artigo recomendado


Sergio Simoni Junior, Rafael Moreira Dardaque, Lucas Malta Mingardi. A elite parlamentar brasileira de 1995 a 2010: até que ponto vai a popularização da classe política? Colombia Internacional, n. 87, p. 109-143, maio-ago. 2016 .
O objetivo deste artigo é debater a tese da popularização do perfil social dos parlamentares brasileiros buscando ressaltar que a literatura, ao ignorar a assimetria de poder institucional entre os legisladores, pode apresentar um viés no seu diagnóstico sobre as características da representação política no Brasil.
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12 de julho de 2010

programa de curso: teoria das elites (ufpr/2010)

[Ak-Sar-Ben Coronation Ball, 1938
Margaret Bourke-White. Life] 

HC170 - TEORIA DAS ELITES

Prof. Adriano Codato / Assistente: Paula Wagnitz / Monitora: Célia Gouveia

UFPR
Segundas-feiras, 14hs. – 18hs. 2º. semestre 2010

Syllabus
Este curso está organizado como uma série de doze seminários sobre o estudo de elites políticas, burocráticas e sociais. A finalidade desses encontros semanais não é, todavia, expor resultados concretos de pesquisas; e sim evidenciar os problemas gerais de uma dada pesquisa e quais as ligações desses problemas com as discussões fundamentais da sociologia/ciência política.
Investigações sobre elites têm, em geral, um forte viés empírico. Poucas vezes as monografias descritivas sobre a elite A ou B, do país X ou Y, preocupam-se em expor e explicar as questões teóricas que estão na base das discussões dos dados. Com isso, há muito conhecimento positivo acumulado, muitas metodologias testadas, mas pouco avanço em termos interpretativos. Essa falta parece estar ligada a certa inconsciência do próprio investigador a respeito do que exatamente ele está investigando; ou mais exatamente: que problema fundamental de sociologia/ciência política seus dados ilustram e permitem conhecer.
A unidade introdutória pretende situar o estudante nas principais polêmicas da teoria social do século XX sobre a análise de elites além de tratar do próprio uso dessa noção polêmica. As demais unidades (II, III, IV e V) aproveitam alguns estudos empíricos dos próprios expositores – sobre elites políticas e partidárias, elites judiciárias, empresariais e intelectuais – para enfatizar as dimensões propriamente sociológicas de suas pesquisas.
A cada sessão o estudante deve apresentar, no dia da aula, o fichamento do texto 1 indicado das referências obrigatórias. Haverá duas avaliações por escrito a serem entregues em 4 DE OUTUBRO (I AVALIAÇÃO) e em 6 DE DEZEMBRO (II AVALIAÇÃO). Nessas avaliações deve-se escolher um dos textos teóricos das respectivas unidades do curso e, a partir daí, propor um miniprojeto de pesquisa, conforme modelo indicado posteriormente.
Presença é obrigatória e os estudantes serão avaliados também com base em suas participações nas discussões em sala.

para baixar o programa em pdf, clique aqui

Programa e calendário de atividades

UNIDADE I - INTRODUÇÃO
Agosto


Dia 09 (AULA 1) Apresentação do curso: teoria, metodologia e empiria nas análises contemporâneas de elites políticas e sociais (Adriano Codato)
Referências obrigatórias:
1. CZUDNOWSKI, Moshe M. Introduction: A Statement of the Issues. In Czudnowski, M. M. (ed.), Does Who Governs Matter? Elite Circulation in Contemporary Societies. DeKalb: Northern Illinois University Press, 1982. pp. 03-12. (fichamento)
2. CHARLE, Christophe, Les elites de la République revisitado. Tomo, São Cristóvão (SE), n. 13, pp. 15-42, jul./dez. 2008.
3. SAINT MARTIN, Monique de. Da reprodução às recomposições das elites: as elites administrativas, econômicas e políticas na França. Tomo, São Cristóvão (SE), n. 13, pp. 43-73, jul./dez. 2008.
Referências complementares:
1. RODRIGUES, Leôncio Martins. Partidos, ideologia e composição social: um estudo das bancadas partidárias da Câmara dos Deputados. São Paulo: EDUSP, 2002.
2. ANASTASIA, Fátima et al. (orgs.). Elites parlamentares na América Latina. Belo Horizonte: Argvmentvm, 2009.

Dia 16 (AULA 2) Como e por que estudar elites? (Renato Perissinotto)
Referências obrigatórias:
1. PERISSINOTTO, Renato e CODATO, Adriano. Classe social, elite política e elite de classe: por uma análise societalista da política. Revista Brasileira de Ciência Política, Brasília, nº 2. julho-dezembro 2009, pp. 243-270. (fichamento)
2. PERISSINOTTO, Renato M. Notas metodológicas sobre o estudo de elites. Curitiba: NUSP. 2003.
Referências complementares:
1. BIRNBAUM, Pierre. Dimensions du pouvoir. Paris: Presse Universitaire de France, 1984. cap. xi ("Sur l'étude des élites").
2. GIDDENS, Anthony. Preface e Elites in the British class structure. In Stanworth, P.; Giddens, A. (eds.), Elites and Power in British Society. Cambridge: Cambridge University Press, 1974. pp. ix-xiii e 01-21.

UNIDADE II – ELITES POLÍTICAS E PARTIDÁRIAS

Dia 23 (AULA 3) Político é tudo igual? (Camila Tribess)
Referências obrigatórias:
1. CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. Introdução e cap. 1. (fichamento)
2. KELLER, Suzanne. Más allá de la clase dirigente. Madri: Técnos, 1971. cap. 5.
Referências complementares:
1. RODRIGUES, Leôncio Martins. Mudanças na classe política brasileira. São Paulo: PubliFolha, 2006. Introdução e caps. 5 e 6.
2. BOLOGNESI, Bruno e TRIBESS, Camila. Uma guinada à esquerda? Um estudo da elite política federal paranaense nos governos FHC/Lerner (1999/2003) e Lula/Requião (2003/2006). Trabalho apresentado no 33º Encontro Anual da ANPOCS. 2009.
3. MARENCO DOS SANTOS, André. Nas fronteiras do campo político: raposas e outsiders no Congresso Nacional. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 33, pp. 87-101, 1997.

Dia 30 (AULA 4) As elites e a questão do profissionalismo político (Adriano Codato)
Referências obrigatórias:
1. BOURDIEU, Pierre. A representação política. Elementos para uma teoria do campo político. In _____. O poder simbólico. 2ª. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998. (fichamento)
2. BOURDIEU, Pierre. A delegação e o fetichismo político. In _____. Coisas ditas. São Paulo: Brasiliense, 2004.
Referências complementares:
1. BOURDIEU, Pierre. Da casa do rei à razão de Estado: um modelo da gênese do campo burocrático. In: WACQUANT, Loïc (org.). O mistério do ministério. Pierre Bourdieu e a política democrática. Rio de Janeiro: Revan, 2005.
2. CODATO, Adriano. Elites e instituições no Brasil: uma análise contextual do Estado Novo. Tese (Doutorado em Ciência Política). Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, 2008. (páginas a definir) 

Setembro
Dia 6 – Feriado

Dia 13 (AULA 5) Elites partidárias (Júlio Gonçalves)
Referências obrigatórias:
1. PANEBIANCO, Angelo. Modelos de partido: organização e poder nos partidos políticos. São Paulo: Martins Fontes, 2005. Introdução (pp. XIII a pp. XXIV) e Primeira Parte: A ordem organizativa (pp.1-87). (fichamento)
2. MICHELS, Robert. Sociologia dos partidos políticos. Brasília: Editora UnB, 1982. Primeira Parte. Causas determinantes de ordem técnica e administrativa (pp.13-28) e Sexta Parte (pp.220-243).
Referências complementares:
1. ROMA, Celso. A institucionalização do PSDB entre 1988 e 1999. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 17, n. 49, 2002.
2. CRUZ, G. R. O PT e a redefinição de objetivos e estratégias. Cadernos do ICHF. Série Estudos e Pesquisas (UFF), UFF, Niterói/RJ, n. 76, 2002.

UNIDADE III – ELITE JUDICIÁRIA

Dia 20 (AULA 6) Magistratura: valores políticos e jurídicos (Paula Wagnitz)
Referências obrigatórias:
1. DALLARI, Dalmo de Abreu. O poder dos juízes. São Paulo: Saraiva, 1996, cap. X: Assumir a politicidade, pp. 85-98 (fichamento)
2. WAGNITZ, Paula. O que pensam os desembargadores do Tribunal de Justiça do Paraná. Paper apresentado no 7° Encontro da ABCP, Recife, ago. 2010. link
Referências complementares:
1. ALMOND, Gabriel A.; VERBA, Sidney. The Civic Culture: Political Attitudes and Democracy in Five Nations. USA: Sage Publications, 1989.
2. PUTNAM, Robert D. Comunidade e democracia: a experiência da Itália moderna. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1996.

Dia 27 (AULA 7) Para uma sociologia da elite judiciária brasileira (Renato Perissinotto e Pedro Medeiros)
Referências obrigatórias:
1. BOURDIEU, Pierre. A força do direito: elementos para uma sociologia do campo jurídico. In _____. O poder simbólico. Lisboa: Bertand Brasil; Difel, 1989. pp. 209-254. (fichamento)
2. PERISSINOTTO, Renato M.; MEDEIROS, P. L. C.; WOWK, R. Valores, socialização e comportamento: sugestões para uma Sociologia da elite judiciária. Revista de Sociologia e Política, Curitiba, v. 30, pp. 151-166, 2008.
Referências complementares:
1. BONELLI, Maria da Glória. Os Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e a Construção do Profissionalismo, 1873-1997. Dados, Rio de Janeiro, v. 44, n. 2, 2001.
2. MARENCO, André & DA ROS, Luciano. Caminhos que levam à Corte. Carreiras e padrões de recrutamento dos ministros dos órgãos de cúpula do poder Judiciário brasileiro (1829-2006). Revista de Sociologia e Política, Curitiba, v. 16, n. 30, pp. 131-149, 2008.

I AVALIAÇÃO (ENTREGA EM 4 DE OUTUBRO)*
*Escolher um dos textos teóricos das respectivas unidades do curso e, a partir daí, propor um miniprojeto de pesquisa, conforme modelo indicado.

Outubro
Dia 4 (AULA 8)
Reflexões sobre recrutamento na elite judiciária brasileira (Ellen Silva e Thâmara Tavares)
Referências obrigatórias:
1. VIANNA, L. J. W.; MELO, Manuel Palácios Cunha; CARVAHO, Maria Alice Rezende de; BURGOS, Marcelo Baumann. Corpo e alma da magistratura brasileira. Rio de Janeiro: Revan, 1997. Introdução. (fichamento)
2. SILVA, Ellen. Elites paranaenses: uma análise da carreira político-ocupacional nas esferas parlamentar, administrativa e judiciária. Artigo de Iniciação Científica. (Em andamento) link
Referência complementar:
1. PERISSINOTTO, Renato M. 'Vocação inata' e recursos socioculturais: o caso dos desembargadores do Tribunal de Justiça do Paraná. Direito, Estado e Sociedade, Rio de Janeiro, v. 31, pp. 175-199, 2007.
Dia 11 – Feriado

UNIDADE IV – ELITE EMPRESARIAL

Dia 18 (AULA 9) A elite empresarial e o processo político contemporâneo no Brasil (Paulo Costa e Ícaro Engler)
Referências obrigatórias:
1. DAHL, Robert A. 1997. Poliarquia. São Paulo: EDUSP, cap. 8, pp. 127-176. (fichamento)
2. COSTA, P. R. N. ; ENGLER, I. Elite empresarial e valores políticos (Paraná, 1995-2005). Opinião Pública (UNICAMP), Campinas, v. 14, pp. 38-55, 2008.
Referências complementares:
CARDOSO, F. H. Las elites empresariales en América Latina. In: LIPSET, S. M. e SOLARIS, A. E. (comps.). Elites y desarrollo en América Latina. Buenos Aires: Paidós. 1967.
COSTA, P. R. N. Empresariado, instituições democráticas e reforma política. Revista de Sociologia e Política, Curitiba, nº 28, junho 2007.
Dia 25 – ANPOCS (não haverá aula)

Novembro
Dia 1- Feriado
Dia 8 (AULA 10)
Estado, empresariado industrial e desenvolvimento (Ricardo Zortea)
Referências obrigatórias:
1. DINIZ, Eli. Empresário, Estado e nacionalismo: ideologia e atuação politica nos anos trinta. In: _____. Empresário nacional e Estado no Brasil. Rio de Janeiro. Forense Universitária, 1978. pp. 45-105. (fichamento)
2. VARALLO PONT, Juarez e ZORTEA, Ricardo. A retomada da ideologia do desenvolvimentismo no Brasil pós-2003: o papel do Estado e as novas relações com o empresariado industrial. Trabalho apresentado no 33º Encontro Anual da ANPOCS, out. 2010. link
Referências complementares:
1. BOITO JR, Armando. Estado e Burguesia no Capitalismo Neoliberal. Revista de Sociologia e Politica, Curitiba, v. 28, pp. 57-75, Junho 2007.
2. LEOPOLDI, Maria Antonieta. Corporativismo Industrial e Politica Tarifária (1935-1957). In: ______. Politica e interesses na industrialização brasileira. São Paulo: Paz e Terra. 2000. pp. 123-153.
3. DINIZ, Eli & BOSCHI, Renato. Os Empresários e a Agenda Neoliberal. In: _____. A Difícil Rota do Desenvolvimento: Empresários e a Agenda Pós-neoliberal. Belo Horizonte: Editora da UFMG. 2007. pp. 37-67.
Dia 15 – Feriado

UNIDADE V – ELITES INTELECTUAIS

Dia 22 (AULA 11)
A gênese de uma intelligentsia (Giovana Bonamin)
Referências obrigatórias:
1. BOURDIEU, Pierre. Campo do poder, campo intelectual e habitus de classe. In: BOURDIEU, Pierre. Economia das trocas simbólicas. Rio de Janeiro: Perspectiva, 1992. pp. 183 - 202. (fichamento)
2. MARTINS, Luciano. A gênese de uma intelligentsia: os intelectuais e a política no Brasil, 1920-1940. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, vol.2, n. 4, jun. 1987.
3. SCHWARTZMAN, Simon. Por um marco analítico para o estudo dos intelectuais na América Latina. Conferência sobre Intelectuais na América Latina, Woodrow Wilson Center, Washington, D.C., 22-23 de março 1987.
Referências complementares:
1. BOBBIO, Norberto. Os intelectuais e o poder: dúvidas e opções dos homens de cultura na sociedade contemporânea. São Paulo: Editora da UNESP, 1997.
2. VELLOSO. Monica Pimenta. Os intelectuais e a política cultural do Estado Novo. In FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucília de Almeida Neves (orgs.). O Brasil Republicano: o tempo do nacional estatismo do início da década de 1930 ao apogeu do Estado Novo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. pp. 145-181.
3. MICELI, Sérgio. A transformação do papel político e cultural dos intelectuais da oligarquia. In _____. Intelectuais à brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. pp. 88-131.
4. PÉCAUT, Daniel. Os intelectuais, as classes sociais e a democracia. In: _____. Intelectuais e a política no Brasil: entre o Povo e a Nação. São Paulo: Ática, 1990. pp. 192-252.

Dia 29 (AULA 12) Elites acadêmicas (Fernando Leite)
Referências obrigatórias:
1. BOURDIEU, Pierre. O campo científico. In: ORTIZ, Renato (org.). Pierre Bourdieu. São Paulo: Ática. (Grandes Cientistas Sociais, 39.) (fichamento)
2. LECA, Jean. A Ciência Política no campo intelectual francês. In: LAMOUNIER, Bolívar. A Ciência Política nos anos 80. Brasília: Ed. UnB, 1982. pp. 385-406.
Referências complementares:
1. BOURDIEU, Pierre. Le fonctionnement du champ intellectuel. Regards Sociologiques, Paris, n. 17-18, 1999. pp. 5-27.
2. BOURDIEU, Pierre. Homo academicus. Stanford: Stanford University Press, 1988.
3. BOURDIEU, Pierre. As regras da arte. Gênese e estrutura do campo literário. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
4. PINTO, Louis. La vocation et le métier de philosophe: pour une sociologie de la philosophie dans la France contemporaine. Paris: Seuil, 2007.

II AVALIAÇÃO (ENTREGA EM 6 DE DEZEMBRO)*
*Escolher um dos textos teóricos das respectivas unidades do curso e, a partir daí, propor um miniprojeto de pesquisa, conforme modelo indicado.
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