artigo recomendado


Lopez, Felix, & Almeida, Acir. (2017). Legisladores, captadores e assistencialistas: a representação política no nível local. Revista de Sociologia e Política, 25(62), 157-181.
O artigo analisa a representação política local, focando as percepções e práticas cotidianas dos vereadores. Em particular, analisam-se suas escolhas entre estratégias de representação clientelistas e universalistas. Utilizam-se dados originais de entrevistas abertas semiestruturadas com amostra não representativa de 112 vereadores de 12 municípios de Minas Gerais. Por meio de análise qualitativa, classificam-se os vereadores em três tipos, de acordo com sua principal estratégia de representação, a saber: “legislador”, que se dedica mais às funções formais da vereança; “captador”, que prioriza o atendimento de pedidos coletivos dos eleitores; “assistencialista”, que prioriza o atendimento de pedidos particulares. Os resultados sugerem que essas estratégias são qualitativamente distintas e que a probabilidade de ocorrência do tipo assistencialista é maior em municípios pequenos, crescente no acirramento da competição política e decrescente na volatilidade eleitoral.
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15 de agosto de 2012

verbete "capitalismo"

[fotografia: Rafael Bertelli
São Paulo.
8 dez. 2008]



Adriano Codato


Capitalismo tem em geral duas acepções. A primeira restringe o termo ao seu aspecto estritamente econômico: trata-se de um sistema de produção de bens e serviços que engloba instituições e práticas econômicas de tipo capitalista (e não instituições e práticas socialistas, ou feudais, etc.). Em geral capitalismo está associado a livre mercado, concorrência entre empresas, espírito empreendedor, trabalho assalariado, investimento e ganhos sob a forma de renda, lucros e juros. O capital, a base desse sistema, pode assumir diferentes formas: dinheiro a ser investido, crédito, títulos financeiros, propriedades, meios de produção (máquinas, estoques de bens) ou mesmo conhecimento especializado (como na expressão “capital humano”). Nesse sentido, capital são todos esses bens que têm o poder de gerar por si mesmos mais bens, ou seja, mais capital.

Esse sistema econômico está associado a (mas não se confunde com) sistemas de outro tipo, tais como o sistema político, o sistema cultural, o sistema social. No caso, diz-se que uma sociedade qualquer (a sociedade brasileira, por exemplo) seria constituída economicamente pelo sistema capitalista e politicamente por um sistema democrático (eleições íntegras, propaganda política livre, direito de expressar opinião, fazer oposição, etc.). Nessa formulação, não dizemos que uma sociedade é capitalista, mas apenas o seu sistema produtivo.

Na segunda acepção possível, o capitalismo não é entendido como um sistema econômico, como um conjunto de instituições voltadas à produção de bens e serviços em busca do lucro, mas como um fenômeno histórico-social generalizado. Assim, o termo serve de adjetivo a toda sociedade – diz-se: a sociedade capitalista –, sugerindo que há múltiplas formas de influência entre a base econômica capitalista e outros domínios da vida social. Daí as expressões “Estado capitalista”, “civilização burguesa”, etc. O pensador alemão Karl Marx (1818-1883) utiliza o termo modo de produção capitalista justamente para indicar a articulação obrigatória entre uma base econômica de tipo capitalista e os demais níveis do mundo social (o nível jurídico e político e o nível ideológico e cultural). Capitalismo é então uma forma específica – isto é, histórica – de organização social, e não apenas uma maneira de coordenar a produção de bens e serviços numa “economia de mercado”. Essa forma de organização global da sociedade envolve todas essas dimensões (a econômica, a política e a ideológica) ao mesmo tempo.

[continua...]

Referência:

CODATO, A. CAPITALISMO. Teixeira, Francisco M. P. coord. DICIONÁRIO BÁSICO DE SOCIOLOGIA. São Paulo: Global Editora, 2012 (no prelo).
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Um comentário:

Samira K disse...

Ficou muito bom!