artigo recomendado


Lopez, Felix, & Almeida, Acir. (2017). Legisladores, captadores e assistencialistas: a representação política no nível local. Revista de Sociologia e Política, 25(62), 157-181.
O artigo analisa a representação política local, focando as percepções e práticas cotidianas dos vereadores. Em particular, analisam-se suas escolhas entre estratégias de representação clientelistas e universalistas. Utilizam-se dados originais de entrevistas abertas semiestruturadas com amostra não representativa de 112 vereadores de 12 municípios de Minas Gerais. Por meio de análise qualitativa, classificam-se os vereadores em três tipos, de acordo com sua principal estratégia de representação, a saber: “legislador”, que se dedica mais às funções formais da vereança; “captador”, que prioriza o atendimento de pedidos coletivos dos eleitores; “assistencialista”, que prioriza o atendimento de pedidos particulares. Os resultados sugerem que essas estratégias são qualitativamente distintas e que a probabilidade de ocorrência do tipo assistencialista é maior em municípios pequenos, crescente no acirramento da competição política e decrescente na volatilidade eleitoral.
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2 de outubro de 2009

A causa da ciência:

[fotografia: Estação da Luz, 1981.
Antonio Carlos D'Ávila.
Pirelli / MASP]

Política & Sociedade,
Vol. 1, No 1 (2002)

Pierre Bourdieu








como a história social das ciências sociais pode servir ao progresso das ciências

O campo das ciências sociais se distingue dos outros campos científicos na
medida em que cada um dos especialistas está em concorrência não somente
com outros cientistas, mas também com o conjunto de agentes sociais que se
esforçam para impor suas próprias visões do mundo. Ele está assim atravessado
por duas lógicas contrárias, a do campo político e a do campo científico,
que fundamentam princípios de hierarquia opostos. Trata-sede mostrar como
uma ciência social que tem por objeto seu próprio fundamento pode fornecer
os princípios de uma Realpolitik científica cujo objetivo é o progresso da razão
científica. Esses princípios referem-se, por um lado, à epistemologia e à Sociologia
dos campos de produção, quando favorecem uma confrontação de pontos
de vista que se percebem como tais no conhecimento dos determinantes
sociais de suas diferenças. Eles dizem respeito também à transformação da
organização social da produção e da circulação científicas, tanto em escala
nacional quanto internacional, no sentido de um working dissensus fundado no
reconhecimento crítico de compatibilidades e de incompatibilidades explícitas,
estabelecidas cientificamente e não socialmente.

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