artigo recomendado

Bolognesi, B., Ribeiro, E., & Codato, A.. (2023). A New Ideological Classification of Brazilian Political Parties. Dados, 66(2), e20210164. Just as democratic politics changes, so does the perception about the parties out of which it is composed. This paper’s main purpose is to provide a new and updated ideological classification of Brazilian political parties. To do so, we applied a survey to political scientists in 2018, asking them to position each party on a left-right continuum and, additionally, to indicate their major goal: to pursue votes, government offices, or policy issues. Our findings indicate a centrifugal force acting upon the party system, pushing most parties to the right. Furthermore, we show a prevalence of patronage and clientelistic parties, which emphasize votes and offices rather than policy. keywords: political parties; political ideology; survey; party models; elections
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23 de outubro de 2023

carreira e ambição política na Câmara dos Deputados

[Construção de Brasília 
Photo: Marcel Gautherot]
 




















Political Ambition and Career Choices in The Brazilian Chamber of Deputies: A Three-Dimensional Analysis Proposal

Abstract

We employed a three-dimensional analysis model to investigate the influence of (1) institutional rules, (2) the sociopolitical profile, and (3) the level of political professionalization among Brazilian parliamentarians on  their  career  choices.  

Our  data  focuses  on  federal  deputies  elected  in  2014,  sourced  from  the  Superior Electoral  Court.  

Utilizing  binomial  logistic  regression  models,  we  examined  the  combined  influence of institutional, social, and professional variables on political ambition. We analyzed the electoral decisions made by these parliamentarians in the 2016 and 2018 elections. Our findings revealed intricate interactions among these dimensions, offering novel insights into the patterns of career choices. 

We identified a strong correlation between  political  ambition  and  political  status,  with  parliamentarians  who  have  more  established  careers displaying  a  greater  inclination  to  pursue  ambitious  political  objectives.  Additionally,  our  study  highlights variations in career choices and electoral success, contingent on the level of government these individuals aspire to  and  the  specific  electoral  system  they  compete  in  (whether  majoritarian  or  proportional).  Regarding  the intersections  between  political  ambition  and  sociopolitical  profile,  we  found  that  only  a  lower  level  of educational  attainment  affects  regressive  ambition.  

Our  findings  contribute  to  a  more  comprehensive understanding  of  political  ambition,  encompassing  dimensions  that  remain  underexplored  in  the  scholarly literature, such as political professionalization and the sociopolitical profile of parliamentary elites.

Keywords: brazilian federal deputies; career choices; political ambition; political professionalization; sociopolitical profile.


Como citar:
Sainz, N., & Codato, A. (2023). Carreira e ambição política na Câmara dos Deputados do Brasil: uma proposta de análise tridimensional. In SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.7169


Disponível em:



23 de dezembro de 2022

Medindo a Ciência Política brasileira: uma exploração inicial através do h índice


[imagem de 













Medindo a Ciência Política brasileira: uma exploração inicial através do h índice
DOI: 10.13140/RG.2.2.16372.83844

Conference: 46o. Encontro anual da ANPOCS: 
MR08. Circulação e impacto nas ciências sociais contemporâneas
At: Campinas - SP
Affiliation: University of Campinas
October 2022

Adriano Codato
Dalson Figueiredo
Gabryela Gabriel
Nilton Sainz
Rodrigo Silva

Project: The scientific field of Brazilian Political Science

RESUMO

A pesquisa é um trabalho em curso com dados ainda muito preliminares. O objetivo é entender, a partir de um critério quantitativo, as hierarquias que se formam em um determinado espaço científico. A partir da replicação dos procedimentos do artigo de Kim e Grofman 2019 (The Political Science 400: With Citation Counts by Cohort, Gender, and Subfield), mensuramos o número de citações no Google Scholar dos sujeitos da pesquisa (docentes nos Programas de CP, RI, PP, Defesa no Brasil. N = 195). Os dados foram coletados de modo automatizado através de uma rotina em R que permitiu a raspagem automática das informações do Google Scholar de três indicadores: total de citações; h índice; i10. Os dados foram agrupados por Programas de pós graduação e por indivíduos. Nesse caso, o atributo analisado até o momento foi o gênero do(as) pesquisadores(as). Considerando o Índice h: não há diferença significativa entre o impacto científico de homens e mulheres, apesar da ligeira vantagem dos homens. Quanto maior a nota CAPES do Programa de pós-graduação, mais há pesquisadores(as) de destaque, o que sugere uma coerência entre duas escalas diferentes de prestígio, institucional e individual (CAPES e N de citações).


Definition: (Hirsch JE (2005) An index to quantify an individual's scientific research output. Proceedings of the National Academy of Sciences 102:16569-16572, doi: 10.1073/pnas.0507655102 

A scientist has index h if h of his or her Np papers have at least h citations each and the other (Np - h) papers have ≤ h citations each.


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12 de dezembro de 2022

recepção de Pierre Bourdieu na ciência política

[Pierre Bourdieu au Collège de France, le 23 mai 1985. Photo: Vincent Leloup/Divergence] 








RESUMO

Pierre Bourdieu é o autor com a reputação mais bem estabelecida nas ciências sociais, em especial na Sociologia. Mas qual é a recepção de Bourdieu na ciência política? Se tomamos as citações aos seus livros nos periódicos mais importantes da área ela é inexistente. Por outro lado, há inúmeras pesquisas na França, no Brasil, na Argentina, no Chile, etc., sobre o campo do poder inspiradas por sua Sociologia da vida política. Este artigo investiga a presença e a influência do autor na ciência política publicada fora dos periódicos de maior impacto na disciplina. Partindo de uma base ampla de 25.475 documentos indexados na base Scopus que mencionam Pierre Bourdieu nas referências bibliográficas, analisamos 355 artigos que utilizaram seus conceitos-chave conectados à política, tais como campo político, Estado e poder simbólico. Verificamos que mesmo quando há citações aos escritos de Bourdieu, não são os trabalhos vinculados à sua sociologia da política que são referidos. Um estudo detalhado do contexto das citações para os vinte artigos mais citados desses 355 documentos mostrou que as referências a Bourdieu eram majoritariamente positivas e que havia mais menções de reconhecimento baseadas na autoridade do autor do que de corroboração com base em sua teoria. A influência das ideias de Bourdieu sobre os trabalhos analisados foi superficial em 17 dos 20 casos.

  
ABSTRACT

Pierre Bourdieu has a firmly established reputation within the social sciences, particularly in the field of Sociology. But how has Bourdieu been received in the field of Political Science? If we look at the most important journals in the area, citations to his books are practically non-existent. On the other hand, many researches devoted to the field of power in France, Brazil, Argentina, Chile, etc., have been inspired by Bourdieu’s Sociology of political life. This article explores the author’s presence and influence on political science publications outside of mainstream journals. Stemming from an extensive database of 25,475 documents indexed in the Scopus database that mention Pierre Bourdieu in the bibliographic references, we analyzed 355 articles that used his key concepts for political analysis, such as political field, State, and symbolic power. We found that even when Bourdieu’s writings are cited, the works referenced are not connected to his sociology of politics. A contextual analysis of the 20 most cited articles of these 355 documents revealed that references to Bourdieu were mostly positive. Furthermore, acknowledgments of the author’s authority were more common than corroborative arguments based on his theory. The influence of Bourdieu’s ideas on the works analyzed was superficial in 17 of the 20 cases.

como citar:

Codato, Adriano; Bittencourt, Maiane; Perich, Rafael; Silva, Rodrigo (2022) ‘Uma análise bibliométrica da recepção de Pierre Bourdieu na ciência política’, Educação e Pesquisa, 48. https://doi.org/10.1590/S1678-4634202248255565por 


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SciELO  [html]
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30 de janeiro de 2021

political elites and representation | elites políticas e representação

[John F. Kennedy speaks with 
his brother and campaign manager 
Bobby in a Los Angeles hotel suite. 
The LIFE Picture 
Collection/Getty Images] 






 









capítulo
Codato, A., Lorencetti, M., & Prata, B. (2020). 

Elites políticas e representação: uma investigação da literatura contemporânea sobre políticos profissionais
(Political elites and representation: investigating the contemporary literature on professional politicians)

In B. Bolognesi & G. da S. Peres (Eds.), Ciências Sociais hoje: Ciência Política (pp. 274–295). Zeppelini Publishers.

O tema da representação política é uma das grandes questões da ciência política. Ele engloba tanto os eleitores como as instituições representativas e os agentes que, nas democracias pluralistas, operam essas instituições: os políticos profissionais. Este artigo faz um mapa da literatura internacional sobre políticos profissionais. Foram analisados 560 artigos publicados entre 2015 e 2018 em 263 periódicos científicos indexados na plataforma Web of Science. Para entender os padrões presentes nessa literatura, utilizou-se o software de análise de redes bibliométricas VOSviewer. Analisaram- -se dois tipos de redes: coocorrência de palavras-chave a fim de identificar os temas de pesquisa recorrentes e os mais recentes; e acoplamento bibliográfico entre documentos para identificar não só comunidades nessa literatura, mas os trabalhos mais influentes. Os resultados mostraram a permanência de questões clássicas na área (interações intraelite, partidos, eleições, legislativo), mas também uma nova agenda vinculada à área de comunicação política. O trabalho de maior impacto nesse corpus é sobre políticos populistas e mídias sociais. 

Political representation is one of the major longstanding issues in Political Science, encompassing both voters and representative institutions and the agents who, in pluralist democracies, operate these institutions: professional politicians. This article maps the international literature on professional politicians. 560 articles published between 2015 and 2018 in 263 scientific journals indexed on the Web of Science database were analyzed. To understand the existing patterns within this literature, the bibliometric network analysis software VOSviewer was used. Two types of networks were analyzed: co-occurrence of keywords to identify recurring as well as most recent researched topics; and bibliographic coupling between documents to identify not only clusters in this literature, but also the most influential works. The results showed the endurance of classic issues in the field (intra-elite interactions, political parties, elections, congress), in addition to a new agenda addressing Political Communication. The most impactful work in this collection is on populist politicians and social media.

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4 de janeiro de 2020

história, desenvolvimento e ensino da Ciência Política no Brasil e na América Latina

















artigo

Madeira, Rafael Machado, Adriano Codato, and Pablo Alberto Bulcourf.

2019. “História, desenvolvimento e ensino da Ciência Política no Brasil e na América Latina.” Civitas - Revista de Ciências Sociais 19 (3): 489–503.
https://doi.org/10.15448/1984-7289.2019.3.35150.


Com o propósito de fomentar ainda mais o debate acerca do progresso da disciplina no Brasil e na América Latina, este dossiê reúne artigos e resenhas que analisam os processos de estruturação da Ciência Política e sua relação tanto com disciplinas afins como com os demais aspectos da vida social. Isso feito a partir de diversos temas, diferentes enfoques e de variadas abordagens e técnicas de pesquisa. Os textos do dossiê abordam questões que representam sérios desafios e são, ao mesmo tempo, campos riquíssimos de possibilidades quando o que está em jogo é a análise reflexiva e a produção de conhecimento autóctone sobre o desenvolvimento da Ciência Política. Isto posto, a ambição deste dossiê é a de ser mais um espaço para que cientistas sociais que estudam a configuração e a transformação da Ciência Política na América Latina possam dialogar entre si e com a literatura pertinente a partir tanto de uma perspectiva interdisciplinar como geográfica.


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Research Gate
Academia.edu
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21 de julho de 2013

programa de curso: Métodos de Pesquisa Científica em Ciência Política (2/2013)

[Antonio Maluf] 


Ementa
O campo teórico da ciência política. O campo institucional da ciência política. O campo de pesquisa da ciência política. a conduta na pesquisa. Técnicas de pesquisa e de elaboração de projetos.

Horário
Segunda- feira
7h30 – 9h30
Quarta-feira
9h30 – 11h30

Objetivo
O objetivo do curso é discutir as dificuldades lógicas e práticas envolvidas no processo de construção do objeto de pesquisa em Ciência Política a partir de um interesse difuso. Além dos problemas típicos dessa tarefa (e que envolvem: a definição do tema, a construção do objeto, a formulação de hipóteses de trabalho, a “escolha” do marco teórico etc.), quero discutir alguns tópicos que perpassam nossa prática científica: a amplitude da pesquisa, a necessidade da generalização, o estabelecimento de relações causais, o conhecimento teórico ornamental, o que é uma hipótese e como transformar conceitos em variáveis mensuráveis.


Programa
Apresentação do curso
Bancos de dados e portal de informação em ciência política: um guia (2 setembro)
NOEL, H. Ten Things Political Scientists Know that You Don’t. The Forum, v. 8, n. 3, 2010.
Unidade I. Conhecendo o terreno.
SARTORI, Giovanni. Da sociologia da política à sociologia política. In: LIPSET, Seymour M. (org.). Política e Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Zahar, 1972. (4 setembro)
ALMOND, Gabriel A. Separate Tables. Schools and Sects in Political Science. In: ALMOND, Gabriel. A Discipline Divided. Schools and Sects in Political Science. London: Sage, 1990. (9 setembro)
KEINERT, F. C.; SILVA, D. P. A gênese da ciência política Brasileira. Tempo Social, v. 22, n. 1, p. 79–98, jun. 2010. 11 setembro
SOARES, G. A. D. O calcanhar metodológico da ciência política no Brasil. Sociologia Problemas e Práticas, n. 48, p. 27–52, maio. 2005. (16 setembro)

Unidade II. Exorcizando os relativismos, os epistemologismos, os pós-modernismos e as dialéticas.
CANO, I. Nas trincheiras do método: o ensino da metodologia das ciências sociais no Brasil. Sociologias, v. 14, n. 31, p. 94–119, dez. 2012.
Entrevista de Pierre Bourdieu com Yvette Delsaut: sobre o espírito da pesquisa. Tempo Social, v. 17,  n. 1, jun.  2005.  (18 setembro)
KING, G.; KEOHANE, R. & VERBA, S. Designing Social Inquire. Princeton: Princeton University Press, 1994, Cap. 1: The Science in the Social Science. (30 setembro)
BOUDON, Raymond. Os métodos em Sociologia. São Paulo: Ática, 1989, Cap. 1: As falsas querelas do método, p. 14-23.
ELSTER, Jon. Peças e engrenagens das Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994, Cap. I: Mecanismos, p. 17-25. (2 outubro)

Unidade III. O raciocínio na pesquisa social
a) comparação
SARTORI, G. Comparing and Miscomparing. Journal of Theoretical Politics, v. 3, n. 3, p. 243–257, 1 jul. 1991. (7 outubro)
b) generalização
REIS, Fábio Wanderley. O tabelão e a lupa: teoria, método generalizante e idiografia no contexto brasileiro. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, n. 16, p. 27-42, jun. 1991. (9 outubro)
c) descrição, interpretação, explicação
ARON, Raymond. Relato, análise, interpretação, explicação: crítica de alguns problemas do conhecimento histórico. In: _____. Estudos sociológicos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1991, Cap. 2, p. 43-97. (14 outubro)
d) estudos de caso
REZENDE, F. DA C. Razões emergentes para a validade dos estudos de caso na ciência política comparada. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 6, p. 297–337, dez. 2011. (21 outubro)
e) formulação de hipóteses
SCHMITTER, P. C. The Design of Social & Political Research. In: PORTA, D. DELLA; KEATING, M. (Eds.). Approaches and Methodologies in the Social Sciences: A Pluralist Perspective. Firenze: Cambridge University Press, 2008. p. 263–295. (23 outubro)

Unidade IV. A prática da pesquisa social
a) definindo conceitos
1. Institucionalização
LEVITSKY, S.. Institutionalization: Unpacking the Concept and Explaining Party Change. In David Collier and John Gerring (eds.). Concepts and Method in Social Science: The Tradition of Giovanni Sartori. Routledge, 2009. (28 outubro)
2. Representação
PITKIN, H. F. Representação: palavras, instituições e ideias. Lua Nova, n. 67, p. 15–47, 2006. (4 novembro)
b) medindo conceitos
1. Ideologia
ZUCCO JR., C. Esquerda, direita e governo: a ideologia dos partidos políticos brasileiros. In: POWER, T. J.; ZUCCO JR., C. (Eds.). O Congresso por ele mesmo: autopercepções da classe política brasileira. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011. p. 37-60.
TAROUCO, G. S. Brazilian Parties According to their Manifestos: Political Identity and Programmatic Emphases. Brazilian Political Science Review, v. 5, p. 54-76, 2011. (6 novembro)
2. Poder
PERISSINOTTO, Renato M. Poder: Imposição ou consenso ilusório? Por um retorno a Max Weber. In: Renarde Freire Nobre (org.). O poder no pensamento social: dissonâncias. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008, p. 29-58.
BELL, Roderick. Political Power: the Problem of Measurement. In: BELL, Roderick, EDWARDS, David V.; WAGNER; R. Harrison (eds.). Political power: a reader in theory and research. New York: Free Press, 1969, p. 13-30. (11 novembro)
3. Elites
DAHL, Robert. Uma crítica do modelo de elite dirigente. In Sociologia política II. Rio de Janeiro: Zahar. 1970
DAHL, Robert A. Further reflections on "The Elitist Theory of Democracy". The American Political Science Review, vol. 60, nº 2, p. 296-305, Jun., 1966. (13 novembro)

Unidade V. Ferramentas úteis na redação científica
a) o título
ANNESLEY, T. M. The title says it all. Clinical chemistry, v. 56, n. 3, p. 357–60, mar. 2010. (18 novembro)
b) o resumo
ANNESLEY, T. M. The abstract and the elevator talk: a tale of two summaries. Clinical chemistry, v. 56, n. 4, p. 521–4, abr. 2010. (25 novembro)
c) a redação científica
DERISH, P. A.; ANNESLEY, T. M. If an IRDAM journal is what you choose, then sequential results are what you use. Clinical chemistry, v. 56, n. 8, p. 1226–8, 2010.
ANNESLEY, T. M. Who, what, when, where, how, and why: the ingredients in the recipe for a successful Methods section. Clinical chemistry, v. 56, n. 6, p. 897–901, jun. 2010. (27 novembro)
d) a redação do projeto de pesquisa
VAN EVERA, Stephen. Guide to Methods for Students of Political Science. Cornell: Cornell University Press, 1997, chap. 3: What is a Political Science Dissertation?, p. 89-95; e chap. 4: Helpful Hints on Writing a Political Science Dissertation, p. 97-113. (2 dezembro)
e) a redação do projeto de pesquisa
CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem. A elite política imperial; e Teatro de sombras. A política imperial. Rio de Janeiro: Ed. da UFRJ/Relume-Dumará, 1997, Introdução, p. 11-19. (4 dezembro)

Entrega do projeto de pesquisa (7 dezembro)
Seminário coletivo


Bibliografia complementar
BOX-STEFFENSMEIER, J. M.; BRADY, H.; COLLIER, D. (EDS.). The Oxford Handbook of Political Methodology. Oxford: Oxford University Press, 2010. p. 896
CERVI, E. U. Métodos quantitativos nas ciências sociais. In: BOURGUIGNON, J. A. (org.). Pesquisa Social: reflexões teóricas e metodológicas. Ponta Grossa: Toda Palavra Editora, 2009, p. 125-144.
FISHER, Alec. The Logic of Real Arguments. Cambridge: Cambridge University Press, 1988.
FLINDERS, M.; JOHN, P. The Future of Political Science. Political Studies Review, v. 11, n. 2, p. 222–227, 2013.
JOHNSTON, R. Survey methodology. In: COLLIER, D.; BRADY, H. E. (Eds.). The Oxford Handbook of Political Methodology. Oxford: Oxford Handbooks Online, 2009. p. 1–25.
MAHONEY, J. A Tale of Two Cultures: Contrasting Quantitative and Qualitative Research. Political Analysis, v. 14, n. 3, p. 227–249, 14 jun. 2006.
MAHONEY, J. Comparative-Historical Methodology. Annual Review of Sociology, v. 30, n. 1, p. 81–101, ago. 2004.
PARSONS, C. How to Map Arguments in Political Science. Oxford: Oxford University Press, 2007. p. 220
PENNINGS, P.; KEMAN, H.; KLEINNIJENHUIS, J. Doing Research in Political Science. 2. ed. Thousand Oaks, CA: Sage Publications, 2006. p. 336
RAGIN, C. C.; AMOROSO, L. M. Constructing Social Research: The Unity and Diversity of Method. 2. ed. Thousand Oaks, CA: Sage Publications, 2010. p. 248
WEBER, M. The Methodology of the Social Sciences. Glencoe, IL: The Free Press, 1949. p. 205

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25 de maio de 2013

Autonomização e institucionalização da Ciência Política brasileira

[Maurício Nogueira Lima, 
Rhythmic Object 2 (second version), 
1953] 


Artigo: LEITE, Fernando; CODATO, Adriano. Autonomização e institucionalização da Ciência Política brasileira: o papel do sistema Qualis-Capes. Agenda Política, São Carlos, v. 1, n. 1, 2013.

O artigo discute a situação atual da Ciência Política brasileira e o papel do Sistema Qualis, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), na composição dessa situação. Afirma-se que o Qualis é um dos principais fatores que orientam e estruturam o processo de autonomização da disciplina. O artigo parte de uma descrição panorâmica da Ciência Política, a partir de estatísticas da pós-graduação. A seguir, apresenta os principais elementos da estrutura do Qualis e discute aspectos que permitem considerá-lo como um importante fator na autonomização da Ciência Política brasileira, ao premiar indiretamente abordagens teórico-metodológicas e visões de Ciência Política que elegem a política institucional como o objeto legítimo de estudo e tratam-na como um objeto autônomo, capaz de determinar a si mesmo, sendo irredutível a fenômenos de ordens externas, como sociais ou culturais.



clique no link
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12 de novembro de 2011

mestrado em ciência política - ufpr

[Guadalcanal, Solomon Islands,
1942.  Frank Scherschel
Life]

Os candidatos ao Curso de Mestrado em Ciência Política poderão realizar sua inscrição na Secretaria do Programa de Pós-graduação em Ciência Política, no Setor de Ciências Humanas Letras e Artes.

Endereço:
Rua General Carneiro, n. 460, 9° andar, sala 908, ou pelo correio, e por procuração.

Período de Inscrição: de 16/11 a 12/12/2011
Horário: de segunda a sexta-feira, 13h30 às 17h30.

OBS.: As inscrições pelo correio devem ser postadas via SEDEX até o dia 07 de dezembro.

Inscrições postadas com data posterior a 07 de dezembro de 2011 não serão aceitas.

As inscrições por procuração só serão aceitas se a procuração tiver firma reconhecida em Cartório.

Telefone para contato: 41 3360 5233, das 13h30 às 17h30.

mais informações
aqui
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7 de novembro de 2011

da especialização ao trabalho em equipe: a ciência política hoje

[Congressman Max Schwabe 
reading his mail.
1943, Nina Leen
Life] 


Rainer Eisfeld (Osnabrueck University, Germany)

Keynote Lecture at the Inaugural Session of the joint IPSA RC 37/RC 02 Conference on Rethinking Political Development: Multifaceted Role of Elites and Transforming Leadership
Winter Park, Florida, USA, November 7, 2011
I
Earlier this year, in a process in which it was my privilege to participate, the IPSA Executive Committee agreed on the first mission statement in our association’s history, which you may now find on the IPSA website. The statement includes two visions: one of service to the community, and a second of organizing research in a way meant to assure the high caliber of that service. Let me quote from the first:
“Political science…(aims) at contribut(ing) to the quality of public deliberation and decision-making… Ultimately, IPSA supports the role of political science in empowering men and women to participate more effectively in political life, whether within or beyond the states in which they live.”
I am labeling this statement a “vision”, not a description, because to a considerable extent it jars with Giovanni Sartori’s 2004 contention, according to which political science – at least American-type, largely quantitative political science – “is going nowhere… Practice-wise, it is a largely useless science that does not supply knowledge for use”.[1] A more recent, but no less skeptical assessment by Joseph Nye has been quoted to the effect that the discipline may be “moving in the direction of saying more and more about less and less”.[2]
In statements such as these, misgivings have peaked resulting from a debate about the compartmentalization, balkanization, fragmentation of political science that has continued to flare up. Reflecting preoccupations about how much relevant, stimulating, important work is being done in the discipline’s fields, that debate won unexpected media attention in November 2009, when a Republican senator’s motion, which would have prohibited the American National Science Foundation “from wasting federal research funding on political science projects”, obtained 36 votes in the U.S. Senate.[3] While it might be argued that the motion says more about the current Republican Party than about political science, the vote and the reasons put forward for the motion nevertheless may serve as a caveat to the discipline. I will return to the issue in a moment.
Appropriately enough, IPSA in its mission statement aims at strengthening the discipline  so that it may better cope with the envisioned purpose of serving democracy. Again, I quote:
“IPSA’s research committees encourage the world-wide pooling of skills and resources by working both together and in conjunction with specialist sub-groups of national associations… By linking scholars from North and South as well as East and West, IPSA seeks to strengthen the networks that underpin a global political science community.”
Some 40 years ago, at the VIII World Congress held in Munich in 1970, IPSA decided to institutionalize research activities throughout the world by setting up research committees. The immediate establishment of a large number of such committees signaled that our association had indeed responded to a growing demand for sustained cooperation among political scientists. Since 2006, IPSA has been pursuing a policy of strengthening already existing, and forging additional, links among Research Committees, as well as between these and the national political science associations which belong to IPSA as collective members. Efforts at teamwork across sub-fields and across countries are deemed essential for creating synergies and making the most of existing specialization. The present workshop furnishes a perfect example of what the IPSA Executive Committee hoped to achieve when it embarked on its policy. Again, I will enlarge on these considerations shortly.
Read more 
fonte: http://www.ipsa.org/
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6 de outubro de 2011

o enigma dos políticos brasileiros

[Praia Grande, 1989
© Ed Viggiani.
Pirelli/MASP] 

Adriano Codato e 
Luiz Domingos Costa

Há muitos desacordos entre os especialistas sobre qual é o perfil de senadores e deputados federais e como esse perfil tem se transformado ao longo do tempo. Possivelmente, a existência dessas discrepâncias é um sintoma tanto da ausência de debate e de interesse público sobre o assunto, quanto do pouco desenvolvimento desse tipo de pesquisas entre nós. Afinal, quem são os parlamentares brasileiros?

As respostas disponíveis ainda não apresentam um retrato nítido do perfil dos nossos representantes. Nos estudos de Ciência Política, podemos contar pelo menos quatro visões sobre o meio social de onde provém a elite legislativa e sobre como essa elite chegou à Câmara e ao Senado (isto é, qual foi sua trajetória política, por quantos e por quais tipos de cargos passou, se eles influenciaram positiva ou negativamente suas chances de sucesso na carreira política, etc.).

A primeira dessas visões sustenta que se a taxa de renovação de nomes na Câmara dos Deputados é alta, hoje em torno de 50% (enquanto que no Congresso dos EUA ela fica na casa dos 10 a 15%), é porque a Casa aceita com muita frequência indivíduos estranhos ao campo político (“outsiders”).

Se em 1946, 30% daqueles que chegavam à Câmara Federal tinham atrás de si uma longa trajetória na vida pública, em 1994 menos de 10% dos deputados federais possuíam esse perfil. Uma década após o fim da ditadura militar, nada menos de 50% dos membros da Câmara eram indivíduos que haviam conquistado sua respectiva cadeira num período não superior a quatro anos de dedicação exclusiva à política. Predominaria então no Brasil um sistema político mais aberto que garantiria espaço a políticos sem grandes vínculos com partidos tradicionais e com pouca experiência na “vida pública”. Nosso Legislativo seria assim povoado de self-made men, que se fizeram basicamente à margem do mundo político oficial. Isso abriria espaço para o declínio das oligarquias tradicionais.

Outra interpretação argumentou que o elevado índice de revezamento dos políticos brasileiros nas cadeiras legislativas deve-se a uma razão completamente diferente. Ela não diria respeito à estrutura de oportunidades do mercado político (cada vez maiores), mas ao cálculo que os candidatos sempre fazem entre o custo de permanecer ou não numa instituição altamente competitiva do ponto de vista eleitoral, mas com pouco poder decisório. Daí que os legisladores mais experientes e/ou com melhor currículo seriam também aqueles que deixariam mais rapidamente o Legislativo em busca de uma posição com maior poder, em especial no Executivo.

Paralelamente a essa divergência sobre o tipo de carreira, surgiu uma terceira interpretação. Centrada no perfil social dos legisladores, ela constatou um fato absolutamente novo: a “popularização” da classe política brasileira.

A vitória de Lula na eleição presidencial em 2002 – e seu reflexo no aumento da bancada de deputados federais do PT – foi responsável por uma relativa mudança no perfil da classe política da Câmara dos Deputados. Note bem: não se verificou a entrada das classes populares, dos pobres ou indivíduos despossuídos na Casa. O que se verificou foi sim uma queda no percentual de indivíduos com perfil mais tradicional e elitista (isto é, os mais ricos, e dentre esses sobretudo os empresários) e um aumento no número de indivíduos de profissões típicas da classe média.

Percebe-se por quaisquer indicadores que se olhe que a morfologia social dos parlamentares tem se alterado. Essa mudança não significa, contudo, que estamos diante de um processo de popularização da classe política brasileira, nem de democratização do campo político nacional. De toda forma, esses achados descartam a visão convencional de que os políticos são todos iguais, de que a política nacional é o reino dos mesmos homens de sempre e todas aquelas acusações correlatas presente no imaginário “crítico”.

Estudos mais recentes, conduzidos no Núcleo de Pesquisa em Sociologia Política Brasileira da UFPR, têm descoberto que, ao contrário do que se imaginava, ser político profissional é, de longe, a variável mais importante para determinar o sucesso eleitoral de um candidato a deputado federal no Brasil. Nas eleições de 2006, 47% dos vitoriosos já eram membros do poder legislativo (leia o artigo aqui http://bit.ly/nzIzJM).

Isso significa basicamente que se encontra em andamento uma dimensão importante do processo de institucionalização da Câmara dos Deputados: a profissionalização dos seus membros. E que os partidos tendem a levar muito em conta, na seleção dos candidatos, aqueles que já têm grande experiência prévia na política.

Esse é um fato observável em todas as democracias institucionalizadas. A profissionalização das carreiras políticas é a contraface do declínio do poder e da influência dos “notáveis”. Cada vez mais os recursos externos ao mundo político (poder familiar, influência regional, prestígio profissional) passam a contar cada vez menos, o que abre a porta para a entrada das camadas médias nos postos políticos – antes privilégio dos muito ricos.

Por outro lado, que relação há (ou deve haver) entre a profissionalização política dos nossos políticos e a qualidade da representação? Políticos mais profissionais significa melhores políticos ou o contrário?

Adriano Codato (adriano@ufpr.br) é professor dos programas de pós-graduação em Ciência Política e em Políticas Públicas da Universidade Federal do Paraná.


Luiz Domingos Costa é professor dos cursos de Ciência Política, Relações Internacionais, Direito, Administração e Comunicação Social na Faculdade Internacional de Curitiba - FACINTER.
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25 de julho de 2011

novas agendas da ciência política brasileira


[Entreposto de Carne, 1975
São Paulo, SP
Ameris Paolini.

Pirelli/MASP]

Adriano Codato 
(em colaboração com 
Fernando Leite)

Evento: II Fórum Brasileiro de Pós-Graduação em Ciência Política
Universidade Federal de São Carlos - UFSCar
Mesa-redonda com Eduardo Noronha (UFSCar), Adriano Codato (UFPR) e Bruno Reis (UFMG) para falar sobre as "Novas Agendas na Ciência Política Brasileira". 
Em 20 jul. 2011.

O objetivo desta palestra é expor, em linhas bem gerais, a estrutura (cultural e institucional) da Ciência Política brasileira a partir da produção veiculada em seus principais periódicos e elaborar uma explicação sociológica para ela.

Esse objetivo se insere em uma pesquisa mais ampla. Os dados aqui apresentados foram todos coletados, compilados e apresentados por Fernando leite, com quem eu colaboro na pesquisa, na dissertação: Divisões temáticas e teórico-metodológicas na Ciência Política brasileira: explicando sua produção acadêmica (2004-2008), Mestrado em Sociologia. Universidade Federal do Paraná, UFPR, 2010.

A pesquisa sobre o campo científico da Ciência Política brasileira, imaginamos, envolve três momentos.

O primeiro consiste em uma análise estatística da produção acadêmica, contemplando o período de 2004 a 2008 a partir dos principais periódicos da área: Dados, Revista Brasileira de Ciências Sociais, Revista de Sociologia e Política, Lua Nova, Opinião Pública, Brazilian Political Science Review e Crítica Marxista.

O segundo momento envolve uma análise histórica e uma análise institucional em que se constroem algumas hipóteses para determinar pelo menos duas coisas: a situação identificada; como se chegou a ela.

Um terceiro momento previsto tentará estabelecer, a partir da interpretação, as possíveis relações de dominância e subordinação (as hierarquias) em termos de prestígio e poder institucional entre instituições, agentes e produção científica na Ciência Política brasileira.

Aqui vou apresentar brevemente alguns resultados do primeiro passo dessa pesquisa. Ele consistiu em uma investigação sobre tipos de abordagens e áreas temáticas privilegiadas a partir de 364 artigos publicados nessas revistas (exceto Crítica Marxista).


para ler a conferência completa,
clique aqui (em breve)

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17 de dezembro de 2010

Ciência Política em perspectiva histórica: teoria, método e aplicações

[Matadouro, 1994
São Paulo, SP
Nelson Kon. 
Pirelli/MASP] 

XXVI SIMPÓSIO NACIONAL HISTÓRIA
ANPUH 50 anos [clique aqui]
São Paulo, 17 a 22 de julho de 2011.
Universidade de São Paulo (USP)
Cidade Universitária

Inscrições de trabalhos nos Simpósios Temáticos:
1 de janeiro a 21 de março de 2011

ST 023. Ciência Política em perspectiva histórica: teoria, método e aplicações [clique aqui]


Coordenadores:
ADRIANO CODATO (Departamento de Ciências Sociais – UFPR)
TIAGO LOSSO (Departamento de Sociologia e Ciência Política - UFSC)

Resumo: O objetivo do ST é reaproximar duas tradições que se encontram hoje afastadas na cena intelectual nacional: a Ciência Política e a História. Incentiva-se a submissão de trabalhos dispostos a repensar a relação entre essas duas disciplinas do ponto de vista teórico, metodológico ou empírico.

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3 de dezembro de 2010

ciência política e história

[Ed Clark.
Paris, 1946.
Life] 

Adriano Codato et al.

Uma inspeção rápida do que se vem produzindo na Ciência Política brasileira constatará que os estudos tem se caracterizado cada vez mais pelo “presentismo”. Isso não se deve apenas ao fato de os objetos de pesquisa serem cada vez mais contemporâneos dos pesquisadores, mas à perda da dimensão histórica das problemáticas e das análises.

Mesmo sem assumir o desafio proposto por Tilly (1985) há mais de duas décadas, voltar a estudar “grandes estruturas” e “processos de larga escala” a fim de produzir “enormes comparações”, a abordagem histórica permite um ganho considerável para o cientista político. Através dela consegue-se sugerir interações entre sequências causais que convergem num determinado momento e que podem explicar eventos específicos. É o caso do estudo de “conjunturas críticas” (como colapsos de regimes políticos, por exemplo) ou de investigações interessadas na reconstrução da sócio-gênese de um fenômeno ou instituição política. Modelos muito formalizados, postulados teóricos universais e tipologias abstratas tendem a perder relações causais mais complexas, ignorar hipóteses válidas, desconsiderar importantes processos políticos e o modo pelo qual afetam o mundo social. Daí a importância do cientista político olhar não para o passado, mas, como advertiram Pierson e Skocpol (2002), para “processos ao longo do tempo”.

Essa volta aqui sugerida tem a ver então com a necessidade de recuperar a dimensão histórica para os estudos políticos. Nesse movimento, deve-se, todavia, evitar ao máximo três estilos discutíveis de retorno à história: o estudo do passado por si mesmo, esforço que em geral termina em descrições de fenômenos únicos e de interesse limitado no tempo e no espaço; o estudo do passado a fim de encontrar indícios, evidências ou exemplos para ilustrar e confirmar uma teoria ou um modelo explicativo construído a priori; e o estudo do passado como um depósito onde se buscam casos para comparação com problemas do presente, esses sim objetos de interesse efetivo.

Nos últimos anos, na cena acadêmica internacional, vem-se observando uma revitalização de estilos de teorização política informados pelo conhecimento histórico. Mesmo num contexto em que há um predomínio na Ciência Política de disposições naturalizantes e de reflexões descontextualizadas, as abordagens historicistas da Teoria Política vêm-se apresentando como alternativas à polarização entre as modalidades de teorização de natureza estritamente instrumental (em que a teoria desempenha o papel subordinado de simples meio para o balizamento de pesquisas empíricas), e as modalidades estritamente filosófico-normativas (em que a teoria destina-se à afirmação de modelos ideais de sociedade ou de ordens jurídico-políticas).

Exemplo desta confluência entre Ciência Política e História no domínio da teoria pode ser acompanhado no novo fôlego dos estudos sobre teoria política republicana. Nas décadas recentes eles assumiram um contorno em que a teoria política normativa nutre-se de estudos sobre as idéias do passado, ao passo que a história (especificamente a história do pensamento político) utiliza-se do ferramental teórico elaborado pelos politólogos para manusear seus próprios objetos de estudo. Além disso, a história do pensamento político produz, ao ser escrita, teoria política, fornecendo ao analista contemporâneo um manancial de consulta que auxilia na resposta aos problemas atuais, já que promove a desnaturalização das noções políticas que esposamos atualmente, permitindo novos cursos de ação e de ideias (Skinner, 1996; Pettit, 1997).

Do lado das análises empíricas em Ciência Política, há um movimento na mesma direção, seja por parte dos estudos apoiados no neo-institucionalismo histórico, seja nas análises que enfatizam a dependência da trajetória histórica para a compreensão de determinados fenômenos políticos (path dependence). Todavia, não se trata apenas de reconhecer que “a história importa”, isto é, que escolhas feitas no passado produzem efeitos mais adiante, preceito que vale tanto para firmas privadas quanto para Estados nacionais. A virada histórica que desde o início da década vem influenciando cientistas políticos empiricamente orientados pretende significar uma mudança teórica mais profunda e mais radical que a do neo-institucionalismo histórico. Como resumiu Paul Pierson (2004), o entendimento de processos e práticas políticas implica em comutar o foco centrado em grandes leis causais para estudos de mecanismos sociais específicos. As explanações daí derivadas estão baseadas em hipóteses formuladas explicitamente sob certas condições limitantes, que são “tempo” e “lugar”. A vantagem mais evidente desse enfoque é que ele permite contrapor-se a explicações deduzidas de grandes teorias, onde o fato histórico comparece apenas como um exemplo ilustrativo, ou contrapor-se a explicações baseadas em tipologias, em que o caso é classificado (e supostamente explicado) conforme a distância maior ou menor em relação a modelos construídos por abstração a partir de exemplos selecionados como base em critérios eles mesmos discutíveis. Ainda que não seja uma revelação, os preceitos dessa estratégia de análise indicam que pensar em termos de “tempo” e “lugar” é pensar em termos de contextos históricos.

Análises desse tipo – cujo fundamento são teorias de médio alcance, hipóteses verificáveis, e não postulados teóricos universais – têm encontrado um reforço bastante positivo nas mudanças recentes da História (a disciplina), seja porque voltou à tona a narrativa explicativa, isto é, a procura de respostas nos estudos históricos a uma questão de tipo “por quê?”, seja porque os próprios historiadores, ao que parece, estão novamente atentos, apesar de tudo, para causas, origens e consequências no estudo de acontecimentos discretos (Weinstein, 2003). Resulta portanto que o mais prudente é evitar, para usar a frase publicitária de Yves Déloye (1999), o confronto e o desquite entre “o arquivo e o conceito”.

Referências

DÉLOYE, Yves. Sociologia histórica do político. Bauru: EDUSC, 1999.
KOSELLECK, R. Futuro Passado. Rio de Janeiro: Contraponto, 2006.
PETTIT, P. Republicanism: A Theory of Freedom and Government. Oxford: Oxford University Press, 1997.
ROSANVALLON, P. Por uma história conceitual do político (nota de trabalho). Revista Brasileira de História, vol. 15, n. 30, 1995.
SKINNER, Q. As fundações do pensamento político moderno. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
TUCK, R. História do pensamento político. In: BURKE, Peter. (org.). A escrita da história: novas perspectivas. São Paulo: Editora UNESP, 1992.
PIERSON, Paul e SKOCPOL, Theda. Historical Institutionalism in Contemporary Political Science. In: Katznelson, Ira & Milner, Helen V. (eds). Political Science: State of the Discipline. New York: W.W. Norton, 2002, p. 693-721.
PIERSON, Paul. Politics in Time: History, Institutions, and Social Analysis. Princeton e Oxford: Princeton University Press, 2004.
TILLY, Charles. Big structures, large processes, huge comparisons. New York: Russell Sage Foundation, 1985.
WEINSTEIN, Barbara. História sem causa? A nova história cultural, a grande narrativa e o dilema pós-colonial. História, vol. 22, n. 2, p. 185-210, 2003.
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9 de fevereiro de 2010

agenda de pesquisa e campo profissional da Ciência Política

[Miguel Chikaoka
Algodoal, 1986.
Pirelli/MASP]

Escrevi o texto abaixo como introdução à aula inaugural do curso de graduação em Ciência Política da Faculdade Internacional de Curitiba – Facinter, 9 fev. 2010. O trabalho pode ser baixado e lido na íntegra. Ver o link no final do post. Trata-se, bem entendido, de um rascunho sobre a agenda de pesquisa e o campo profissional da Ciência Política brasileira hoje. Os juízos do texto estão baseados mais em impressões que em pesquisa. Todos os comentários são bem vindos. Peço encarecidamente para não citar este trabalho, pois ele se encontra ainda em elaboração. Decidi publicá-lo aqui para manter vivo o blog.


Ninguém discordaria que a palavra “ciência” que enfeita a expressão “Ciência Política” soa um pouco excessiva.

Como se pode tomar como objeto de conhecimento, e ainda por cima com rigor e método, isto é, cientificamente, a atividade política?

Todas as definições sobre Ciência Política começam em geral do mesmo ponto: citando um autor importantíssimo tanto para a história da Sociologia quanto para a história do pensamento político contemporâneo – Max Weber. Essas definições destacam em geral duas conferências suas pronunciadas há quase cem anos atrás (em 1918) na Universidade de Munique: A ciência como vocação e A política como vocação (cf. Weber, 1994). Nelas, Weber propõe uma oposição radical entre o político de um lado, o cientista de outro. Isso só nos deixa um caminho: ou se é uma coisa, ou se é outra. Que dizer então dessa expressão, tão pomposa quanto suspeita: “cientista político”?

Uma das muitas dificuldades ao juntá-las – “Ciência Política” – é que, de fato, o cientista e o político parecem pertencer a mundos completamente distintos. Talvez a única coisa em comum entre eles seja que suas atividades respectivas produzem duas imagens simétricas: uma positiva, outra negativa.

Assim, “o” cientista – isto é, a figura ideal do cientista ideal – é aquele que se caracteriza ao mesmo tempo por uma virtude e por um defeito: (i) virtude: o trabalho do homem de ciência se faz no rigor da busca desinteressada da verdade; (ii) defeito: o cientista é o homem da especulação (especula com ideias) e por isso ele está sempre desligado dos problemas práticos e dos interesses práticos.

Enrascada semelhante se dá com “o” político. Por oposição ao cientista, o político profissional tem uma virtude característica: (i) virtude: ele é o homem de ação – “aquele que faz” – e não aquele que só fala; e (ii) seu principal defeito? O político profissional é aquele que atua não de forma desinteressada (como o cientista), mas em benefício próprio. Eu poderia enumerar, para fundamentar essa proposição, todas as imagens que foram construídas sobre o “político maquiavélico”.

Tendo essas dificuldades em mente, gostaria de propor aqui uma terceira via para encarar o cientista político. Trata-se de uma forma um tanto quanto diferente das duas anteriores (que impõe: ou se é político profissional, ou se é cientista puro). Penso que o cientista político deve ser tomado como (mais) um especialista das “novas profissões”.

clique aqui para ler o documento [pdf]
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12 de dezembro de 2009

política brasileira - manual introdutório

[Espírito Santo, 1972.
Bina Fonyat.

Pirelli / MASP]


No início de 2010 publicaremos por uma editora de livros de vídeo-aulas um manual introdutório em dez capítulos sobre a política brasileira.
O livro, editado pelo IESDE, foi escrito por um conjunto de pesquisadores do NUSP. O texto abaixo é a introdução que redigi para o livro.

Cientistas políticos são quase unânimes em afirmar que o Brasil é uma “poliarquia institucionalizada”. Isso significa que o regime político democrático – um nome menos preciso e mais normativo que poliarquia – tornou-se a forma de governo incontestada entre nós.

Conforme a definição clássica de Robert Dahl, um país será tanto mais democrático, ou poliárquico, quanto melhores forem as condições que garantam o direito à oposição (que Dahl chama de “contestação pública”) e o direito à participação em eleições e cargos de direção política.

Alguns dados brutos são suficientes para ilustrar as mudanças do país nas últimas décadas nessa direção.

Desde a promulgação da Constituição de 1988 e da eleição para Presidente da República, em 1989, houve um processo contínuo e crescente de institucionalização democrática. O total de eleitores inscritos para votar em 2006 era muito próximo de 126 milhões de pessoas. O poder legislativo abriu-se à expressão de minorias e garantiu seu poder de veto. O sistema partidário tornou-se complexo e passou a contar, em 2007, com 21 partidos representados no Parlamento. A efetiva separação entre o poder Executivo e o poder Legislativo se não garantiu integralmente o preceito da autonomia mútua e da fiscalização recíproca, ao menos dividiu as funções governativas, ainda que de maneira desequilibrada, entre os dois ramos principais do sistema estatal. As eleições tornaram-se razoavelmente competitivas, embora persista (e cada vez se amplie mais) o desequilíbrio entre candidaturas mais e menos opulentas. A legislação garantiu consultas políticas através de plebiscitos e referendos e o direito de propor leis de iniciativa popular. Foram criados inúmeros conselhos setoriais de políticas de governo com participação da “sociedade civil”. O direito de greve foi garantido.

Comparando com o período imediatamente anterior, da ditadura militar, ou com o regime da Constituição de 1946, é certo que hoje há muito mais garantias aos direitos de associação e expressão, muito mais condições para a formação de partidos e organizações políticas, maior igualdade perante a lei, maior controle sobre os governos, maior tolerância diante do conflito.

Essas liberdades liberais clássicas foram responsáveis por uma mudança importante na composição e no perfil das lideranças eleitas, aumentando assim o grau de inclusão de outros grupos sociais nas arenas políticas e, com isso, a variedade de interesses representados. As políticas governamentais de caráter social – cada vez mais importantes na agenda pública – ilustram isso. Houve mesmo uma relativa popularização da classe política e uma importante profissionalização da elite estatal em alguns domínios específicos. Os próprios partidos tiveram de adaptar-se às novas condições de competição por eleitores, ajustando seu programa e sua retórica a valores mais pluralistas. As ideologias autoritárias perderam a audiência e a popularidade que já tiveram no passado. Democracia parece gerar, ainda num grau insuficiente, é certo, crenças e atitudes mais democráticas e mais tolerantes.

Essas condições para a poliarquia não foram criadas do nada. O processo histórico que conduziu o país até o grau presente de desenvolvimento institucional supôs certas sequencias históricas. Ao longo do século XX vários foram os fatores socioeconômicos e ideológicos que influenciaram o mundo político.

O livro que o leitor tem em mãos procura expor e explicar o difícil caminho para a institucionalização da poliarquia à brasileira. Compreender a persistência do clientelismo, da patronagem, da corrupção, do grau desmesuradamente alto de irresponsabilidade governamental, de autonomia dos representantes políticos, dos desequilíbrios do poder econômico e do poder social implica em compreender a via peculiar do país para a democracia realmente existente entre nós. Assim, oferecemos aqui duas coisas num mesmo volume: um resumo das precondições históricas do regime atual e uma caracterização sumária e didática das suas características principais.

Adriano Codato
Curitiba, primavera de 2009.
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3 de dezembro de 2009

o conceito de elite (I)

[Nina Leen. 1943.
Life]

Adriano Codato

As posições de comando no espaço social – ao menos as posições políticas – estão repartidas entre as classes economicamente dominantes e as classes politicamente dirigentes.

A elite política, ou a “classe política” (tomadas aqui como sinônimos, portanto), são, conforme a distinção tradicional proposta por Gaetano Mosca em Sulla teorica dei governi e sul governo parlamentare, apenas uma parte daquele conjunto designado comumente pelo nome “classe dirigente”.

Apesar do emprego ambíguo dos dois termos por Mosca, como James Burnham notou (1) , a expressão ‘classe dirigente’ englobaria também, além da elite política, todos aqueles agentes que estão fora do Estado e fora do governo, mas que poderiam influenciar as decisões políticas, sem exercer diretamente, como a primeira, o poder.

Esse grupo incluiria várias “minorias” (politicamente desiguais entre si, note-se), como as econômicas, as religiosas, as intelectuais, as sociais. A classe política, ou a elite política, seria, por sua vez, uma subespécie da classe dirigente: é a parte da classe dirigente que estaria incumbida da tarefa de governar (2) .

Tal como eu penso que deva ser utilizada, a noção de elite (política) não substitui o conceito de classe (dominante), já que não são termos intercambiáveis (3) ; nem o emprego da expressão “classe política” deve significar, necessariamente, uma adesão do analista a todos os pressupostos teóricos da “teoria das elites” (ou do autor aos princípios normativos dos elitistas).

Notas:

1. Ver James Burnham. Los maquiavelistas: defensores de la libertad. 2ª. ed. Buenos Aires: Emecé, 1953, p. 99.

2. Ver James H. Meisel, The Mith of the Ruling Class: Gaetano Mosca and the “Elite”. Michigan: Ann Arbor Paperbacks; The University of Michigan Press, 1962, p. 37 e p. 160-161. Ver também Ettore A. Albertoni. Doutrina da classe política e teoria das elites. Rio de Janeiro: Imago, 1990, p. 68.

3. Ver Tom B. Bottomore, As elites e a sociedade. 2ª. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1974, p. 14 e segs. Para a mesma ideia, conferir Anthony Giddens, A estrutura de classes das sociedades avançadas. Rio de Janeiro: Zahar, 1975, p. 145 e segs.
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