artigo recomendado

CORADINI, Odaci Luiz. Categorias sócio-profissionais, titulação escolar e disputas eleitorais. Rev. Sociol. Polit. [online]. 2012, vol.20, n.41, pp. 109-122.
O artigo expõe resultados da análise das relações entre recursos de posição social, investimentos financeiros em campanhas e resultados em disputas eleitorais de diferentes níveis. Foram incluídos os candidatos às eleições municipais de 2004 e gerais de 2006. No que tange aos recursos de posição social, foram examinadas particularmente as associações com a condição profissional e com a titulação escolar. Foram examinados também os efeitos da ocupação prévia de cargos eletivos. Conforme a hipótese geral perseguida, por um lado, ocorre um processo de concentração nas categorias ocupacionais que representam posição social mais alta e mais fortemente associada à titulação escolar mais valorizada na medida em que o cargo em disputa é hierarquicamente mais elevado. Além disso, nas disputas para cada cargo os efeitos desses recursos estão presentes nas chances de sucesso ou fracasso eleitoral. Por outro lado, além dos recursos associados à ocupação e ao grau de escolarização, na medida em que o cargo em disputa é mais elevado e as chances de sucesso são mais altas, também cresce o peso do "carisma de função" decorrente da ocupação prévia de cargos eletivos.
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18 Janeiro, 2012

o projeto "nova luz" em são paulo

[Aricanduva, 1989
Cristiano Mascaro.
Pirelli/MASP] 

"Quem não vive na capital paulista e vê as notícias sobre a revoada de almas esquecidas que ainda resistem nos bairros de Campos Elíseos e Luz, onde a Caixa de Pandora da Cracolândia paulistana vem sendo aberta após décadas de descaso, talvez não entenda por que os governos do Estado e da cidade de São Paulo adotaram medida tão impressionantemente desastrada.

A ação que espalhou pela maior cidade sul-americana uma legião de verdadeiros mortos-vivos vai formando mini guetos na porta de cada um dos que acharam que poderiam deixar aquele desastre social crescer sem jamais serem afetados.

A diáspora de viciados que as forças policiais sob comando do governador e do prefeito de São Paulo provocaram gerou o que a imprensa vem chamando de “procissão do crack”. Como a operação se limitou a espantar aquelas pessoas da Cracolândia, a PM está tendo que escoltar pelas ruas da cidade grupos de até cem pessoas cada.

As regiões que estão recebendo aqueles que vão sendo tratados como dejetos humanos, reclamam. Segundo o jornal Estado de São Paulo, moradora da outra cidade, do outro país, do outro mundo contíguo ao gueto da loucura reclamou de que “Antes, eles ficavam escondidos. Agora, ninguém tem sossego” E pediu que as autoridades encontrem “algum lugar para levá-los”.

Eis o que acontece com São Paulo. Essa é a mentalidade de uma parcela enorme da sociedade paulista. Os favorecidos pela sorte querem simplesmente ignorar os dramas sociais que uma governança voltada exclusivamente para os mais ricos gerou.

Agora, essa parcela majoritária dos paulistas que mantém há quase vinte anos no controle do Estado e da capital políticos como José Serra, Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab vão percebendo que se deixam seus concidadãos se transformarem nos seres apavorantes que as imagens da Cracolândia mostram, poderão ter que recebê-los a domicílio em algum momento.

Os setores da sociedade paulistana que apoiaram que as autoridades locais deixassem o inferno florescer naquela parte da cidade já estão se perguntando sobre o propósito de uma ação policial que invade um gueto como a Cracolândia somente para espantar dali pessoas com graves problemas mentais que tendem a cometer roubos e até atos de violência sem pensar duas vezes.

Aqueles que trataram a política paulista e paulistana como disputa de futebol entre palmeirenses e corintianos, ao começarem a sentir o que a irresponsabilidade social pode gerar talvez tenham interesse em entender por que os governos estadual e municipal parecem apenas querer tirar daquela região aqueles que ameaçam a si e a todos.
Se quem nunca quis entender agora quiser, eu conto: é a especulação imobiliária, estúpido. O Bairro da Nova Luz é a nova negociata que esse grupo político que seqüestrou São Paulo está preparando".


Fonte: http://www.fas-sp.org (Acesso em: 11 de janeiro de 2012)

Clique aqui para assistir ao documentário sobre o projeto Nova Luz.

1 comentários:

Anônimo disse...

Sagaz, deveras sagaz..., caro DR.Codato.

hermafroditinha