artigo recomendado


Franz, Walter F. Nique. (2016). Aderentes e militantes: a participação político-partidária na era do Partido Cartel. Revista de Sociologia e Política, 24(60), 91-113. https://dx.doi.org/10.1590/1678-987316246004.
O artigo analisa o estado da arte da literatura sobre as transformações nas formas de participação político-partidária produzida nas últimas décadas. Dois objetivos principais guiam nossa argumentação: (i) fornecer um panorama de referência que possa contribuir ao desenvolvimento de pesquisas sobre esta temática e (ii) atenuar a segmentação que caracteriza as distintas correntes analíticas. Revisando trabalhos publicados em revistas e livros anglo-saxões e franceses, comparamos suas problemáticas, as questões teóricas subjacentes, bem como os métodos de administração da prova utilizados. Destarte, identificamos a estruturação de dois campos de produção politológica que se comunicam pouco. De um lado, uma tradição “Political Science”, mainstream, cujos estudos privilegiam uma abordagem sistêmica e comparada, apoiando-se em uma demonstração fundamentalmente estatística. De outro lado, uma tradição “Sociologie Politique” desenvolvida na França e cuja perspectiva de análise é internacionalmente pouco conhecida. Influenciadas pelo paradigma interacionista, suas pesquisas empregam o método sócio-etnográfico e redirecionam o foco de análise aos níveis meso e micro social. Fazendo um balanço crítico das principais contribuições de ambas as vertentes, apontamos algumas tendências atuais observadas pelos especialistas. Insistimos, particularmente, no potencial heurístico oferecido pelo enfoque da Sociologia Política para agregar novos elementos para a compreensão deste fenômeno.
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19 de maio de 2009

a sociologia histórico-comparada de Reinhard Bendix


[Brandenburg Gate from East Berlin side.
East Berlin, Germany, 1954.
Thomas D. Mcavoy. Life]


*por Pedro Leonardo Medeiros (NUSP/UFPR)

A sociologia histórico-comparada de Reinhard Bendix é representada principalmente por três obras: Work and Authority in Industry, publicado em 1956; Nation-Building and Citizenship, de 1964; e Kings or People, este de 1978. Conforme têm salientado mais de um analista, esses três trabalhos podem ser analisados como um continuum, em que “a ênfase na singularidade das experiências históricas se acentua em detrimento de uma preocupação com as generalizações” (REIS, 1996, p. 18).

Em Work and Authority in Industry (comprar aqui), o objeto de estudo são os discursos de legitimação da disciplina fabril, na Rússia, Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos. O objetivo de Bendix, nessa obra, é o de encarar as ideologias empresarias da industrialização como “respostas variáveis ao problema funcional da necessidade de disciplinar o trabalho” ou, de maneira mais ampla, “ao problema mais básico da legitimação da autoridade pública ou privada, da burocratização do trabalho e, no limite, do equacionamento do problema da liberdade” (ibidem, p. 18).

Construção nacional e cidadania (Nation-Building and Citizenship comprar), a segunda obra dessa “trilogia” de sociologia histórico-comparada, parte do mesmo princípio de Work and Authority: estabelecer uma questão universal (ou, pelo menos, uma questão que se impõe a diversas sociedades) para, daí, descobrir as respostas particulares que os diferentes agrupamentos humanos lhe deram (sempre em função, é claro, de suas especificidades culturais, de sua “tradição”). Confronta-se, para isso, pares de casos contrastantes: Europa ocidental e Rússia; Japão e Alemanha; além da Índia, como exemplo da singularidade e do peso das condições históricas na especificação de um processo geral ou universal.

O objetivo maior, nesse trabalho, é o de “apresentar uma alternativa mais satisfatória às versões francamente evolucionistas do processo de modernização”, salientando que “toda e qualquer sociedade combina de forma singular o tradicional e o moderno”, e forçando, assim, o conceito de “desenvolvimento” ou “modernização” a ser construído como um tipo ideal (ibidem, p. 20).

Em Kings or People (comprar aqui), os objetivos da comparação tornam-se ainda mais individualizadores: trata-se, seguindo o modelo weberiano nas análises sobre a singularidade ocidental, de saber “por que no Ocidente teve lugar originalmente a substituição da autoridade dinástica pela soberania popular” (ibidem, p. 21). A grande questão geral, como nos trabalhos anteriores, continua sendo a da legitimação da ordem social – neste caso, da autoridade pública –, enfocando a singularidade das sociedades ocidentais em relação às demais, no que diz respeito à resposta que deram àquela grande questão.

*Pedro Leonardo Medeiros é mestrando em Ciência Política na UFPR.

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