Ferreira de; SILVA, Manuel Carlos; AGUIAR, João Valente. (Org.). Classes sociais e processos de identificação cultural. Famalicão (Portugal): Humus, 2013, p. 221-245.
SCALON, C.; SALATA, A. Uma nova classe média no Brasil da última década?: o debate a partir da perspectiva sociológica. Sociedade e Estado, v. 27, n. 2, p. 387–407, ago. 2012. http://bit.ly/1aFNZaj
TRÓPIA, P. V. Sindicalismo comerciário: retaguarda e conservadorismo político. Cadernos Arquivo Edgard Leuenroth (UNICAMP), v. 12-13, p. 73-114, 2000. http://bit.ly/18Dex5T


15 de outubro
      V.            O proletariado brasileiro
Bibliografia obrigatória
Angela M. de Castro Gomes, A invenção do trabalhismo. (seminário; aula)
Comentários: pp. 189-287.

Bibliografia complementar
CARDOSO, A. Uma utopia brasileira: Vargas e a construção do estado de bem-estar numa sociedade estruturalmente desigual. Dados, v. 53, n. 4, p. 775–819, 2010. http://bit.ly/1fcfiq4
MARCONDES FILHO, Alexandre. Trabalhadores do Brasil! Palestras do Ministro Marcondes Filho na Hora do Brasil, em 1942. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 1943.
PARANHOS, Adalberto. O roubo da fala: origens da ideologia do trabalhismo no Brasil. São Paulo: Boitempo, 1999.
SAES, D. A. M. DE. A questão da evolução da cidadania política no Brasil. Estudos Avançados, v. 15, n. 42, p. 379–410, ago. 2001. http://bit.ly/1aFOlNV


22 de outubro
     VI.            O povo na política nacional
Bibliografia obrigatória
Francisco Weffort, O populismo na política brasileira. (seminário; aula)
Comentários: pp. 15-121.

Bibliografia complementar
FERREIRA, Jorge. O nome e a coisa: o populismo na política brasileira. In: FERREIRA, J. (org), O populismo e sua história: debate e crítica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001, p. 59-124.
JAGUARIBE, Hélio. Que é o ademarismo? Cadernos do Nosso Tempo, n. 2, jan.-jun. 1954.
LEVINE, Robert M. Pai dos pobres? O Brasil e a era Vargas. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
MIGUEL, L. F. O representante como protetor: incursões na representação política “vista de baixo.” Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 27, n. 79, p. 31–47, jun. 2012. http://bit.ly/19T450F
SAES, Décio. A reemergência do populismo no Brasil e na América Latina. In: Evelina Dagnino (org.), Anos 90: política e sociedade no Brasil. São Paulo, Brasiliense, 1994.
TERRON, S. L.; SOARES, G. A. D. As bases eleitorais de Lula e do PT: do distanciamento ao divórcio. Opinião Pública, v. 16, n. 2, p. 310–337, nov. 2010. http://bit.ly/1aFRA89



Unidade III:
ESTADO E REPRESENTAÇAO DE INTERESSES NO BRASIL
nº de encontros:
um
5 de novembro
   VII.            Estado, burocracia e formas de representação de interesses
Bibliografia obrigatória
Luciano Martins, Estado e burocracia no Brasil pós-64. (seminário; aula)
Comentários: pp. 41-82 e p. 195-239.

Bibliografia complementar
CARDOSO, Fernando Henrique. Autoritarismo e democratização. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975.
DINIZ, Eli. Engenharia institucional e políticas públicas: dos conselhos técnicos às câmaras setoriais. In: PANDOLFI, Dulce D. (org.). Repensando o Estado Novo. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1999.
LOUREIRO, M. R.; ABRUCIO, F. L. Política e burocracia no presidencialismo brasileiro: o papel do Ministério da Fazenda no primeiro governo Fernando Henrique Cardoso. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 14, n. 41, p. 69–89, out. 1999. http://bit.ly/1fceWQl
NUNES, Edson. A gramática política do Brasil: clientelismo e insulamento burocrático. Rio de Janeiro: ENAP/Jorge Zahar, 1997.
OLIVIERI, C. Política, burocracia e redes sociais: as nomeações para o alto escalão do Banco Central do Brasil. Revista de Sociologia e Política, n. 29, p. 147–168, nov. 2007. http://bit.ly/14SOJBr
SCHMITTER, Philippe C. Interest Conflict and Political Change in Brazil. Stanford: Stanford University Press, 1971.
SCHNEIDER, Ben Ross. Burocracia pública e política industrial no Brasil. São Paulo, IDESP/Editora Sumaré, 1994.


Unidade IV:
ANÁLISES INSTITUCIONAIS DA POLÍTICA BRASILEIRA
nº de encontros:
três
12 de novembro
  VIII.            A formação dos partidos nacionais no pós-1946 e sua dinâmica contemporânea
Bibliografia obrigatória
Maria do Carmo Campello de Souza, Estado e partidos políticos no Brasil (1930-1964). (seminário; aula)
Comentários: pp. 63-168.

Bibliografia complementar
BOLOGNESI, B. A seleção de candidaturas no DEM, PMDB, PSDB e PT nas eleições legislativas federais brasileiras de 2010: percepções dos candidatos sobre a formação das listas. Revista de Sociologia e Política, v. 21, n. 46, p. 45–68, jun. 2013. http://bit.ly/14YXk5K
BRAGA, M. DO S. S.; PIMENTEL JR, J. Os partidos políticos brasileiros realmente não importam? Opinião Pública, v. 17, n. 2, p. 271–303, nov. 2011. http://bit.ly/19T7vR3
LIMA JR., Olavo Brasil. (1983), Partidos políticos brasileiros. A experiência federal e regional: 1945/64. Rio de Janeiro, Graal.
MAINWARING, Scott. Rethinking party systems in the third wave of democratization. The case of Brazil. Stanford, Stanford University Press, 1999.
REIS, F. W. Identidade política, desigualdade e partidos brasileiros. Novos Estudos - CEBRAP, n. 87, p. 61–75, jul. 2010. http://bit.ly/18frx1o
SOARES, G. A. D. Sociedade e política no Brasil. Desenvolvimento, classe e política durante a Segunda República. São Paulo: Difel, 1973.



19 de novembro
      IX.            Crises e rupturas do sistema político
Bibliografia obrigatória
Wanderley G. dos Santos, O cálculo do conflito: estabilidade e crise na política brasileira. (seminário; aula)
Comentários: pp. 27-47; e 201-302.

Bibliografia complementar
FICO, Carlos. Versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 24, n. 47, pp. 29-60, 2004. http://bit.ly/19T7KLO
FIGUEIREDO, Argelina Cheibub. Democracia ou reformas? Alternativas democráticas à crise política: 1961-1964. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993.
FIGUEIREDO, Argelina e LIMONGI, Fernando. (1999), Executivo e Legislativo na nova ordem constitucional. São Paulo, Ed. da FGV.
LIMONGI, F. Presidencialismo, coalizão partidária e processo decisório. Novos Estudos - CEBRAP, n. 76, nov. 2006. http://bit.ly/19T6ZCB



26 de novembro
       X.            Partidos, eleições, políticos e dinâmica político-institucional no pós-1988
Bibliografia obrigatória
Gláucio Ary Dillon Soares, A democracia interrompida. (seminário; aula)
Comentários: pp. 65-238.

Bibliografia complementar
AMES, Barry. A democracia brasileira: uma democracia em xeque. In: ABREU, Alzira Alves (org.). Transição em fragmentos: desafios da democracia no final do século XX. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2001, p. 45-72.
CERVI, E. U. Produção legislativa e conexão eleitoral na assembleia legislativa do estado do Paraná. Revista de Sociologia e Política, v. 17, n. 32, p. 159–177, fev. 2009. http://bit.ly/14YTZDG
MAINWARING, Scott. Políticos, partidos e sistemas eleitorais: o Brasil numa perspectiva comparada. Novos Estudos Cebrap, São Paulo, 29, março 1991.
PALERMO, Vicente. Como se governa o Brasil? O debate sobre instituições políticas e gestão de governo. Dados, Rio de Janeiro, v. 43, n. 3, 2000. http://bit.ly/19T86Ce
RODRIGUES, L. M. Partidos, ideologia e composição social. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 17, n. 48, p. 31–47, fev. 2002. http://bit.ly/18fseaY
SINGER, A. Raízes sociais e ideológicas do lulismo. Novos Estudos - CEBRAP, n. 85, p. 83–102, 2005. http://bit.ly/14SOk1W
VEIGA, L. F. O partidarismo no Brasil (2002/2010). Opinião Pública, v. 17, n. 2, p. 400–425, nov. 2011. http://bit.ly/14YX32G





Avaliação:

Será preciso ler, no todo ou em parte, os onze livros referidos na bibliografia obrigatória.

A cada livro o estudante deverá enviar, individualmente, questões e comentários semanais antes da respectiva aula expositiva/seminário. Esta é uma parte da nota.

Send email to this group: polbras2013@googlegroups.com

Dois ou três estudantes formarão um time que deverá apresentar um seminário.
O seminário consistirá na exposição de um dos livros indicados.
Esta será a segunda parte da nota. Haverá também um time de debatedores formado por dois ou três estudantes.
Apresentadores e debatedores devem entregar um relatório da leitura do livro objeto do seminário no dia do seminário.

Ao final, todos os estudantes devem escrever um ensaio discutindo e relacionando no mínimo dois livros (e que sejam – obrigatoriamente – diferentes dos livros apresentados/debatidos nos seus respectivos seminários).


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11 de agosto de 2013

O velho Senado, Machado de Assis

[Palácio Monroe
Rio de Janeiro] 


A PROPÓSITO de algumas litografias de Sisson, tive há dias uma visão do Senado de 1860. Visões valem o mesmo que a retina em que se operam. Um político, tornando a ver aquele corpo, acharia nele a mesma almados seus correligionários extintos, e um historiador colheria elementos para a história. Um simples curioso não descobre mais que o pinturesco do tempo e a expressão das linhas com aquele tom geral que dão as coisas mortas e enterradas.

Nesse ano entrara eu para a imprensa. Uma noite, como saíssemos do teatro Ginásio, Quintino Bocaiúva e eu fomos tomar chá. Bocaiúva era então uma gentil figura de rapaz, delgado, tez macia, fino bigode e olhos serenos. Já então tinha os gestos lentos de hoje, e um pouco daquele ar distant que Taine achou em Mérimée. Disseram coisa análoga de Challemel-Lacour, que alguém ultimamente definia como très républicain de conviction et très aristocrate de tempérament. O nosso Bocaiúva era só a segunda parte, mas já então liberal bastante para dar um republicano convicto. Ao chá, conversamos primeiramente de letras, e pouco depois de política, matéria introduzida por ele, o que me espantou bastante; não era usual nas nossas práticas. Nem é exato dizer que conversamos de política, eu antes respondia às perguntas que Bocaiúva me ia fazendo, como se quisesse conhecer as minhas opiniões. Provavelmente não as teria fixas nem determinadas; mas, quaisquer que fossem, creio que as exprimi na proporção e com a precisão apenas adequadas ao que ele me ia oferecer. De fato, separamo-nos com prazo dado para o dia seguinte, na loja de Paula Brito, que era na antiga praça da Constituição, ao lado do teatro São Pedro, a meio caminho das ruas do Cano e dos Ciganos. Relevai esta nomenclatura morta; é vício de memória velha. Na manhã seguinte, achei ali Bocaiúva escrevendo um bilhete. Tratava-se do Diário do Rio de Janeiro, que ia reaparecer, sob a direção política de Saldanha Marinho. Vinha dar-me um lugar na redação com ele e Henrique César Múzio.

Estas minudências, agradáveis de escrever, sê-lo-ão menos de ler. É difícil fugir a elas, quando se recordam coisas idas. Assim, dizendo que no mesmo ano, abertas as câmaras, fui para o Senado, como redator do Diário do Rio, não posso esquecer que nesse ou no outro ali estiveram comigo, Bernardo Guimarães, representante do Jornal do Commercio, e Pedro Luís, por parte do Correio Mercantil, nem as boas horas que vivemos os três. Posto que Bernardo Guimarães fosse mais velho que nós, partíamos irmãmente o pão da intimidade. Descíamos juntos aquela praça da Aclamação, que não era então o parque de hoje, mas um vasto espaço inculto e vazio como o campo de São Cristóvão. Algumas vezes íamos jantar a um restaurante da rua dos Latoeiros, hoje Gonçalves Dias, nome este que se lhe deu por indicação justamente do Diário do Rio; o poeta morara ali outrora, e foi Múzio, seu amigo, que pela nossa tolha o pediu à Câmara Municipal. Pedro Luís não tinha só a paixão que pôs nos belos versos à Polônia e no discurso com que, pouco depois, entrou na Câmara dos Deputados, mas ainda a graça, o sarcasmo, a observação fina e aquele largo riso em que os grandes olhos se faziam maiores. Bernardo Guimarães não falava nem ria tanto, incumbia-se de pontuar o diálogo com um bom dito, um reparo, uma anedota. O Senado não se prestava menos que o resto do mundo à conversação dos três amigos.
[Machado de Assis]

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Estud. av. vol.23 no.67 São Paulo  2009
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30 de julho de 2013

profissionalização ou popularização da classe política brasileira? um perfil dos senadores da República

[Palácio do Itamaraty, 
Oscar Niemeyer 1965.
Brasília DF / Foto: 
Marcel Gautherot] 


Referência:

COSTA, Luiz Domingos; CODATO, Adriano. Profissionalização ou popularização da classe política brasileira? Um perfil dos senadores da República. In: André Marenco (org.). Os Eleitos. Representação e carreiras políticas em democracias. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2013, p. 107-134.

O objetivo deste capítulo é comparar alguns achados disponíveis na literatura nacional sobre a trajetória política e a ocupação profissional de deputados federais para o caso específico dos senadores. Nosso experimento leva em consideração, ao lado de outras fontes, uma base de dados relativamente ampla sobre o Senado (240 indivíduos) num intervalo de tempo considerável: 1986-2010. Na primeira e na segunda seções resumimos algumas análises sobre o processo de recrutamento parlamentar no Brasil focados na Câmara dos Deputados, realçando a dificuldade de comunicação entre elas e, sobretudo, a baixíssima capacidade de, em função dos respectivos achados, se estabelecer uma proposição geral que contemple processos intimamente relacionados, dentre os quais a magnitude da experiência política dos congressistas, as altas taxas de circulação das elites no Legislativo e a transformação do perfil social do pessoal político do país. Na terceira e quarta seções procuramos verificar se o que já se sabe sobre a Câmara Federal vale também para o Senado da República. Ou se, nesse caso, o tempo e o tipo de carreira, aliados aos perfis sociais e políticos dos senadores são um tanto diferentes.

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