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Bolognesi, B., Ribeiro, E., & Codato, A.. (2023). A New Ideological Classification of Brazilian Political Parties. Dados, 66(2), e20210164. Just as democratic politics changes, so does the perception about the parties out of which it is composed. This paper’s main purpose is to provide a new and updated ideological classification of Brazilian political parties. To do so, we applied a survey to political scientists in 2018, asking them to position each party on a left-right continuum and, additionally, to indicate their major goal: to pursue votes, government offices, or policy issues. Our findings indicate a centrifugal force acting upon the party system, pushing most parties to the right. Furthermore, we show a prevalence of patronage and clientelistic parties, which emphasize votes and offices rather than policy. keywords: political parties; political ideology; survey; party models; elections
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15 de agosto de 2012

verbete "capitalismo"

[fotografia: Rafael Bertelli
São Paulo.
8 dez. 2008]



Adriano Codato


Capitalismo tem em geral duas acepções. A primeira restringe o termo ao seu aspecto estritamente econômico: trata-se de um sistema de produção de bens e serviços que engloba instituições e práticas econômicas de tipo capitalista (e não instituições e práticas socialistas, ou feudais, etc.). Em geral capitalismo está associado a livre mercado, concorrência entre empresas, espírito empreendedor, trabalho assalariado, investimento e ganhos sob a forma de renda, lucros e juros. O capital, a base desse sistema, pode assumir diferentes formas: dinheiro a ser investido, crédito, títulos financeiros, propriedades, meios de produção (máquinas, estoques de bens) ou mesmo conhecimento especializado (como na expressão “capital humano”). Nesse sentido, capital são todos esses bens que têm o poder de gerar por si mesmos mais bens, ou seja, mais capital.

Esse sistema econômico está associado a (mas não se confunde com) sistemas de outro tipo, tais como o sistema político, o sistema cultural, o sistema social. No caso, diz-se que uma sociedade qualquer (a sociedade brasileira, por exemplo) seria constituída economicamente pelo sistema capitalista e politicamente por um sistema democrático (eleições íntegras, propaganda política livre, direito de expressar opinião, fazer oposição, etc.). Nessa formulação, não dizemos que uma sociedade é capitalista, mas apenas o seu sistema produtivo.

Na segunda acepção possível, o capitalismo não é entendido como um sistema econômico, como um conjunto de instituições voltadas à produção de bens e serviços em busca do lucro, mas como um fenômeno histórico-social generalizado. Assim, o termo serve de adjetivo a toda sociedade – diz-se: a sociedade capitalista –, sugerindo que há múltiplas formas de influência entre a base econômica capitalista e outros domínios da vida social. Daí as expressões “Estado capitalista”, “civilização burguesa”, etc. O pensador alemão Karl Marx (1818-1883) utiliza o termo modo de produção capitalista justamente para indicar a articulação obrigatória entre uma base econômica de tipo capitalista e os demais níveis do mundo social (o nível jurídico e político e o nível ideológico e cultural). Capitalismo é então uma forma específica – isto é, histórica – de organização social, e não apenas uma maneira de coordenar a produção de bens e serviços numa “economia de mercado”. Essa forma de organização global da sociedade envolve todas essas dimensões (a econômica, a política e a ideológica) ao mesmo tempo.

[continua...]

Referência:

CODATO, A. CAPITALISMO. Teixeira, Francisco M. P. coord. DICIONÁRIO BÁSICO DE SOCIOLOGIA. São Paulo: Global Editora, 2012 (no prelo).
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8 de agosto de 2012

verbete "sistema político"

[Television broadcast 
on election night.
New York, NY, US
November 1952. 
Al Fenn. Life]


Adriano Codato

Há três sentidos possíveis no emprego da noção de sistema político.

Sistema político pode designar simplesmente “sistema de governo” e suas duas variantes principais: parlamentarismo ou presidencialismo. Também é usado com relativa frequência por cientistas políticos para nomear tipos de regimes políticos: democracia, autoritarismo, totalitarismo e as muitas variantes a partir desses: oligarquia, tirania, teocracia, aristocracia, etc. Quando a divisão ainda fazia sentido, cientistas sociais e comentaristas políticos falavam em “sistemas políticos capitalistas” e “sistemas políticos socialistas” (ou comunistas), misturando assim variáveis políticas (a forma do governo), econômicas (a estrutura produtiva) e ideológicas (a doutrina política predominante). Sistema político pode descrever, por outro lado, o conjunto de instituições governamentais, grupos de interesse, valores políticos e suas relações de interdependência. Pode-se argumentar que esse segundo sentido já está contido no primeiro. Regimes políticos devem ser interpretados como sistemas políticos, ressaltando como as partes que os compõem (as variáveis sistêmicas) influem umas sobre as outras.

E, por fim, sistema político é uma expressão, conforme o cientista político David Easton (1917- ), mais precisa do que Estado, por exemplo, para mencionar como se conectam a autoridade política, o poder e o processo de tomada de decisões numa comunidade. A “análise sistêmica” da política refere-se tradicionalmente à segunda e à terceira acepções. Vejamos cada um dos três significados de sistema político – como sistema de governo, como conjunto de instituições políticas relacionadas mutuamente e como um mecanismo de conversão de reivindicações em decisões – separadamente.

[continua...].

Referência:

CODATO, A. SISTEMA POLÍTICO. In: NOGUEIRA, Marco Aurélio; DI GIOVANI, Geraldo (orgs.). Dicionario FUNDAP de Políticas Públicas. São Paulo: FUNDAP, 2012 (no prelo).