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Sergio Simoni Junior, Rafael Moreira Dardaque, Lucas Malta Mingardi. A elite parlamentar brasileira de 1995 a 2010: até que ponto vai a popularização da classe política? Colombia Internacional, n. 87, p. 109-143, maio-ago. 2016 .
O objetivo deste artigo é debater a tese da popularização do perfil social dos parlamentares brasileiros buscando ressaltar que a literatura, ao ignorar a assimetria de poder institucional entre os legisladores, pode apresentar um viés no seu diagnóstico sobre as características da representação política no Brasil.
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29 de dezembro de 2008

Non Ducor, Duco. ou: “Não sou conduzido, conduzo”


Scientist Charles Feltz with other designers
of moonship on 'project Apollo'.
Foto: Fritz Goro, 1962. Fonte: Life.


O editorial de O Estado de S. Paulo de hoje, 29 de dezembro, dedica-se a explicar, com o didatismo dos sábios, porque os recursos para ciência no Brasil não devem ser distribuídos indiscriminadamente pelo País.

Aliás eles devem, na opinião do vestusto diário, serem concentrados nas "universidades de ponta" (USP etc.).

Cientistas dos estados periféricos e de universidades sem grande projeção lançaram um manifesto recentemente contra o sistema de avaliação do CNPq que orienta a aplicação do dinheiro do contribuinte. Na matéria do jornal, o texto do manifesto da não elite foi resumido assim:

"Um manifesto assinado por mais de 180 cientistas, alunos e professores de pequenas instituições de ensino e pesquisa do País acusa o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) de funcionar como uma "oligarquia", ignorando as necessidades de pesquisadores fora da "elite" acadêmica das grandes universidades. A carta foi enviada no início do mês a várias lideranças políticas do setor em Brasília, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No manifesto, os autores pedem uma revisão das regras para concessão de bolsas e financiamento de projetos - normas que, segundo eles, não dão chances aos pesquisadores de pequenas instituições."
E citam a parte essencial do documento:

"
Nos pequenos centros (...) os pesquisadores não só não possuem estas condições como ainda têm de dedicar grande parte de seu tempo à criação destas condições", diz o manifesto. "É, portanto, incorreto julgar, por um critério igual, pesquisadores que possuem condições de pesquisa desiguais. Esta prática amplifica as desigualdades e é injusta, pois não premia necessariamente os melhores pesquisadores, mas sim os que têm as melhores condições de pesquisa."

O editorial de O Estado de S. Paulo postula o seguinte:
Embora seja compreensível que os pesquisadores e professores desses centros e Universidades queiram mais verbas, não faz sentido a União pulverizar recursos escassos em matéria de pesquisa e tecnologia. Desenvolvimento científico é uma atividade cara e países como os Estados Unidos, Alemanha e Japão concentram seus gastos com pesquisa nas Universidades de ponta, deixando às demais instituições as tarefas de ensino e extensão.
(O Estado de São Paulo, 29/12/2008)


[leia o editorial inteiro aqui, no Jornal da Ciência, da SBPC].

É difícil decidir quem tem menos razão nessa briga: nós, da periferia universitária nacional, ou os oligarcas do CNPq.

Não assinei o documento. Uma das razões é a seguinte.
Penso que antes de gritarmos contra as injustiças do sistema de ciência brasileiro faria bem refletirmos sobre o burocratismo reinante nas universidades de menor prestígio.

É verdade que gastamos mais tempo para criar condições de pesquisa do que para pesquisar de fato (publicar um periódico científico
então é outra novela).

Mas isso se deve muito mais a impedimentos administrativos que são criados NAS PRÓPRIAS UNIVERSIDADES PELOS PRÓPRIOS DIRIGENTES DAS UNIVERSIDADES (penso aqui principalmente no sistema de universidades federais). A maioria dos procedimentos internos, a rotina burocrática, os ritos de tabelionato não ficam a dever nada a uma repartição pública.
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