artigo recomendado


Lopez, Felix, & Almeida, Acir. (2017). Legisladores, captadores e assistencialistas: a representação política no nível local. Revista de Sociologia e Política, 25(62), 157-181.
O artigo analisa a representação política local, focando as percepções e práticas cotidianas dos vereadores. Em particular, analisam-se suas escolhas entre estratégias de representação clientelistas e universalistas. Utilizam-se dados originais de entrevistas abertas semiestruturadas com amostra não representativa de 112 vereadores de 12 municípios de Minas Gerais. Por meio de análise qualitativa, classificam-se os vereadores em três tipos, de acordo com sua principal estratégia de representação, a saber: “legislador”, que se dedica mais às funções formais da vereança; “captador”, que prioriza o atendimento de pedidos coletivos dos eleitores; “assistencialista”, que prioriza o atendimento de pedidos particulares. Os resultados sugerem que essas estratégias são qualitativamente distintas e que a probabilidade de ocorrência do tipo assistencialista é maior em municípios pequenos, crescente no acirramento da competição política e decrescente na volatilidade eleitoral.
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26 de setembro de 2012

verbete "hegemonia"

[fotografia: Rafael Bertelli
Curitiba, Brasil
25 out. 2006]


Adriano Codato


Hegemonia é, literalmente, superioridade, predomínio incontestável e também liderança, influência preponderante. No seu uso mais comum, o termo é empregado como sinônimo de dominação política e econômica de um povo sobre outros (Aulete). Esse significado repercute a definição original: hegemonia era a supremacia de um povo ou de uma cidade-estado (Atenas, Esparta, Tebas) no sistema de cidades-estados que constituíam a federação da Grécia antiga. É nessa acepção que hegemonia é usada hoje nas análises de relações internacionais, como na sentença: “a incontestável hegemonia dos Estados Unidos no sistema de poder mundial...”. Esse domínio está baseado, em última instância, na capacidade militar. O termo “imperialismo” (“o imperialismo americano”, etc.) parece então estar reservado para descrever apenas o predomínio econômico de uma potência.

Etimologicamente, hegemonia vem do grego ἡγεμονία e quer dizer a “ação de guiar, direção; autoridade, proeminência, poder absoluto; comando de tropas” (Houaiss). Todos esses sentidos estão presentes na teoria social e política contemporâneas e é preciso separá-los por escolas, tradições e áreas de conhecimento. Há pouco consenso sobre o conteúdo exato do termo, mas o denominador comum parece ser aquele proposto pelo pensador italiano Antonio Gramsci (1891-1937): hegemonia não descreve (mais) uma supremacia obtida através da força, do poderio militar, mas sim através do consentimento, da concordância. É, portanto, o oposto de imposição, determinação. Por isso é comum o uso da expressão “hegemonia cultural” significando o domínio ideológico de uma classe por outra. Diz-se “a hegemonia da burguesia sobre o proletariado” com essa aplicação.

O desenvolvimento da ideia de hegemonia como um conceito teórico deve-se a Antonio Gramsci. Essa é a noção central da sua obra mais importante, os Cadernos do cárcere (1926-1937), livro que contém os princípios fundamentais de sua filosofia política. Mas mesmo em Gramsci seu sentido é discrepante (Anderson, 1976).

[continua...]

Referência:

CODATO, A. HEGEMONIA. Teixeira, Francisco M. P. coord. DICIONÁRIO BÁSICO DE SOCIOLOGIA. São Paulo: Global Editora, 2012 (no prelo).
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