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Sergio Simoni Junior, Rafael Moreira Dardaque, Lucas Malta Mingardi. A elite parlamentar brasileira de 1995 a 2010: até que ponto vai a popularização da classe política? Colombia Internacional, n. 87, p. 109-143, maio-ago. 2016 .
O objetivo deste artigo é debater a tese da popularização do perfil social dos parlamentares brasileiros buscando ressaltar que a literatura, ao ignorar a assimetria de poder institucional entre os legisladores, pode apresentar um viés no seu diagnóstico sobre as características da representação política no Brasil.
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14 de maio de 2009

o estudo da ideologia (como conceito) e das ideologias (como práticas)


[Artemide Dioscuri Tavolo.

http://www.traumambiente.de]

Abaixo uma mensagem do colega Fernando Leite, do NUSP e do Mestrado em Sociologia da UFPR, a propósito dos problemas implicados na definição e no estudo da ideologia (como conceito) e das ideologias (como práticas).

Adriano Codato.


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O grande problema de tratar dessa questão (definição e explicação do que é "ideologia" e das principais doutrinas da era moderna) começa com o fato de os próprios termos serem parte do fenômeno político.

É como se nós, cientistas (ou pretendentes a tal), utilizássemos as palavras e os significados de nosso objeto de estudo para estudá-lo.

A especificidade da política (do campo político), a meu ver, agrava o problema: "ideologia", talvez a palavra mais espinhosa da política e da ciência social, atrai todos os interesses; é objeto de todo o interesse político e um dos principais alvos da ação política. O mesmo ocorre com os tipos específicos de doutrinas; na verdade o problema se agrava nesse caso, porque aí somam-se os projetos políticos que trazem consigo a marca de circunstâncias históricas muito singulares.

Inúmeros problemas derivam disso. Podemos tentar olhar para a realidade concreta e extrair dali (da observação das práticas e dos fenômenos políticos em geral) uma definição.

Isso já não é fácil pela própria complexidade histórica do problema, mas o "político" complica especialmente a empreitada, porque as aparências enganam. É preciso muito conhecimento e método p/ não cometer deslizes. Podemos tentar definir "características gerais", mas isso é muito arriscado, porque corre-se o risco de produzir um constructo teórico tão geral e abstrato que não descreve nenhum fato real.

Não adianta dizer "liberalismo possui X, Y e Z características", porque houve inúmeros liberalismos na história: e quem disse que eles eram liberalismos? Corremos o sério risco de hipostasiar conceitos ou de reificar as mitologias de nosso objeto de estudo.

Uma definição adequada precisaria considerar essa especificidade do objeto de estudo, e deve ser histórica, não anistórica ou estática, traduzindo para os conceitos teóricos e para o texto científico a lógica que opera na realidade.

Fernando Leite.
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