artigo recomendado


Batista, Mariana. (2016). O Poder no Executivo: explicações no presidencialismo, parlamentarismo e presidencialismo de coalizão. Revista de Sociologia e Política, 24(57), 127-155.
Como a literatura vem analisando o Poder Executivo nos diferentes regimes políticos? A partir da diferença institucional básica entre presidencialismo e parlamentarismo pode-se identificar dois conjuntos de contribuições principais para o entendimento do funcionamento do Executivo em democracias: a literatura sobre a presidência americana e as discussões sobre os governos de coalizão no parlamentarismo europeu. O que os dois conjuntos de teorias têm em comum é a preocupação com a política intra-executivo. Esta literatura é analisada, identificando as principais questões, instituições, comportamentos e variáveis enfatizadas.
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11 de novembro de 2006

Eleições e a crise da agricultura

[A sweaty worker loading sacks
onto the McCormack line boat.
Brazil, 1939. John Phillips. Life]



Adriano Nervo Codato
Folha de Londrina, Londrina - PR, p. 2 - 2, 08 nov. 2006


Por que Lula (PT) não venceu nos três Estados do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Roraima?

Uma resposta segura para essa questão exigiria uma análise mais detida dos mapas eleitorais e da lógica da distribuição das preferências políticas. Mas arriscaria dizer que pelo mesmo motivo que Roberto Requião (PMDB) não venceu em Londrina, Maringá, Cascavel, etc.

O paralelismo aqui é claro: o eleitor de Lula é provavelmente o eleitor de Requião; e o eleitor de Osmar Dias é o eleitor de Geraldo Alckmin. O bom desempenho de Requião e de Lula segue o caminho da assistência social. E o mau desempenho tanto de Requião como de Lula segue geograficamente o caminho do setor agrário. Nesse sentido, a crise no setor agropecuário foi determinante para o fracasso eleitoral do governador e do presidente nessas regiões. Mas como essa crise se manifesta?

A crise do agronegócio se expressa antes de tudo como ‘‘antigovernismo’’. É um fenômeno mais ou menos complexo. O caso Requião/Lula ajuda a entender o problema. Penso que ele tem três dimensões: uma dimensão econômica, uma política e uma ideológica. O problema do câmbio (baixos preços para exportar), o problema da política monetária (altos juros para tomar emprestado e investir) e o problema do emprego (baixo índice de criação de empregos formais no setor agrário) alimentam e ampliam o descontentamento do eleitor. Pequenos, médios e grandes proprietários rurais (e os demais eleitores subordinados à lógica dessa economia) votam então contra ‘‘o governo’’, sem diferenciar se estadual, se federal.

Do ponto de vista político é preciso lembrar que o governo, qualquer governo, sofre desgastes, seja pelas brigas que compra, seja pelas que não compra. O que abre caminho para o desejo da ‘‘mudança’’, qualquer mudança. No caso específico do Paraná, o fator político foi o seguinte: as prefeituras do PT agora e antes, não foram um modelo de gestão administrativa a ser seguido, para ser educado.

Esse mudancismo, além disso, encontra sua razão de ser, do ponto de vista ideológico, em dois fatores: um ético e um técnico, que não se excluem. ‘‘Geraldo’’ foi a promessa ética contra a corrupção e o aparelhamento do Estado. E Osmar foi a promessa técnica a favor da agricultura. Aliás, ambos projetaram a imagem desejada do eleitor médio de classe média. Eles são ao mesmo tempo ‘‘iguais a nós’’ e ‘‘aqueles que sabem fazer’’ por nós. Mas se o recado de Osmar Dias foi entendido, o de Alckmin naufragou porque parecia retórico demais.

Referência:
CODATO, Adriano. Eleições e a crise da agricultura. Folha de Londrina, Londrina - PR, p. 2, 8 nov. 2006.

2 comentários:

Manoel Ramires disse...

Professor Codato, há que se advertir que Requião também perdeu em grandes cidades que ou não tem atrelamento direto a agricultura ou também possuem outras formas econômicas para sobreviver independente desse setor. É o caso de Foz do Iguaçu e Curitiba. Daí cabe questionar que fatores levaram ambos candidatos (Requião e Lula) a perderem nesses locais¿ Decorre também, por parte da mídia nacional e regional, uma grande campanha anti-Lula e anti-Requião. Pra ficarmos no caso do Paraná, explorou-se em demasiado o caso Rasera sendo alimentado por um jornal e uma emissora e repercutido pela campanha de Osmar Dias, mas não se explorou a compra ilícita ou não do senador Dias; também houve "crise casada", com relação a segurança, entre parte da mídia e o mote do candidato Mussi(PPS-senador). Sendo assim, as questões que indago são: foi o setor da agricultura realmente o fiel da balança¿ Daí, como se trata a vitória oposicionista em outras grandes cidades¿ Com que tamanho fica a mídia diante da agricultura para colaborar com a definição do eleitor oposiconista¿

Marcelo disse...

Pergunta: admitindo que a mídia seja tendenciosa quem é mais atingido pelos apelos desta mídia? O agrigultor adépto do agro-negócio? ou populações mais desprovidas (cliantela das políticas demagógicas de Requião).
Neste caso os argmentos do governador que afirma que foi prejudicado pela mídia tem que ser revistos e questionados.