artigo recomendado


Batista, Mariana. (2016). O Poder no Executivo: explicações no presidencialismo, parlamentarismo e presidencialismo de coalizão. Revista de Sociologia e Política, 24(57), 127-155.
Como a literatura vem analisando o Poder Executivo nos diferentes regimes políticos? A partir da diferença institucional básica entre presidencialismo e parlamentarismo pode-se identificar dois conjuntos de contribuições principais para o entendimento do funcionamento do Executivo em democracias: a literatura sobre a presidência americana e as discussões sobre os governos de coalizão no parlamentarismo europeu. O que os dois conjuntos de teorias têm em comum é a preocupação com a política intra-executivo. Esta literatura é analisada, identificando as principais questões, instituições, comportamentos e variáveis enfatizadas.
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29 de dezembro de 2016

medindo o conservadorismo dos brasileiros

[Série Sumaré, 1998
vidro sobre vidro
160,0 x 110,0 cm (175,0 x 125,0 cm)
montagem © Alex Flemming.
Pirelli MASP]

Entrevista ao NexoJornal

Como é medido o conservadorismo do eleitor e quais os limites dessas projeções
* Bruno Lupion 28 Dez 2016 (atualizado 28/Dez 15h26)

http://bit.ly/2hzdKne

Pesquisa Ibope identificou expansão da parcela mais conservadora no Brasil. Há diversas formas de classificar as preferências de uma pessoa em um mapa ideológico, mas definições suscitam críticas.

O Nexo perguntou a dois professores se a classificação dos eleitores entre conservador, liberal, esquerda e direita é adequada para explicar as diferentes inclinações políticas em uma sociedade:

É possível dividir as pessoas em esquerda, direita, liberal e conservador para tentar explicar a sociedade hoje em dia?

ADRIANO CODATO : Sim, todo os comportamentos sociais são passíveis de mensuração e classificação. Como a gente não deve assumir que cada indivíduo é absolutamente único, e que os comportamentos são socialmente condicionados, é possível achar padrões e tendências em atitudes, valores e interesses.
Porém, há boas medidas e más medidas. Simplesmente perguntar se a pessoa é de esquerda ou de direita é ruim, porque supõe que o entrevistado tenha os conceitos de esquerda e direita como os da filosofia política. E as pessoas não necessariamente têm esse entendimento.
É preciso tomar uma série de atalhos para medir esses comportamentos. Um desenvolvimento interessante é o Political Compass, que tem mais de 30 questões. Quando há poucas questões e poucas alternativas para as respostas, você pode forçar posicionamentos e ninguém vai para a coluna do meio, que é onde ficam os que têm opiniões nuançadas, de centro.

ROBERTO ROMANO : Nunca foi possível fazer isso. Essa utilização de esquerda, direita, centro, abaixo é muito ligada a circunstâncias, são termos imprecisos. Foram universalizados indevidamente enunciados que serviram para movimentos políticos ao longo da história.
Há um linguista, Émile Benveniste (1902-1976), que se preocupou com a questão da continuidade do discurso. Todo discurso precisa de conectores, e ele chamou certas palavras de palavras-embreagens: você vem numa determinada realidade e, em algum momento, não há possibilidade de continuar a se expressar. Aí, assim como em um caminhão quando há troca de marcha, essas palavras-embreagem servem para manter um mínimo de coerência no discurso ao longo do tempo.
Mas, se você refina a análise, vê que elas não dão mais conta do que pretendem enunciar. É complicado dividir grupos e sociedades inteiras segundo essa terminologia de esquerda, direita, conservador. Se você pega a União Soviética, supostamente ela seria de esquerda, mas primou por práticas ligadas ao fordismo, uma forma de pensar produtiva e disciplinada, que tem pouco a ver com a história do pensamento atribuído à esquerda.

Como a população brasileira se movimenta em relação a esses enquadramentos?

ADRIANO CODATO : É possível identificar padrões. Você tem uma direita autoritária, no estilo do [deputado federal Jair] Bolsonaro (PSC-RJ). Há também uma esquerda autoritária, que são esses micropartidos de extrema esquerda que só existem dentro das universidades — um exemplo são os que invadiram o departamento de ciência política da Universidade Federal de Pernambuco. Uma figura pública da esquerda liberal seria o prefeito de São Paulo [Fernando Haddad], que é a favor da regulação estatal, como reduzir a velocidade das marginais, ao mesmo tempo em que criou políticas de apoio para que pessoas transgênero possam comprar apartamento. E há um direita libertária, que são os caras do MBL [Movimento Brasil Livre]. Embora seus métodos de ação política sejam agressivos, eles têm um discurso de que o Estado deve ficar de fora, inclusive da vida privada dos indivíduos.
O que chama a atenção no Brasil é que, nas últimas métricas do World Value Survey e do Latinobarômetro, não houve aumento do conservadorismo, mas um aumento das posições extremas quando se pergunta ao entrevistado se ele é de esquerda ou de direita. Quando você vê o gráfico comparando vários países do mundo, percebe que quase todos os respondentes tendem a ficar nas posições do meio, é quase um sino perfeito — sobe no meio e cai nas pontas. O Brasil é o único país onde as pontas passam de 12% do total. Mas a gente não sabe se as pessoas que responderam ao questionário sabiam o quem estava respondendo. Em todo caso, chama a atenção que essa pesquisa foi feita após uma eleição [de 2014] com muita polarização.

ROBERTO ROMANO : Entre esses termos, o mais conhecido é o conservadorismo. O que é conservadorismo? É um pensamento que surge depois das revoluções francesa, americana e inglesa, no sentido de negar a passagem da aplicação da ciência mecânica ao plano político. Os conservadores surgiram para quebrar a hegemonia do pensamento mecânico, que vê a realidade social como uma máquina, na qual é possível aperfeiçoar o Estado artificialmente e rumar para o progresso. Eles adotam uma forma de pensar orgânica, na qual a sociedade deve crescer segundo padrões dela mesma, sem interferências externas. Para que você classifique uma pessoa ou movimento como conservador, é necessário que ela tenha essa característica, de querer manter a ética, a arte e a religião de um determinado povo.
É muito difícil dizer que o povo brasileiro pensa dessa maneira. Além de conservador ser aplicado como uma palavra-embreagem, é difícil dizer que a massa média da população brasileira é conservadora. Muitos comportamentos chamados de conservadores são próprios de uma estrutura familiar patriarcal, como o machismo. Você pode encontrar um militante de esquerda com comportamentos extremamente patriarcais, por exemplo.


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20 de dezembro de 2016

bancada da bala

[Alberto Fraga(DEM-DF) e 
Jair Bolsonaro (PP-RJ)
Foto: Ailton de Freitas] 











novo artigo: BERLATTO, Fábia; Codato, Adriano; BOLOGNESI, Bruno. Da polícia à política: explicando o perfil dos candidatos das forças repressivas de Estado à Câmara dos Deputados. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 21, 2016.


From Police to Politics: analyzing the profile of candidates from the State’s repressive Forces to the Chamber of Deputies


ABSTRACT:

The present article explores the social profile and political party preference by members of the State Repressive Forces with a career in institutional politics during the last two decades in Brazil. By means of descriptive statistics, we underline the particularities of Police and Military candidates for a federal deputy office. Findings from this research indicated abrupt changes, from one election to another, among the parties in which these candidates were most highly concentrated. If the transition from police to politics during the 1990s occurred through major right-wing parties, in the 2010 decade it takes place through small parties without clear ideological identities (“physiological parties”). In addition to the constitutional impediment of military personnel affiliation to political parties, the lack of a systematic preference for a party college type may be the effect of a strategic behavior, since not only is it easier to obtain a nomination within these small parties, but there also exists a greater lenience toward personalist discourses, such as those espoused by these policeperson-candidates. This behavior is also related to a negative view of traditional politics and established politicians within major parties as well as a condemnation of political programs with overly generic ideological appeals. Such candidates favor certain specific agendas, such as the demands from their own professional corporations.

Keywords: repressive forces of the State, party preference, social profile, elections, candidates.

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SciELO


Academia.edu
http://bit.ly/2ha3LED

SER UnB
http://bit.ly/2ha3Qbp

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13 de dezembro de 2016

senadores brasileiros: da democracia à ditadura

[Palácio Monroe, 
antiga sede do Senado Federal.
Rio de Janeiro] 






novo artigo:

Adriano Codato, Luiz Domingos Costa, Lucas Massimo, Flavio Heinz.
Regime político e recrutamento parlamentar: um retrato coletivo dos senadores brasileiros antes e depois da ditadura. Revista de Sociologia e Política (Online), v. 24, n. 60 p. 47-68, 2016. DOI 10.1590/1678-987316246005

Political Regime and Parliamentary Recruitment in Brazil: A Collective Profile of Senators before and afterthe Dictatorship

Abstract:

The article rebuilds the collective profiles of the Brazilian Senate benches in three periods: the populist democracy (1945-1964) , themilitary dictatorship (1964-1979) and the regime of transition to liberal democracy (1979-1990). The time frame takes into accountthree party systems: multipartisan (1945-1965), bipartisan (1965-1979) and multiparty one more time (1979 ahead). The hypothesisweseekto test is thefollowing:changesin thesocialprofileandtheprofileof thepoliticalcareerof parliamentariansshould berelatedto the type of political regime and, more specifically, with the then current party system. In the case analyzed here, is assumed the at-tributes of Brazilian Senate members elected under a system of several competing parties must be distinct from attributes of thoseelected under bipartisanship – even though the electoral rules were the same. In order to analyze the impact of the changes in condi-tions for access the upper chamber 351 senators were studied. The data shows these representativeshad the profile of their careersse-verely affected by variations in the parameters of political competition imposed by the military dictatorship. The narrowing of opportunity structure, a straight effect of bipartisan system, was responsible for harming competitors without major political experi-ence.With the reintroductionof multiparty politics in the 1982 elections,the characteristicsof these parliamentarycareerscamebackto the previous profile previous to 1964.

KEYWORDS: Federal Senate; parliamentary recruitment; political career; political regime; party system.

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SciELO


Academia.edu
http://bit.ly/2hA5kLX

SER UFPR
http://bit.ly/2hA1yCf

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