artigo recomendado


Sergio Simoni Junior, Rafael Moreira Dardaque, Lucas Malta Mingardi. A elite parlamentar brasileira de 1995 a 2010: até que ponto vai a popularização da classe política? Colombia Internacional, n. 87, p. 109-143, maio-ago. 2016 .
O objetivo deste artigo é debater a tese da popularização do perfil social dos parlamentares brasileiros buscando ressaltar que a literatura, ao ignorar a assimetria de poder institucional entre os legisladores, pode apresentar um viés no seu diagnóstico sobre as características da representação política no Brasil.
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1 de agosto de 2012

verbete "individualismo metodológico"

[fotografia: Rafael Bertelli
Curitiba, Brasil.
15 fev. 2012]

Adriano Codato

O “individualismo metodológico” é ao mesmo tempo um método heurístico e uma postura intelectual. Ele sustenta que qualquer explicação adequada sobre o mundo social deve estar baseada no indivíduo – em seus objetivos, suas concepções, suas ações, suas escolhas, isto é, em seu comportamento real – e não sobre instituições sociais ou padrões regulares de interação, simbolizados por categorias coletivas e abstratas tais como as Classes, o Estado, o Partido, o Sindicato, etc. Os fenômenos macrossociais, como mudanças significativas nos costumes de uma sociedade, sempre podem (e na realidade devem) ser reduzidos às microrrelações individuais. A única causa efetiva dos fenômenos sociais, sejam eles estruturas permanentes ou processos de transformação histórica, é constituída pela ação dos indivíduos. Ela é “a unidade elementar da vida social” (Elster, 1994, p. 29).

O autor fundamental para esse paradigma é Max Weber (1864-1920). Weber estabeleceu em Economia e Sociedade (1922) que compreender uma ação social só é possível quando compreendemo-la “na forma de comportamento de um ou vários indivíduos” (Weber, 1984, p. 12). Essa postura tem a grande vantagem de evitar a personificação dos coletivos, como nas sentenças ‘a classe operária deseja...’, ‘as instituições impõem...’, ‘o capital financeiro considera...’. Claro está que essa sociologia não pode ignorar o uso de conceitos coletivos (Família, Nação, Corporação Militar, etc.). Mas seu emprego “refere-se exclusivamente a determinado desenvolvimento da ação social de alguns indivíduos” (Weber, 1984, p. 12).

Essa não é, note bem, uma explicação psicológica. O foco não está nos estados mentais (crenças, preferências, desejos) dos indivíduos considerados isoladamente, em si mesmos, mas nas relações entre eles. Por isso essa é uma concepção interacionista da sociedade e não atomista (isto é, que toma os indivíduos como “átomos” isolados e, nesse sentido preciso, como o princípio e o fim da investigação social).

[continua...]

Referência:

CODATO, A. INDIVIDUALISMO METODOLÓGICO. In: NOGUEIRA, Marco Aurélio; DI GIOVANI, Geraldo (orgs.). Dicionario FUNDAP de Políticas Públicas. São Paulo: FUNDAP, 2012 (no prelo).
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