artigo recomendado


Batista, Mariana. (2016). O Poder no Executivo: explicações no presidencialismo, parlamentarismo e presidencialismo de coalizão. Revista de Sociologia e Política, 24(57), 127-155.
Como a literatura vem analisando o Poder Executivo nos diferentes regimes políticos? A partir da diferença institucional básica entre presidencialismo e parlamentarismo pode-se identificar dois conjuntos de contribuições principais para o entendimento do funcionamento do Executivo em democracias: a literatura sobre a presidência americana e as discussões sobre os governos de coalizão no parlamentarismo europeu. O que os dois conjuntos de teorias têm em comum é a preocupação com a política intra-executivo. Esta literatura é analisada, identificando as principais questões, instituições, comportamentos e variáveis enfatizadas.
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15 de agosto de 2012

verbete "capitalismo"

[fotografia: Rafael Bertelli
São Paulo.
8 dez. 2008]



Adriano Codato


Capitalismo tem em geral duas acepções. A primeira restringe o termo ao seu aspecto estritamente econômico: trata-se de um sistema de produção de bens e serviços que engloba instituições e práticas econômicas de tipo capitalista (e não instituições e práticas socialistas, ou feudais, etc.). Em geral capitalismo está associado a livre mercado, concorrência entre empresas, espírito empreendedor, trabalho assalariado, investimento e ganhos sob a forma de renda, lucros e juros. O capital, a base desse sistema, pode assumir diferentes formas: dinheiro a ser investido, crédito, títulos financeiros, propriedades, meios de produção (máquinas, estoques de bens) ou mesmo conhecimento especializado (como na expressão “capital humano”). Nesse sentido, capital são todos esses bens que têm o poder de gerar por si mesmos mais bens, ou seja, mais capital.

Esse sistema econômico está associado a (mas não se confunde com) sistemas de outro tipo, tais como o sistema político, o sistema cultural, o sistema social. No caso, diz-se que uma sociedade qualquer (a sociedade brasileira, por exemplo) seria constituída economicamente pelo sistema capitalista e politicamente por um sistema democrático (eleições íntegras, propaganda política livre, direito de expressar opinião, fazer oposição, etc.). Nessa formulação, não dizemos que uma sociedade é capitalista, mas apenas o seu sistema produtivo.

Na segunda acepção possível, o capitalismo não é entendido como um sistema econômico, como um conjunto de instituições voltadas à produção de bens e serviços em busca do lucro, mas como um fenômeno histórico-social generalizado. Assim, o termo serve de adjetivo a toda sociedade – diz-se: a sociedade capitalista –, sugerindo que há múltiplas formas de influência entre a base econômica capitalista e outros domínios da vida social. Daí as expressões “Estado capitalista”, “civilização burguesa”, etc. O pensador alemão Karl Marx (1818-1883) utiliza o termo modo de produção capitalista justamente para indicar a articulação obrigatória entre uma base econômica de tipo capitalista e os demais níveis do mundo social (o nível jurídico e político e o nível ideológico e cultural). Capitalismo é então uma forma específica – isto é, histórica – de organização social, e não apenas uma maneira de coordenar a produção de bens e serviços numa “economia de mercado”. Essa forma de organização global da sociedade envolve todas essas dimensões (a econômica, a política e a ideológica) ao mesmo tempo.

[continua...]

Referência:

CODATO, A. CAPITALISMO. Teixeira, Francisco M. P. coord. DICIONÁRIO BÁSICO DE SOCIOLOGIA. São Paulo: Global Editora, 2012 (no prelo).
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Um comentário:

Samira K disse...

Ficou muito bom!